São Paulo, 454 anos

27/01/2008 | 2 comentários | Permalink |

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No dia 25 de janeiro, a cidade de São Paulo completou 454 anos, e acredita-se que é mais um aniversário que dá motivos para festas e otimismos: bem ou mal, a cidade melhorou muito nos últimos anos em qualidade de vida, transporte, eventos culturais e segurança. Claro, ainda não se pode dizer que este é um pedaço do paraíso (apesar do Paraíso fazer parte de São Paulo), mas as melhoras dão energia para continuarmos trilhando rumo a uma cidade cada vez melhor.

Sou suspeito para falar desta cidade barulhenta, cinza e extremamente aconchegante. Não imagino como seria a minha vida fora desta loucura e provavelmente não escolheria um lugar mais calmo para se viver. Nada mais justo do que sair por aí e comemorar a data (e, claro, o feriado municipal).

Minha escolha foi o palco montado no Parque da Independência, onde houve o brado retumbante do povo heróico que ouviram do Ipiranga, às margens plácidas. Ali, quatro atrações festejaram o aniversário da cidade: Coral Kholwa Brothers, Banda Glória, Funk Como Le Gusta e Jorge Ben Jor.

Perdi a primeira atração, mas cheguei a tempo de ouvir a interessante Banda Glória, que trouxe o som das clássicas marchinhas de carnaval, bem como clássicos com um pé no carnavalesco, como canções de Chico Buarque e Gonzaguinha. Som gostoso para a tarde que já estava acabando. Foi quando encontrei também o Olé do Vereda Estreita.

Banda Glória Banda Glória

Entre todos os shows, algo diferente: em vez de músicas aleatórias nas caixas de som, Cidinho Teixeira e Vera Mara em sessões de piano e voz, trazendo uma bossa/jazz/samba de boa qualidade e sossego para o público que aguardava as próximas atrações.

Cidinho Teixeira e Vera Mara Parque da Independência

Então pintou a galera do Funk Como Le Gusta. Há muito tempo que ensaio uma ida a algum show dos caras, mas só agora pude ver ao vivo. Instrumentalmente impecáveis e com muito carisma, os caras foram se juntar ao povo para tocar o bis.

Funk como le gusta Funk como le gusta

Depois das 20h da noite, para um grande público que agora já me esmagava contra a grade, Jorge Ben e a banda do Zé Pretinho chegaram para animar a festa. Muitos clássicos de sua carreira, seja com ou sem Jor no final. O véio ainda levanta a galera com o seu Esquema Novo, pegada de samba por ele inventada. Ainda estou aqui a cantarolar “Santa Clara clareooooou”, “Zazueeeeeeeira”, “Engenho de Deeeentro, quem não saltar agora só… em Realengo”.

Jorge Ben Jorge Ben

No bis, “Taj Mahal” e “Namorado da Viúva” garantiram os clássicos. De sua obra mais recente, um disco de letras antigas inacabadas ou letras novas, saltou “Duas Mulheres”, que como bem definiu Cassia, fiel leitora deste blog desde 1972, torna-o grande já que “não é qualquer um que compõe uma música para um livro do Jorge Luis Borges”; saltou também “Emo”, a contra-partida de todo o show pelo tema de gosto duvidoso. Ao fim do show, Jorge Ben convoca um monte de meninas lindas ao palco e com o coro de “gostoooosa, ela é gostoooosa” coroou as meninas como musas. Haveria ainda um tempo para um bis de “Salve Simpatia”. Duas horas de um belo show deste artista, que por toda a grande obra e inegável contribuição à música brasileira, está perdoado de ter vindo fazer odes ao Rio de Janeiro em pleno aniversário de São Paulo.

Jorge Ben Petecas Mirins

No fim, um ótimo programa numa sexta-feira com cara de chuva. Parabéns a esta cidade maravilhosa que sabe acolher todos os povos e ritmos e gostos como ninguém. E parabéns aos organizadores do show, que agradou a cults, maconheiros, sambistas, roqueiros e até a gente chata como eu.

Veja mais fotos no meu Flickr.

categorias: Eventos, Música

 

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