Publicidade não é vanguarda
Escrito em 29/10/2008 | 10 comentários | Permalink

Há alguns anos, ocorreu no Brasil uma exposição do acervo da Tate Modern e eu fui dar uma olhada, afinal imaginei que demoraria um bocado de tempo para eu juntar algum troco para conhecer a galeria em Londres. Apesar de muitas obras interessantes, outra coisa me chamou a atenção:
A exposição foi dividida e orientada de maneira a se fazer uma espécie de viagem cronologicamente alinhada pelo acervo. Começava-se pelas obras mais antigas, do período pós-guerras e iam se andando pelas décadas seguintes: 1960, 1970, 1980 e 1990. Como aprendemos já na escola, o modernismo artístico, em suas variadas frentes de debates, promoveu um questionamento de todas as escolas de arte até então conhecidas e praticadas. O modernismo é conhecido por ser uma época em que tentou-se de tudo e muito pouco, à primeira vista, fazia sentido. É só lembrar de uma exposição mais recente aqui do Brasil, a do Marcel Duchamp, e pensar nas reações da classe artística quando ele resolveu expor um mictório velho.
De repente, todas as peças fascinantes que vimos sumiram e, entre um quadro nhé aqui e uma instalação mais nhé ali, chegava-se ao período entre 1980 e 1990. Não à toa, uma época conhecida como pós-moderna e que a arte entrou em xeque, como um todo, sem saber muito bem explicar desde então as suas funções ou transgressões. Lembro de me perguntar, ao olhar para uma fotografia de uma paisagem e ao ouvir do instrutor da exposição sobre uma idéia de releitura do clássico pressupondo uma nova tecnologia, “então transgredir foi voltar ao clássico?”
Mas o título deste post fala sobre publicidade. E publicidade não é arte, coisa que todos concordamos. É fato que a publicidade tampouco é vanguarda e sempre soube beber das mais variadas expressões visuais e literárias. Sobre a prática de beber de outras fontes, ensaiei certa vez para a revista iMasters, cujo texto pode ser encontrado neste link. No mesmo texto, falo sobre uma dita crise da publicidade, que já não consegue ser tão criativa porque se “o tamanho da criatividade é proporcional à obscuridade das fontes”, a obscuridade hoje já não existe mais, segundo o amigo Luiz Mastropietro.
E até agora só falamos sobre a forma. A verdadeira faceta da ensaiada crise publicitária deve ter mais relação com o conteúdo. E sob o olhar do conteúdo, eu concordo que a publicidade é uma indústria que se alimentou da escassez de informação e está se tornando uma voz destoante, para não dizer desnecessária como a citação, entre as diversas vozes que hoje colaborativamente nos informam. A publicidade teve como função inicial nos informar. Quando todo mundo já sabia da existência do seu produto e dos concorrentes, a publicidade passava a ter a função de informar os melhores atributos, tangíveis ou intangíveis. Quando todo mundo já conhece os atributos e defeitos de determinadas marcas, o discurso auto-elogioso cai. E eu gostaria de saber para onde vai a função publicitária, desta maneira.
Entenda que eu não sou um apocalíptico, pregando o fim de uma área ainda poderosa e rica. O que não posso deixar de notar é que a publicidade, tal qual a arte em sua crise, não passará impune e nem imune. Um ambiente isolado de criação utópica é Cannes, mas o dia-a-dia, a “arte” de se fazer publicidade convive com pessoas que informam e se informam ao mesmo tempo. Pessoas que querem não só sugerir como fazer melhor que o discurso predominante. O discurso publicitário jamais será analisado de maneira isolada ou cumpririá o seu papel persuasivo se na Internet, todos detonam o produto, e por isso não passará imune. E se o discurso for uma simulação mal-feita da realidade, tampouco passará impune, sendo facilmente execrado pela comunidade especialista.
Tal qual a arte que, em suas explicações já não muito convincentes, também não passou imune ou impune. O caso dos pichadores da Choque Cultural e da Bienal, por mais condenável que seja, trouxe à tona o questionamento de uma série de conceitos artísticos.

Se a saída é pressupor o consumidor inteligente, o diálogo e as relações entre comunicação empresarial e toda a forma espontânea de manifestação que envolva a marca, o target ou o segmento, que seja de forma íntegra. A área de Relações Públicas funciona assim, por exemplo. Com uma diferença gritante entre o que sai na mídia como reportagem sobre uma determinada campanha.
O bróder Coelho, que acabou de voltar ao Brasil após uma temporada européia, explicou-me sobre um dos jobs que ele executou na Jack Liberties, agência de guerrilha londrina. Disse ele que uma agência de RP pediu a operacionalização de uma ação de rua. A diferença foi que, no dia seguinte, a ação não ficou restrita aos Blue Buses e Meio&Mensagens de lá, e sim foi veiculada em quase todos os veículos, em editorias adequadas ao assunto abordado pela ação.
Será que perdemos tempo demais procurando big ideas do que mapeando áreas para pequenas e certeiras ações? A palestra do Russell Davies inspira. Eu me pergunto até quando vamos olhar para este mundo de novidades com este olhar publicitário oitentista, de já imaginar aquela imagem impactante, uma música chamativa e, se rolar, uma helvética, como numa grande cartilha.
Afinal, como eu já afirmei lá em cima, a publicidade não é vanguarda. Será que ela vai permanecer reciclando clássicos como forma de “transgredir” também?
categorias: Opinião, Publicidade
Medocracia
Escrito em 29/09/2008 | 2 comentários | Permalink

