Alternativa profissional (2): ator pornô
Escrito em 17/07/2008 | 3 comentários | Permalink

Continuando a saga iniciada no último post, vamos desbravar uma outra atividade profissional intimamente ligada ao alugar um pedaço do que é seu para a exploração de uma indústria. Caso você não obtenha grandes feitos virando um blogueiro de aluguel ou uma putinha do mercado publicitário, vamos à segunda alternativa profissional da série: tornar-se um ator pornô.
Por que você quer virar um ator pornô?
A resposta é óbvia: você adora sexo! E quem não gosta? Virar ator pornô é, na sua concepção, passar a ganhar dinheiro com a coisa que mais lhe dá prazer, sem nenhum compromisso emocional, atuando ao lado de um monte de atrizes gostosas. A única exigência será manter o corpo sempre em forma, a não ser que você prefira ser escalado em filmes de gosto menos ortodoxo, como sexo com gordos, anões, travestis, coprofagia, etc.
Outra coisa importante: é fato que uma série de atrizes pornôs eram também prostitutas. Porém, pelas últimas entrevistas das moças, a indústria do cinema adulto anda pagando muito bem, permitindo a estes atores que eles vivam exclusivamente de seus filmes. Esqueça os bicos, freelas de madrugada, consultorias mambembes e afins.
Porém…
Nem tudo são flores para alguém que vive de sexo. Primeiro porque a sociedade não aceita muito bem a profissão. Não que você mantenha uma vida social muito saudável trabalhando com publicidade, mas como ator pornô, você vai preferir continuar dizendo que trabalha em agências para os seus parentes e amigos. Até que um tio ou amigo tarado lhe descubra numa madrugada mais solitária e a fofoca se espalhe.
Outro ponto negativo é a própria filmagem. Creio que todos gostam de sexo e alguns até alimentam fantasias com voyeurs. Mas lembre-se que num set de filmagem tem diretor, câmera, cabo-man, assistente de fotografia, assistente de direção, assistente de filmagem, maquiador, entre outros profissionais que poderão interromper a sua performance se algo não estiver adequado. Para que a câmera capte os melhores ângulos, é necessário ter algumas noções de contorcionismo, o que não tem necessariamente muita relação com testar as posições do Kama Sutra. A Leila Lopes, nova estrela do segmento, afirmou em entrevistas que as veteranas de mercado lhe deram dicas sobre analgésicos ótimos para o consumo pré-cena.
Por fim, faço ressalvas sobre o que você terá que encarar em seu começo de carreira. Filmar com as rainhas devassas de seus sonhos adolescentes é para atores mais avançados na indústria, então é bom se preparar para começar a carreira em filmes de gosto duvidoso e atrizes não-tão-bem-delineadas. Se parar por aí, ótimo. Duro é se você for escalado para filmar com pessoas e opções/acessórios que nunca fariam parte de seu repertório sexual. E não tem chance para deixar o tesão cair! Provavelmente, será um início de carreira movido a Viagra (ou seus concorrentes Levitra e Cialis). Ou como se diz no popular, uma fase para você enrolar a bandeira do Brasil na cara e fazer por amor à pátria.
São algumas coisas a se considerar quando você pensar em trocar sua carreira de punhetas criativas por uma carreira de sexo por dinheiro.
Por último, gostaria de agradecer aos comentários e dizer que estou considerando textos sobre as opções sugeridas. Valeu pessoal e até a próxima!
Acompanhe todas os posts da série Alternativa profissional neste link.
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O café acabou
Escrito em 07/04/2008 | 3 comentários | Permalink

Pessoas têm um certo costume de se lembrar com saudades de tempos passados, como a infância e a adolescência ou mesmo alguns momentos pontuais, como o instante do primeiro beijo, da primeira trepa ou afins. Eu não sou diferente, e tenho cá comigo uma série de momentos em que viajo na nostalgia apenas para relembrar os caminhos que me trouxeram até aqui.
Há também, em dosagens mais homeopáticas do que apenas parar uns cinco minutos para relembrar, umas raras ocasiões em que podemos reunir os elementos destas remotas lembranças e fazer uma comemoração, no sentido mais literal da palavra: lembrar junto com todos. Eu quis fazer, nestes últimos dias, um destes momentos. Na verdade, eu quis mais: queria viver novamente certas coisas.