Segue na íntegra o texto que enviei para a Revista Feed-se, que acaba de sair em sua edição especial sobre Democracia. Fui convidado a escrever um artigo que estivesse relacionado com a liberdade de expressão e sobre a luta por este direito, mas acabei falando sobre como o mercado pode tirar esta liberdade de maneira sutil. Não deixem também de baixar a edição da revista e ler, por exemplo, a apuração do caso do fechamento do domínio Twitter Brasil e casos de cyberativismo.
Medocracia
Entendendo relações de poder e influência sobre a sua dita liberdade de expressão.
Voltemos ao fim de Roma, perto do ano 476 d.C, quando acabou o Império Ocidental e começou a Idade Média:
Enquanto Roma passava por uma profunda crise em todos os seus setores, o grande Império passou a ser sacudido por hordas bárbaras que atacaram todas as fronteiras.
Quem tinha terra e alguns recursos começou a erguer grandes fortalezas que poderiam proteger as vidas abrigadas de possíveis saques.
Temendo pela sua segurança nas cidades, a população iniciou um êxodo urbano e passou a se concentrar nas proximidades dos castelos, pedindo proteção ao senhor das terras. Um movimento de sobrevivência sensato em que o cidadão trocava os seus direitos conforme as leis pela proteção paga por submissão a um regime de servidão.
Tal ilustração serve apenas para passarmos a conversar sobre o termo que intitula este artigo. A Medocracia não é o poder da tirania, e sim as atribuições de poder que o medo deu a cada parte.
No caso citado, percebe-se que o poder do senhor feudal só foi possível pela existência de uma ameaça em potencial, um medo que pairava sobre os servos nos primeiros momentos de Idade Média.
A pergunta que deve ser feita antes do prosseguimento é: e quem não tem medo?
Quando falamos em comunicação no Brasil em tempos pós-ditadura, falamos de alguns poucos grupos que dominam a opinião pública. Tal estrutura é o que, basicamente, alimenta todas as famílias de quem trabalha em jornais, agências de publicidade, empresas de pesquisa e até nos departamentos de marketing.
O jornal que você lê, a revista que você assina, o canal de televisão a que você assiste: - todos fazem parte das posses de um seleto grupo de empresários que têm o poder de ditar os rumos da opinião pública.
E são nesses meios que a publicidade tem os seus lucros, as pesquisas são geradas e o marketing estuda os seus ganhos.
É possível comparar estes grandes empresários da mídia aos senhores feudais. Um pobre camponês precisa se refugiar em um dos castelos para sobreviver, ou, em outras palavras, precisa estar ligado, de certa forma, à mecânica.
É simples assim. Não há jornalismo, publicidade ou outra atividade de comunicação que não tenha pelo menos um pé dentro da terra destes senhores.
Você já assistiu a um documentário produzido sobre o Governo de Minas Gerais e sua suposta influência em veículos de comunicação?
Vez ou outra, uma coisa dessas surge, alimentando as nossas síndromes de conspirações e perseguições, sem que efetivamente tenhamos alguma confirmação da verdade.
O vídeo entrevista alguns jornalistas que teriam perdido o emprego no maior jornal de Minas Gerais por publicarem comentários negativos em relação ao Governador local.
O dia-a-dia no feudo é bem menos tenso do que isto, mas passa pelo mesmo questionamento: escrever tal artigo pode contrariar pessoas, mas se contrariar a alta cúpula do veículo que paga o salário, o que acontece?
E então surgem os blogs como alternativa a quem produz comunicação com qualidade e isenção.
Uma verdadeira revolução, se voltarmos aos papos de 2005 e 2006. O volume de coberturas instantâneas e de opinião fez dos blogs potenciais competidores dos feudos. Hordas bárbaras de respeito. Um pequeno post pode fazer grandes estragos.
É claro que os senhores feudais podem ficar de olho no que os seus servos produzem nestas mídias sociais. Mas o poder que eles têm para calar uma voz destoante de seu coro já não é mais o mesmo até porque já existem blogs com maior número de acessos do que os leitores de alguns jornais.
Seria a blogosfera o último reduto longe da Medocracia? Talvez não para este que lhes escreve, cujos ganhos estão ligados à publicidade.
Mas se é bobagem, então a preocupação deste texto com algo que provavelmente não ocorre com os blogs - como a existência de blogs patrocinados por empresas, embaixo da aba de grandes grupos de mídia ou bancados por agências publicitárias -, brindemos à isenção.
Ou aproveitemos estes belos dias de Camps para discutir quem é que vira senhor feudal se o blogueiro for o servo nesta metáfora.
categorias: Aleatoriosfera, Comportamento, Opinião
Repita 47 vezes: sou uma diva!
Escrito em 04/08/2008 | 3 comentários | Permalink

Eu realmente não tenho nada, absolutamente nada contra aqueles que preferem continuar sendo chamados de blogueiros, mas uma vez que descartei o rótulo, é bom reafirmar. O que eu tenho contra certos tipos de pensamento é uma espécie de miopia coletiva que é repetida ao melhor estilo “meme” e acaba por se transformar em verdades completamente absurdas. Não haveria problemas se essa história de blogs continuasse a ser um passatempo juvenil, mas já que com dinheiro de empresa todo mundo quer brincar, a fantasia terá que ser deixada de lado.
A fantasia é mais ou menos assim: você não é uma diva, mas acha que é. E precisa ficar olhando para o espelho e repetindo: “sou uma diva, sou uma diva”.
Os blogs são importantes? Sim. São a coisa mais importante do mundo? Jamais. Pense nisso. O que rege a ferramenta é o seu conteúdo. O blog foi só a forma que você encontrou de colocar conteúdo na Internet. É muito diferente de traçar a idéia de um blog sem pensar no que se vai colocar nele.
Assim como blogs não substituirão mídia alguma. Sempre haverá espaço para a mídia tradicional, ainda que ela tenha que se reinventar. E é importante, não só para o blogueiro, mas para qualquer pessoa, que não se admita dois pesos e duas medidas num julgamento: a imprensa não presta quando escorrega no quiabo com a dita blogosfera, mas todo mundo adora ganhar uma menção num jornal. De preferência no impresso, que tem grande circulação e você pode mostrar para a família.
Quanto às métricas, um caminho obscuro a ser percorrido na Internet como um todo, resta aos blogueiros se agarrarem naquelas que lhe parecem interessantes. Tal qual a Globo com o Ibope, o blogueiro casa com a lista de blogs mais populares que lhe posicionar melhor, não importando muito se as métricas são questionáveis. É óbvio que eu não estou desmerecendo quem sempre aparece no topo da lista, mas por que é que nunca apareceram blogs da Globolog? O Tiago Dória aborda o tema de maneira mais específica neste post.
O problema é que quando a métrica utilizada é questionável e na verdade não interessa, ela é sumariamente descartada. Imagine se eu lhe contar que este blog é o preferido por 100% da família Yassuda. Isso importa a alguém? Pouco provável. E uma lista de 200 blogs retirados de uma lista de 200 blogs cadastrados em um sistema e apenas reordenados conforme uma equação? Esta sim é importante? Apenas para o blogueiro que ali aparecer, provavelmente. Se eu utilizasse a mesma métrica numa pesquisa acadêmica, eu seria rechaçado.
Finalmente, vamos aos eventos. Sabe qual a diferença entre um evento com artistas e um com blogueiros? Quando acontece um evento com artistas, a imprensa especializada aparece para cobrir e aquilo vira notícia (tudo bem, de importância questionável) espontaneamente (também questionável). Um evento com blogueiros parece virar notícia porque os convidados, na verdade, são aquelas pessoas que irão escrever sobre o assunto. Ou seja: se eu chamar umas 100 pessoas que escrevem em blogs e no Twitter, eu terei um evento reportado em 100 blogs e parecerá que não se fala em outra coisa. Ou então se cria uma intriga com, vejamos, a imprensa. Aí temos uma notícia espontânea (e você não irá questionar?).
Mas ok. Como eu disse lá no começo do texto, os blogs são importantes. E dialogar com eles também é. Mas se a força, na verdade, está no volume da dita blogosfera do que em um ou outro blog, por que, de repente, passar a tratar um ou outro como estrela? Um irá receber um convite especial para o evento e o outro terá que ligar para pedir a credencial, sendo que ambos fazem parte do plano?
Não sei. Parece-me que há algo de podre no reino da Dinamarca. E não é só com a intenção vil de certas empresas em ganhar algum troco com blogueiros. Mas se tudo lhe parece bem, é só continuar repetindo: “sou uma diva, sou uma diva”.
categorias: Aleatoriosfera, Opinião, Publicidade
Blogs corporativos: por que a sua empresa não precisa de um?
Escrito em 01/08/2008 | 4 comentários | Permalink

É claro que este papo não é novo. Blog corporativo já foi a grande onda há algum tempo e agora está presente em todos os planos modernetes dos departamentos de marketing. Só tem um problema: se os meus amigos do Mural da Comunicação explicam por que uma empresa precisa de um, eu lhe pergunto: a sua empresa realmente precisa de um blog?
Claro, todos querem que a sua empresa seja achada. Todos querem comunicar sobre os diferenciais de marca. Mas aí é que está: você realmente precisa de um blog para isso? Blog é apenas uma ferramenta. Se você não tiver conteúdo para ele, não vale mais a pena pensar num site em Flash, bonito e encantador?
Mas tudo bem. Supondo que você acredite que a sua empresa tenha algo realmente relevante para falar, como os super-diferenciais de sustentabilidade e responsabilidade social, você pensa em montar um blog? Não seria melhor um site com seções fixas? Uma só seção chamada, vejamos, “Empresa, pensando no amanhã”, daria conta desta demanda.
Ah, a sua empresa realmente produz conteúdo? Ela tem um estagiário na área de marketing que levanta dados sobre o mercado todos os dias, faz benchmark de ações no exterior e teria tempo para alocar este conteúdo num site. É um bom motivo para querer ter um blog. Então vamos a outro ponto de nosso interesse: a sua empresa está preparada para ter um blog?
Quando um leitor decidir entrar em contato para reclamar sobre o produto/serviço, ele será ouvido ou ele será arquivado? E eu nem cogitei a hipótese do moderador simplesmente apagar o comentário e esquecer do caso, passando um relatório com um enorme carimbo “sem problemas!” para a sua chefia.

“Gentlemen, we appreciate your concern. Here at HBC the general goal is providing the highest and most thought-provoking entertainment. How great it is that we live in a country where an artist can express himself freely. That’s not only the American spirit, it’s the HBC spirit. Which allows us to make great family programs like Halo The Turtle, and of course, everyone’s favorite show, Cop Drama. We can’t thank you enough for bringing your concerns to our network, for it is you, the loyal HBC viewer, who makes this great network, and indeed, the great country that it is.” - em português: balela. Esta cena é hilária e você pode assistir clicando aqui, a partir de 12m55s.
O blog não vai salvar a sua lavoura. Se o seu produto faz feio contra os concorrentes, não é melhor pegar este investimento e realocá-lo para a Engenharia? O blog está ali justamente para propor opções de experiência com a marca. Se o consumidor tem uma experiência ruim com o produto, todos aqueles textos que o seu estagiário separou com tanto carinho não servirão para nada. E se isto é normal para os consumidores de quinta categoria que somos aqui neste país, por que abrir um canal para facilitar a vida do insatisfeito? Não é muito melhor esperar a ligação num SAC e enviar uns brindes a ele? Faz bem menos barulho que uma ação desastrosa na Internê…
categorias: Internet, Opinião, Publicidade
Chegou a hora de lançar um media kit
Escrito em 14/07/2008 | 8 comentários | Permalink