Com esta intenção, corri para a faculdade, tendo em minha cabeça os bons tempos nem tão antigos assim em que eu trabalhei dentro da empresa júnior de lá. Foram treze meses de convivência intensa com colegas, atividades e festas que não me deixam negar que curti muito o meu período universitário. Claro que não tinha na cabeça farrear em um dia o que farreei durante todo este tempo, mas queria sim voltar a viver algumas coisas, só para ter uma sensação egoísta de que o tempo, este fanfarrão, passa apenas para mim.
Mas não passa.
Ao chegar, fui recepcionado pela molecada que hoje toca aquela empresa júnior. Andei pela sala, vi os projetos que eles andam tocando e até fico feliz de ter deixado algumas sementes plantadas e que deram frutos vigorosos uns anos depois. Então, saí da sala e me dirigi à copa do departamento, em busca de um cafezinho. Antes mesmo que eu entrasse, me alertaram:
- Não sei se tem café. A dona Nívea se aposentou.
A dona Nívea chegava bem cedo à faculdade, como eu. Antes de começar a primeira aula, ela preparava o café para as salas dos professores e chefias do departamento. Aos funcionários, era reservada uma garrafa térmica dentro da copa. Eram nos momentos em que a vigia das secretárias baixava que eu entrava na copa, dizia “bom dia” à dona Nívea e surrupiava um copinho. Claro que, trabalhando por lá, as visitas se tornaram muito freqüentes, das 8h às 18h. Nunca tive longos papos com ela, mas também sempre fui cordial ao puxar um pouco de conversa enquanto enchia o copo com os borrifos da garrafa. Beber o café era também um tempo para conversar com quem viesse junto, enquanto bebericávamos o líquido quente e curtíamos uns cigarros. Era, por fim, uma metonímia destes dias simples em que eu achava mais complicado do que realmente era conciliar estudos, a “longa” jornada de quatro horas de trabalho e as festinhas.
Era. Mas dona Nívea se aposentou, o café acabou e eu um dia vou achar estes dias atuais mais simples.
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Alguns textos adolescentes
Escrito em 23/03/2008 | 3 comentários | Permalink

Enquanto aproveito este feriado para colocar a cabeça no lugar, delicio-me com programas um tanto quanto nostálgicos, que já envolveram até fliperamas durante uma tarde besta. Para dividir um pouco destes momentos com vocês, trago aqui alguns textos do velho arquivo que já pertenceu aos meus velhos blogs extintos. Eram de uma época em que, ainda que já encarando o mundo de maneira mais realista, eu me permitia nutrir a utopia de viver do que eu escrevia. Bobagens…
São textos curtos. Coloco-os abaixo e todos num mesmo post. Boa leitura!
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Não há tempo
Escrito em 26/11/2007 | 4 comentários | Permalink

Veja, não há tempo.
Você deve despertar de uma soneca que se ousa chamar de noite de sono, e então, o cronômetro dispara: são 3 minutos de banheiro, 5 minutos para um café do dia anterior, 2 minutos para vestir-se, 5 minutos para não perder o ônibus que só passa de meia e meia hora. Chega 15 minutos atrasado no trabalho e resolve calcular quanto tempo você teria por tarefa se resolvesse terminar tudo naquele dia: 2 minutos e meio, aproximadamente. Em 8 horas, logicamente, você não chegou perto nem da metade, mas vai ter que deixar tudo como está, porque as suas tarefas noturnas já lhe chamam. Não sem antes fazer um pouco de hora-extra (duas horinhas apenas) para não deixar o que você conseguiu colocar a mão pela metade. O trânsito da noite faz com que três quilômetros pareçam uma viagem daqui até o Japão, com escalas na Argentina, na Polinésia Francesa, na Índia, em Los Angeles, Fiji, Filipinas, Coréia do Sul e finalmente em Bangladesh. O que você tinha para fazer à noite? Uma aula? Um encontro? Um grupo de discussões? Um grupo de ajuda? Esqueça. Você chegou no fim da sessão e agora, só amanhã. Se bem que amanhã é um conceito relativamente próximo se o relógio marca 23h50. Você chega em casa, liga o computador, checa um ou outro e-mail, conversa com uma ou outra pessoa e, lá pelas 2h da manhã (se você não mantiver um blog), resolve tirar uma soneca.