Os papos blogóricos sobre monetização até me inspiraram, mas um contrato como o feito entre Senado e portal da Paraíba, conforme os detalhes dados pelo Cardoso, foi o que realmente fez com que eu optasse por um media kit. E um media kit à altura dos futuros contratos entre empresas ou instituições públicas e websites em geral depois deste divisor de águas firmado entre Senado e Paraiba.com.br.
Fiz umas contas interessantes por aqui: o valor de R$ 48.000,00 faz o selo custar R$ 6,66 por pixel quadrado, mas este valor está aí apenas a título de curiosidade, por causa da piada fraca, porém pronta, do preço da besta. Nas contas de custo por mil usuais no mercado, que numa média ficam na casa de uns R$ 25,00, a promessa é de cerca de 2.000.000 impressões por mês pelo valor total pago. Claro, este meu blog é muito menor do que o portal contratado. Levaria 40 meses para eu oferecer este número de impressões.
Portanto, supondo que este valor pago ao portal é um valor correto de mercado, posso me basear nele para estabelecer o meu media kit e assim iniciar uma vitoriosa campanha de e-mail marketing a senadores e congressistas.
Se eu vou levar este tempo todo para atingir 2.000.000 de impressões, nada mais justo que uma campanha de banner 120×60 aqui no Blog do Yassuda custe 40 vezes menos, ou seja, R$ 1.200,00 mensais, com o tal do custo ilusório por pixel quadrado de R$ 0,17.
Segue então minha tabela de preços por tipo de banner:
Full Banner (468×60): R$ 4.773,60 por mês
Half Banner (234×60): R$ 2.386,80 por mês
Selo (120×60): R$ 1.200,00 por mês
Superbanner (728×90): R$ 11.138,40 por mês
Skyscraper (120×600): R$ 12.249,00 por mês
É mais ou menos o que os outros blogueiros cobram?
categorias: Aleatoriosfera, Opinião, Publicidade
Eu não sou blogueiro
Escrito em 04/07/2008 | 12 comentários | Permalink

Diante de um monte de coisa falada por aí graças à polêmica entre o famoso site de notícias de importância duvidosa Blue Bus e alguns blogs bróderes (9 ao todo) que ganharam um press kit modernoso da Coca-Cola, decidi que não quero ser blogueiro.
Primeiro, porque demora tempo demais para explicar que tudo o que une os blogs são a ferramenta pela qual seus editores decidiram prover algum tipo de conteúdo na web. É bem possível que alguns concordem comigo, que eu concorde com alguns, mas a semelhança termina aí. Então fica mais fácil dizer que “eu tenho um blog, sim, mas meus únicos rendimentos vêm de meu emprego, na área de comunicação, portanto sou publicitário (provavelmente, piora a imagem que a pessoa tem de mim, mas a vida é composta de escolhas…)”.
Confesso que às vezes bate uma vontade de ser blogueiro apenas, mas não tenho vocação para isso. Os encontros no El Malak são bem legais, o pessoal é bacana. Mas não é necessário ser blogueiro para estar lá.
Concordo algumas causas levantadas por blogueiros (o título do post eu roubei daqui, um manifesto de muita gente nobre), mas não sou obrigado a concordar com tudo. Nem todo jornalista escreve inutilidades como o Blue Bus, nem todo blogueiro produz conteúdo ou é defensor de uma relação transparente com o seu público. E principalmente, nem toda empresa deveria utilizar alguns suportes web como ferramenta. Os blogs caíram no oba-oba, tem evento bacaninha toda semana, press kits luxuosos, um monte de coisa legal acontecendo. Às vezes, eu penso que todo esse investimento vale mais para que uma pequena parcela de formadores de opinião não fale mal do produto (efeito causado por aqueles cases desastrosos de RP que todo mundo tem medo, como o do moleque que abriu cadeados com uma caneta Bic), ainda mais se levar em conta que o investimento das empresas nesta moçadinha esperta é pequeno, bem pequeno, coisa que eu já havia ensaiado há algum tempo.
No meio deste vendaval de coisas, não posso negar que é muito legal estar no meio do oba-oba, como já até comentei em posts anteriores, mas entre tantas discussões infrutíferas e tanta gente perdida (eu também posso estar estar entre eles, quem sabe), melhor ficar de fora.
Reitero que é melhor tratar com cada blog individualmente, estudar cada caso, assim como com qualquer coisa. Claro que ri da piada do Merigo, mas não são as notícias toscas que me fazem não ler o Blue Bus, e sim quando ele resolve dar opinião sobre alguma coisa séria. Nessa hora, você vê que ele não consegue se aprofundar. Na hora de dar uma opinião séria, você percebe que o Merigo vai longe, e são poucos os blogueiros que conseguem chegar perto disto. Seria injusto colocar o jornalismo no patamar do Blue Bus e os blogueiros no patamar do Merigo. Prefiro chamá-lo pelo nome e quando me perguntarem “quem é Merigo?”, responderei que é um bróder.
categorias: Aleatoriosfera, Opinião
Então você quer fazer publicidade?
Escrito em 28/05/2008 | 8 comentários | Permalink

Eu estava fazendo uma viagem egocêntrica em meus links recebidos via BlogBlogs quando me deparei com este blog da Glaucia que, em sua passagem anunciando um evento nerd que virá, diz o seguinte:
Parei para pensar um pouco sobre isso: será que foi o meu post sobre o JUCA? O post dela é mais antigo. Então seria pelos elogios constantes que faço à área? Mas, perae: que elogios?
Talvez seja um mal que se arrasta desde o primeiro dia de minha faculdade, quando um professor chicano perguntou, antes mesmo de dizer “seja bem-vindo à pontifícia”, sobre o porquê da minha escolha por publicidade. Algo que não compreendi direito até hoje. Aí descobri num site, que já está até fora do ar, a coluna do Davi Amarante, com seu texto entusiasmante intitulado Desista. E sim, ele falava sobre desistir de publicidade.
Eu ainda não desisti. Mas também conheci pouca gente com mais de 40 anos que não tenha desistido. E com certeza já desisti há algum tempo da dita publicidade convencional, acreditando firmemente na consolidação das novas mídias. Se bobear, adotei como meta o modelo de vida estabelecido pelo autor do texto, que chegou à direção de criação numa agência em Portugal e aí largou tudo para virar cantor. Até que me dou bem no karaokê…
Tudo pode ser, se quiser será. O sonho sempre vem a quem sonhar. Tudo pode ser, só basta acreditar. Tudo o que tiver que ser, será. Às vezes acho que tudo não passa de um conto de fadas. Questão de fé a quem se segura.
Se foi com isso que lhe ajudei, Glaucia, bem-vinda à nossa igreja. Prometo que não farei nenhum trocadilho infame comparando o Leão de Judá com o Leão de Cannes nesta metáfora. Ahn, ahn, pegou?
categorias: Opinião, Publicidade
Quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João
Escrito em 29/04/2008 | 9 comentários | Permalink

Quem me conhece há mais tempo sabe que os eventos paulistanos me agradam. Quando surgiu a Virada Cultural, um evento de apanhados culturais da cidade reunidos numa nova embalagem em sua primeira edição, aproveitei para andar por ruas e avenidas que jamais imaginaria caminhar durante a madrugada.
Nas Viradas seguintes, só motivos para eu me orgulhar de estar no evento. O centro estava lindo, em recuperação, quase renascimento. As atrações musicais animavam o público. Mesmo com alguns problemas no ano passado, o evento se consolidava. Tornei-me, então, um grande defensor desta manifestação. “Se não gostou da muvuca, não odeie a Virada Cultural, odeie os fãs de Teatro Mágico”, bradei no Twitter.
E enfim veio a quarta edição. Muitos palcos, muitas atrações e fundamentalmente muita gente.
Foi então que o pano caiu. A ilusão acabou. Em um centro cheirando a urina, não consegui chegar sequer perto de algum palco, exceto o surrado palco de bandas indies, que foi abandonado até pelos moderninhos. No meio daquele povo todo que se apertava em busca de uma melhor visão do nada, eu sambei encoxado e encoxando, sem distinguir raça, credo ou sexo. Os olhos cansavam de ver tanta gente e então, na decisão menos sábia de todo o fim de semana, juntei forças para o último show, com certeza o que estaria mais lotado.
Afinal era o Jorge Ben. Pô! Falei há alguns dias do Jorge! Zazueira! Do meu Brasil!
Aliás, havia mencionado também que queria umas credenciais, pelo simples fato de poder gerar conteúdo sobre o evento de maneira mais tranqüila. Eu teria arriscado levar um laptop para lá se a autorização viesse. O castigo final por tamanho despeito às práticas jornalistas viria no crepúsculo do show de Jorge, quando tive meu singelo equipamento de reportagem apreendido por gente mais esperta do que eu. Calei-me, enfim, rendido à grandeza da maior aglomeração registrada em todas as edições (4 milhões de pessoas).
E calo-me agora, em fotos no Flickr, em memória de mais um celular furtado. Não existe show de graça.
categorias: Comportamento, Eventos, Opinião
Sobre um mercado em evolução
Escrito em 22/04/2008 | 5 comentários | Permalink

Este post surge com a esperança de colocar mais alguns pingos nos is de questões levantadas por mim desde o Campus Party que, depois de idas e vindas, culminaram num dos posts mais polêmicos da história curta deste blog. No fim das contas, o que se quer saber é o que pode, o que não pode e como proceder se ainda existir dúvidas no trato entre os “homens da maleta” e os blogs. Creio que o post vai ficar melhor topicado:
- Ideologia é o primeiro filtro. Quer ganhar alguma grana, não importando se é apenas para manter o site ou para ficar rico? Ok. Continue lendo o texto. Se o seu blog não quer fazer um centavo sequer diretamente, vivamos em paz com o hino da Segunda Internacional e com as cuequinhas do Che Guevara. =)
- Se não há nada de errado em fazer dinheiro com um blog, falemos sobre os tratos que as agências estão tomando: faço questão de anunciar as resoluções éticas que o Womma (cuja tradução literal seria Associação do Marketing de Boca-a-boca) tem para a interação com as mídias sociais, um tipo de trabalho mais próximo de RP do que de pulbicidade por não haver compra de mídia, e sim de diálogo direto com a comunidade. Falo dela e não mais do Conar porque as agências de marketing difenciado daqui muitas vezes não se parecem com uma agência de publicidade, mas ainda assim têm o Womma como referência.
Quando anunciei que gostaria de postar sobre o assunto lá na firrrma, o Wagner Fontoura disse que falaria a respeito e fez um bom post falando do Womma e de como a questão do dinheiro estar chegando aos blogueiros está mudando tudo. Imediatamente, falei com pessoas de outras empresas desta indústria vital, que me passaram as mesmas impressões: em nosso negócio de mídias sociais, e aqui entram blogs, fotologs, Orkuts e afins, as abordagens se darão mediante a ética do Womma. Concordo no ponto levantado pelo Wagner, de que existem os riscos do pioneirismo, mas é justamente uma das premissas básicas das mídias sociais que devem apontar os caminhos: a crítica aberta dentro do diálogo e a escolha da comunidade.
Eu naturalmente prefiro que este diálogo aconteça e efetivamente mude alguma coisa do que simplesmente ver-me obrigado a fazer algo pela força da lei: na Inglaterra, a próxima atualização do código de defesa do consumidor, em maio, trará regras de como se fazer marketing na Internet. Está tudo aqui.
- Se a parte das empresas estiver sendo feita, é claro que a vigilância deve ser mantida, mas sem paranóias e extremismos. O ex-chefe sempre me advertiu sobre eu não querer fazer dinheiro com este blog, que isto era extremo: se alguém quer pagar para colocar um anúncio, agindo dentro das condutas éticas de mercado, qual era o problema? Concordei com ele.
Da mesma maneira, um blog não pode ser uma ilha. Sejamos honestos: publicidade é uma realidade e o fato de uma pessoa relembrar de jingles tão naturalmente como ela lembra de uma outra canção qualquer, por exemplo, indica que teríamos que ser muito inocentes para acreditar que o que conhecemos por informação e cultura não tem* uma influência severa dos departamentos de marketing deste mundão de Deus. É óbvio alguma ação de uma empresa poderá pautar algum post. Para o bem ou para o mal, se você quer ser maniqueísta. Quando isto acontecer, qual é a ética que está sendo ferida? Nunca mais poderei olhar nos olhos do Che Guevara, pintados em uma camiseta vendida em qualquer banquinha, por ter falado da Microsoft? Oh, não…
Encerro esta argumentação com dois exemplos do mesmo blog, o também polêmico Futepoca: num dos casos, após um post sobre uma ação da Coca-Cola que envolve uma comparação entre Maradona e Biro-Biro, os editores acharam melhor retirar o post do ar e pedir desculpas aos seus leitores por ter falado sobre uma campanha publicitária. Um dia antes, porém, eles descrevem uma vodca canadense filtrada com água de icebergs. Eu perguntei a eles se eles achavam que não havia um centavo de investimento em comunicação desta vodca, para que este fato de ela ser filtrada com água de iceberg se torna-se pauta, ou se eles estariam julgando o tamanho das empresas, postando algo de uma empresa menor e limando a toda-poderosa Coca-Cola da brincadeira.
Em qualquer um dos casos, soa-me inocência (resposta inclusive nos comentários daquele blog). Mas que o diálogo continue: a mim, só interessa a maturidade que, aos poucos, esta área está criando. Tanto as empresas quanto os novos veículos de mídia deste século.
*errata: no post original, faltou a palavra “não”. Um ruído enorme, claro, porque a frase ficava sem sentido no texto. “indica que teríamos que ser muito inocentes para acreditar que o que conhecemos por informação e cultura não tem uma influência severa dos departamentos de marketing deste mundão de Deus” é a leitura correta.
categorias: Aleatoriosfera, Internet, Opinião, Publicidade
Qual é o sabor da pizza?
Escrito em 16/04/2008 | 6 comentários | Permalink