Bom, eu estou sendo pessimista demais. É claro que as pessoas conversam com você durante o expediente, e a Internet permite que você faça muita coisa na comodidade de sua baia: pagar contas no banco, pagar a compra do mês, verificar o rombo em sua conta bancária. Conversando com os seus colegas, cada um lhe indica uma leitura diferente para você ler no seu tempo livre (para alguns, chama-se horário de almoço): best-sellers e auto-ajuda. Segundo o pessoal, perseverar é o segredo do sucesso. Você deve recitar mantras de sucesso e pensar positivo. Talvez você possa ter um colega mais sádico, que queira lhe ver na merda, e lhe oferte uma obra desesperadora e a obra servirá para lhe inspirar a escrever um (livro? romance? novela? peça de teatro?) post para um blog. Talvez nem isso: uma atualizada no Twitter e olhe lá.
Já cuidamos da cabeça, mas você precisa se preocupar com o corpo. É fascinante que academias agora estejam abertas durante a madrugada, mas não se esqueça que a endorfina liberada após uma corridinha e umas puxadas de ferro não o deixará dormir. Momento de encontrar o equiíbrio em doses naturais de alopatia: um calmante para lhe derrubar de madrugada, um estimulante para lhe acordar, muito café durante o dia. Em alguns casos, anti-depressivos são bem-vindos, além, claro, de pílulas para lhe garantir tesão. É claro que isto vai lhe tirar o apetite no almoço, então procure apenas não acabar com o pouco que sobra do seu estômago comendo besteiras. Opte por aquelas rações animais como soja triturada com aveia e coisas do gênero. Você não está se sentindo mais saudável? Livros sobre de dieta tendem a ser ótimos para você se sentir bem: é só recitar mantras e pensar positivo.
Se você encontrar um tempinho para recitá-los ou pensar positivo, bom para você…
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No fim da estrada
Escrito em 09/10/2007 | Sem comentários | Permalink
No fim da estrada foi um poema pouco trabalhado, escrito em 10 de abril de 2007. Para falar a verdade, ele está mais micro-blogging versado do que para poema. De qualquer forma, é evidente que os dias em que muito se caminha pouco se pensa, e é por isso que, pela segunda vez nesta semana, entra um post do velho blog
Caminhou
Caminhou
E não parou de caminhar até um dia
Um dia
Parou a estrada
Cansado de andar
Cansado de acabar
Acabou a estrada
Então falou
No fim da estrada
Cada um sabe as pedras que pisou
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Entre a adolescência e hoje
Escrito em 08/10/2007 | 2 comentários | Permalink
Entre a adolescência e hoje foi um texto originalmente escrito em 31 de janeiro de 2007. Curto, cheio de voltas em torno de um tema e cheio de temas sem volta. Como a adolescência foi, ou como ela deve ser.
Eu nem acreditei quando te vi novamente. Estavas linda, mais mulher, mais madura, mais vivida, maliciosa e irremediavelmente muda. Não que isso mudasse qualquer coisa, afinal, tu me respondias sempre com o sorriso. Ver-te entrando pela minha porta foi uma viagem aos melhores anos da minha vida, em que eu não era preocupado, pelo menos não o suficiente. Eu também não era muito responsável, mas as responsabilidades eram menores. E não era muito vivido, e isso me permitia encarar o mundo com mais inocência e vislumbramento. Talvez fosse assim que eu te encarava, mas a minha falta de perícia não podia competir com tantos e tantos outros rapazes, que faziam fila por um “oi, tudo bem?” teu, e não competi. Tinha cá pra mim em minha meninice que os amores tinham que ser mais arrebatadores e hollywoodianos, o suficiente para que tu pudesses me achar louco. Em enroscos, acabei ponderando o uso do amor exacerbado e hoje me permito aos acasos, e por acaso tu entraste pela minha porta. Eu poderia dizer que te amo, que te quero, que daríamos uma e continuaríamos amigos, eu poderia inventar que não iria me doer perder-te de vista novamente. Mas eu nem digo nada. E o mais engraçado é que, nesse teu olhar, sorris, muda. Irremediavelmente maliciosa. Não sei se concordas, mas faz eu me sentir para sempre moleque.
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