Obviamente, não se trata de um post gastronômico, mas sim de uma metáfora para explicar as minhas impressões atuais deste mercado ao qual voltei, aquele que envolve o que por aí ganhou uma porção de nomes, denominações que indicam o caminho das crenças e de parte da atuação de seus autores: já ouvi below the line, guerrilha, marketing viral, inteligência digital, novas mídias, no-media, redes e mídias sociais e por aí vai. Não que eu esteja querendo pegar uma série de atuações e colocá-las como farinha do mesmo saco, longe disso. A questão é que são tantos os nomes e pouca gente parou para entender e pensar de fato dos desdobramentos, atuações, conflitos de interesse e, por fim, no que cada um deles importa para o todo de um emaranhado complexo que é a comunicação. E, claro, servem também para confundir quem vê tudo isto de fora.
E também não coloco todas as empresas do mundo num só saco, determinando que todas investem o que é a média em todos os variados segmentos de comunicação. Fica a constatação de que, no todo, o investimento maior ainda fica para as agências tradicionais de publicidade, por mais que o isto comece a caminhar de forma diferente, principalmente lá fora.
Dito isto, o óbvio que salta é que todas as especialidades do mercado de comunicação não-tradicional não têm uma pizza para dividir, e sim alguns pedaços dela. É até meio besta, mas serviu para eu pensar um pouco a respeito do que ouvi na semana passada sobre uma das modalidades que come um pouco da borda da pizza: os blogueiros. Falávamos sobre algumas questões pontuais deste agora mercado e uma declaração sobre já estarmos vivendo uma bolha me incomodou (no sentido de me tirar da acomodação da concordância).
Por um lado, os números animam. Nunca na história deste país se deu tanta importância aos blogueiros. Audiência consolidada, tanto pela Long Tail, que explica no gráfico como o fato de “bombar” na blogosfera atinge mais pessoas que um anúncio na Veja, quanto por alguns exemplos de blogs com audiências dignas de algumas revistas e jornais. Isto gerou uma série de investimentos neles. Grana entrando, ex-escritores-de-diários-adolescentes ganhando a alcunha de empresários, consultores e o escambau. Se eu estivesse ali, também desconfiaria: parece bolha.
Entretanto, e aí vai um pensamento raramente otimista deste que vos escreve, os investimentos estão longe de ser considerados altos. Saborearemos o momento em que, por exemplo, as agências de publicidade terão que ter em suas equipes uma pessoa pelo menos em cada departamento que saiba lidar com esta realidade. Talvez não só com blogs, mas com uma inteligência digital que abrange a forma de se fazer propaganda em qualquer mídia e comunicação a qualquer custo. Chegará o dia em que toda a conta de uma determinada empresa, ou pelo menos a maior parte dela, deixará uma agência tradicional e se instalará numa agência modernete. E eu nem falei nada sobre Relações Públicas ou Jornalismo. Tampouco pisei no campo dos produtores de conteúdo como os estúdios de filmes e séries, as bandas de música, etc.
Até lá, a história ensinou que o processo de evolução e amadurecimento nem sempre é algo que acontece para todos e ao mesmo tempo, tornando-o cruel aos desfavorecidos. É possível que o primeiro fator de seleção seja aquele que apontar uma saída ética para o retorno financeiro de quem investir. Talvez seja a formação de grandes grupos de mídia blogueira. Talvez seja quem sobreviver quando o grau de impacto de um post exigir responsabilidade proporcional. Talvez não seja nada disso, mas uma coisa é certa: vai mudar. Você não pode querer mudar o mundo achando que o mundo não vai mudar você.
Do contrário, comeremos borda achando que estamos comendo a pizza. Para sempre.
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As agências de publicidade e a propaganda nos blogs
Escrito em 06/03/2008 | 14 comentários | Permalink

Eu falei sobre este ponto durante algumas discussões com blogueiros quando o assunto era publicidade em blogs. E este post do Futepoca no final da semana passada fez com que eu pensasse em mais alguns pitacos a respeito do assunto, no que diz respeito a uma entidade que poucos blogueiros conhecem mais a fundo: a agência de publicidade ou de marketing diferenciado.
Primeiramente, tenho que começar falando sobre o Conar, Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária. Nasceu porque o governo ameaçou legislar sobre a prática publicitária nos anos 70 e, portanto, colocar regras de controle à prática das agências. Assim, elas se juntaram e elaboraram um código de conduta que, em tese, é respeitada por todas as afiliadas, ainda que não tenha força de lei.
E onde os blogs entram nesta brincadeira?
Independentemente da editoria de um blog, a agência a tratará como veículo. Existem dois grandes grupos de abordagens de uma agência a um veículo: ela pode fazer um trabalho de RP, em que um release é enviado com o intuito de sugerir ao editor um assunto que inclua o seu cliente. Por exemplo: a agência envia a jornais, aos cuidados da editoria de cultura, um release sobre uma exposição patrocinada por uma marca. Junto, algumas declarações do presidente desta marca, dizendo como é importante patrocinar exposições e blablablá. Creio que um jornalista poderia explicar melhor até em que ponto ele pode ou não aceitar uma abordagem dessas. O Futepoca colocou alguns destes pontos no post mencionado.
O outro tipo de abordagem é a publicitária. Aqui, a agência propõe a compra de um espaço no veículo. Vamos nos lembrar que toda a discussão sobre se o blogueiro deve ou não aceitar vender o conteúdo ou mesmo identificar um post como patrocinado cabe ao seu editor, uma vez que não há nada perto de um código de ética de classe. Mas há como cobrar das agências a ética que o Conar prega. Ficará mais fácil de entender se eu explicar alguns artigos do Código de Auto-regulamentação Publicitária:
Dado ao pagamento feito pela agência, um post patrocinado é, portanto, publicidade. Continuamos com o código:
pagamento, deve ser apropriadamente identificada para que se distinga das matérias editoriais e não confunda o Consumidor.
Dada a qualidade dos leitores deste blog, creio que não preciso explicar cada artigo.
Cobro aqui as agências para respeitarem o seu próprio código de conduta no tratamento para com os blogueiros. E aos blogueiros que se perguntarem em relação às questões éticas da publicidade em seus sites, este pequeno conhecimento do código deve ajudar a tomar decisões acertadas tanto para o relacionamento com o pessoal do dinheiro quanto com os seus leitores.
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Aprendizados sobre monetização
Escrito em 25/02/2008 | 4 comentários | Permalink

Antes que uma pedra seja atirada em nome daqueles que não agüentam mais falar sobre monetização, o intuito deste post passa longe de ser mais um a incentivar e propor práticas já conhecidas. Na verdade, trata-se de meu último post sobre os aprendizados e conversas durante o Campus Party, e ainda não houve uma reunião grande que não tivesse uma pauta envolvendo o assunto. Depois, voltaremos à programação normal e quase vibrante.
Pelo que deu para constatar em conversas aqui e acolá, a ilusão que tem que acabar é a do dinheiro fácil. Não se mantém um blog com audiência boa o suficiente para gerar alguns dólares no Adsense sem um bocado de trabalho. Alguns fazem disso a sua profissão - os denominados probloggers - passando a destinar muito mais do que um horário comercial em prol de seu(s) site(s) e presença na web.
Não é exatamente este o caminho que eu quero seguir. E não é por vergonha de ser considerado “apenas um blogueiro” - creio que os blogueiros estão consolidando o orgulho de classe. O lance é que não posso dedicar meu tempo integral a esta nobre profissão porque já me divido entre as outras atividades igualmente pesadas de estudante e publicitário. Também não vejo este blog como um exemplo de conteúdo monetizável. Um texto longo como este será invariavelmente lido por pouca gente. Os visitantes daqui são poucos, sim, porém extremamente qualificados. Não é exatamente o perfil de quem confunde o Adsense com um menu. Após o Campus Party, tomei a decisão de tirar a publicidade daqui. Aí sim, foi para parar de passar vergonha.
Eu só vejo exemplos razoáveis de probloggers que investem tempo e dinheiro em várias frentes para conseguir algum ganho. Qualquer outra tentativa de encontrar Eldorado em 1 mês, esquecendo o tempo em que só se coloca dinheiro esperando algum retorno, depende de sorte ou oportunismo incomum. É igual a qualquer empresa. Quem se propõe a trabalhar como blogueiro precisa, de fato, trabalhar. É só perguntar a qualquer um dos probloggers do Brasil.
Em compensação, o retorno via blog pode ser indireto. Graças ao Brainstorm #9, o Merigo conseguiu projeção dentro do mercado publicitário, por exemplo. O mesmo vale para o Cocadaboa e o Mr.Manson, seu autor. Eles ocupam posições importantes nas agências que os contratam, são chamados para coberturas diversas, as pessoas pedem suas opiniões. Eles vendem mais as suas marcas pessoais do que propriamente seus blogs. Outras pessoas que estão fazendo um excelente trabalho em blogs também estão se lançando ao mercado tradicional de trabalho, como é o caso da Baunilha e da Mirian Bottan e, em breve, do Guilherme (isso se alguma empresa já não o contratou entre o dia em que troquei um lero com ele e hoje).
Em suma, são apenas alguns modelos. Não quer dizer que toda pessoa que entrar nessa vai conseguir alguma coisa. Julgo ser necessário investir primeiro em ter um bom produto para ser vendido, e depois pensar em vendê-lo. Nenhum blogueiro que consegue fazer dinheiro com blogs, direta ou indiretamente, começou a brincadeira no mês passado. Numa rápida conversa com o Inagaki lá na Bienal, falamos sobre os românticos e inocentes tempos de blogs pré-2005, época em que eu já conhecia o blog dele e escrevia em meu falecido Frango e Polentas.
E eu paro por aqui. Sem listas de como se fazer dinheiro com blogs porque eu não faço a mínima idéia. E para não dizer que não fiz um post sobre probloggers sem mencionar o Interney, roubei a foto que ilustra este post do Flickr dele.
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Jornalismo e blogosfera
Escrito em 21/02/2008 | 4 comentários | Permalink

Requentadas e com novos ingredientes, as cutucadas recíprocas entre jornalistas e blogueiros voltaram a ocorrer durante o Campus Party e seguem fomentando opiniões por aí. Acrescento à receita a minha pitada de noz-moscada.
Enquanto blogueiro, participo de atividades que me aproximam de um Alexandre Fugita ou mesmo de um Rodrigo, vulgo Jacaré Banguela. O que nos separa são as nossas editorias (além, obviamente, de eles realmente fazerem algum troco com essa história de blog, coisa que comentarei a respeito no próximo post), o Fugita falando sobre tecnologia, o Rodrigo, sobre humor, e eu, sobre algo aí no meio, nem de tecnologia de ponta, nem sendo engraçado. São elas, as editorias, que aproximam alguns de nós com alguns profissionais da imprensa.
Dito isto, vamos à opinião de fato: não há futuro se continuarmos falando em jornalistas e blogueiros. Talvez é isto que falte para que alguns jornalistas se assumam como blogueiros e que muitos blogueiros consigam o status de imprensa. É por isso que concordo com o Cardoso quando ele diz que os blogs não devem assumir todas as facetas do jornalismo, mas também devo concordar com o Pedro Dória e achar que o blogosfera brasileira poderia contribuir com mais informação.
Jogo para a utopia, mas isto deve fazer algum sentido: enquanto nos separarmos em jornalistas e blogueiros, perdemos a chance contribuir uns com os outros na hora de dar uma informação. Não tem por que este blog entrar num debate político se eu sei que minha investigação não chegaria aos pés do que o Luís Nassif anda postando, só pelo fato de os blogs precisarem mostrar a cara em um cenário onde poucos deles atuam. É mais fácil que venha ele e outros investigadores e contribuam com o seu conhecimento jornalístico antigo, que jamais poderia ser tratado como inútil, abrindo blogs para escrever fora dos conformes de uma linha editorial polarizada. Esta é a grande vantagem do blog, além da velocidade, claro. Aos atuais blogueiros, caberia recebê-los de braços abertos, respeitando alguns traços que caracterizam o jornalismo.
Tentar opinar em um campo que não lhe diz respeito* acarreta em posts bizarros que espalhavam por aí a boa-nova daquele “grande movimento cívico” que foi o Cansei, entre outras campanhas com claro interesse empresarial/político por trás, mesmo que bem camuflado, como o interesse de um evento em pautar mídia tradicional e blogs sobre um quebra-pau “histórico” entre eles.
Enfim, eu espero ansiosamente que num próximo evento, episódios mais infantis como os fomentados dentro da Campus Party acabem. Que o debate venha para o campo das opiniões, onde todos se sentem à vontade e onde se separa bons articulistas, sejam eles jornalistas, blogueiros, jornaleiros ou bloguistas. Amém.
–
Momento da errata:
*Escrever um texto aos poucos, nos intervalos do trabalho e revisá-lo de madrugada dá nisso. Antes mesmo que acendam a primeira tocha, em “Tentar opinar em um campo que não lhe diz respeito”, eu não falo sobre blogueiros que querem falar de tudo. Falo sobre blogs que têm uma certa linha editorial e, de repente, resolvem falar de alguma causa, geralmente copiando belos trechos de releases bem montados, mesmo que indiretamente. Achei que o parágrafo poderia ficar demasiadamente ofensivo e, por isso, admito meu erro em não formular uma frase melhor na primeira postagem.
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A sedução do anonimato
Escrito em 18/12/2007 | 2 comentários | Permalink

Cheguei tarde no trabalho, abri o Twitter e, lá pelas 13h e pouco, alguém avisa sobre o No Escuro, app feita pelo Rafa Barros utilizando a API do Twitter para garantir anonimato para as pessoas brincarem de se confessar.
São 15h e a app já foi fechada pelo seu criador. Não foi por problemas no servidor.
Claro, um turbilhão de mensagens ofensivas a certas pessoas poderiam causar problemas (inclusive jurídicos) a quem criou o site. E, numa boa: é óbvio que dar a opção do anonimato às pessoas liberta verdadeiros monstros que vivem ao nosso redor com sorrisos e relações cordiais. Todo e qualquer ressentimento, inveja ou outro sentimento menos nobre será escancarado para o mundo.
É da natureza do ser humano. O anonimato permite deixar de lado todas as regras que seguimos e transformamos em super-ego. Freud explica, portanto.
Estar assim, cercado de pessoas que estão esperando uma oportunidade de lhe atingir de alguma maneira, também é condição de quase todo mundo. Sábio é aquele que ignora. Isso me lembra de quando tive o meu primeiro troll em blog e queria descobrir a todo custo quem era a pessoa. Hoje, não quero mais. É melhor assim.
E assim vamos vivendo. Brilhante frase do Inagaki no Twitter fecha este post: “o mundo não é para inocentes”.
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Limão no ** dos outros é refresco
Escrito em 17/12/2007 | 4 comentários | Permalink

Tende a ser um round mais curto, e se fosse outro veículo gigante envolvido, talvez nem chamasse tanto a atenção. Mas trata-se de uma nova rusga entre um blogueiro e o Estadão.
A base está na abertura do Limão, o site descolado, 2.0, cool e moderninho do Estadão que permite ao usuário uma experiência interessante no discurso. Uma de suas áreas chama-se Com Limão e… adivinhem: existe um blog Com Limão, que agora clama por justiça ou por espaço.
Neste post, Victor Vasques defende o seu blog, na web desde setembro de 2006, e aponta que ser confundido com uma ação marqueteira para o Estadão não é bom para o site. Concordo: as pessoas têm aversão a planinhos mambembes de marketing e poderiam rejeitar o blog se ele se confundir com uma ação para um grupo gigante de mídia. Por outro lado, algumas pessoas acabarão chegando ao site dele sem querer, já que o Estadão investiu pesado em publicidade para o seu Limão e, como o próprio Victor comentou, o blog Com Limão aparece nas primeiras posições do Google numa busca pelo termo.
Enquanto se expremem os limões, vamos acompanhando mais uma tentativa do Estadão de falar sobre ou com o pessoal da Internet. Aguardemos novos capítulos em 2008 desta saga.
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