O menino do Photoshop
Escrito em 12/10/2008 | 9 comentários | Permalink

Quando surge uma ferramenta, abençoados são aqueles que sabem utilizá-la. Quando um bocado de pessoas também aprende a utilizá-la, abençoado é aquele que diz para quê utilizá-la. É assim desde a Idade da Pedra Lascada e com certeza o mundo da computação não ficaria de fora. Mas este monte de linhas foi só para começar a contar sobre o Lauro, o cara que arrumaram para a criação da agência.
Ele era um daqueles garotos que gostava de desenhar. Alguém sem muito juízo, seja da família ou dos amigos, deve ter batido nas costas dele e dito “cara, você é criativo! Por que não faz Publicidade?”
Fez uma lista das coisas que deveria aprender durante o seu curso: reverenciar Argan, mexer no Photoshop, sexo (sim, era virgem o coitado) e fazer “sacadinhas” mais rápidas. Pelo grau de dificuldade um pouco maior dos outros tópicos, focou-se no Photoshop enquanto se perguntava por que tinha aulas de sociologia. Começou montando apresentações bonitas dos trabalhos escolares. Passou a “fazer a arte” dos anúncios fakes que os professores pediam. Virou um mito da montagem quando colocou o seu rosto num corpo esbelto que trepava com uma atriz pornô, que, claro, ganhou o rosto de algum colega que queria sacanear.
Logo no começo do segundo ano de faculdade, começou a trilhar a sua grande meta: big agency! Mas claro que ele tinha que começar de baixo. Pensava que por não ter pasta, nem QI corporativo e tampouco ser mulher e gostosa, não poderia entrar facilmente numa big one. Conseguiu uma chance num projeto de agência, estágio em criação. Ali trabalhavam ele, estagiário, e o chefe, que acumulava as funções de atendimento, mídia, planejamento, diretor de criação e CEO.
Ainda que ensaiasse algumas boas ideías, sua função era executar o que o cliente pediu. Recebia briefings como “eis aqui o catálogo. queremos uma versão online. você pode escanear tudo e montar um site?” e “um site simples, sem muita firula. O cliente apenas pediu para que o logo dele girasse”.
Mas a vida é uma caixnha de surpresas. Um dia, disse Lauro, seu chefe o flagrou escaneando sua carteirinha da faculdade, perguntando-lhe o porquê daquilo. Lauro explicou que um colega já formado precisava comprar meio ingresso para algum show da pesada e que daria dez reais a ele se conseguisse produzir uma carteirinha de estudante verossímil. Lauro ainda mostrou a versão final da maracutaia e depois confirmou o sucesso do trambique.
O chefe desta agência, a maior de todo o quarteirão daquele pacato bairro, viu ali uma mina de ouro. Num estranho mundo de enrolações perdidas e protocoladas em que os desvios de verba são irrisórios para uma profunda investigação, ter um menino que operasse pequenos “consertos” em documentos valia muito. Parou de trazer novos briefings e passou a trazer empresários dos conjuntos vizinhos. Um pedia alteração no RG do funcionário, que era menor, para que pudesse entrar em visitas técnicas. O outro pediu que alterasse uma nota de dívidas para figurar como não-devedor. Um, mais desesperado, pedia que alterasse a conta telefônica para que o número da amante desaparecesse. Por cada job, Lauro ganhou um extra em relação ao seu pequeno salário e o seu chefe ganhou importantes aliados.
Lauro realmente operava com maestria a arte de modificar documentos, mas se incomodava com os fins daquilo. Quando se cansou, parou de pegar freelas de colegas pedindo carteirinha de estudante e se afastou deste primeiro emprego. Começou a medir as conseqüências de descobrirem o esquema e já passava a competir com outros ferramentistas um pouco menos talentosos, mas mais baratos, em sua própria faculdade. Um fazia réplicas perfeitas de tíquetes do Bandejão. O outro fazia documentos da faculdade, rubricados, assinados e carimbados para os mais diferentes fins. Ainda indicou um deles para o seu lugar antes de oficializar a demissão da agenciazinha.
Penou em mais alguns trabalhos que pouca gente se sujeitaria até finalmente ter cara de pau de bater numa agência grande e pedir um emprego. Tornou-se um criativo bacana, daqueles que leram Argan e mais um monte de coisa, e queria rodar o mundo para ensinar a molecada que é necessário aprender a pensar antes de aprender a mexer no Photoshop (ou que pelo menos só aprender a mexer no programa não resolvia a vida de ninguém). Mesmo trilhando um caminho do bem, teve um último job como menino do Photoshop:
Fez uma montagem de uma garota da sala dele no corpo de uma dessas modelos da moda. Junto, mandou um cartão dizendo que era assim que ele a via. Não sei se é bem um exemplo ilustrativo de que Lauro aprendeu a pensar, mas uns dias depois, é fato, aprendeu a fazer sexo.
categorias: Comportamento, Corporativo, Crônicas, Publicidade
Medocracia
Escrito em 29/09/2008 | 2 comentários | Permalink

Segue na íntegra o texto que enviei para a Revista Feed-se, que acaba de sair em sua edição especial sobre Democracia. Fui convidado a escrever um artigo que estivesse relacionado com a liberdade de expressão e sobre a luta por este direito, mas acabei falando sobre como o mercado pode tirar esta liberdade de maneira sutil. Não deixem também de baixar a edição da revista e ler, por exemplo, a apuração do caso do fechamento do domínio Twitter Brasil e casos de cyberativismo.
Medocracia
Entendendo relações de poder e influência sobre a sua dita liberdade de expressão.
Voltemos ao fim de Roma, perto do ano 476 d.C, quando acabou o Império Ocidental e começou a Idade Média:
Enquanto Roma passava por uma profunda crise em todos os seus setores, o grande Império passou a ser sacudido por hordas bárbaras que atacaram todas as fronteiras.
Quem tinha terra e alguns recursos começou a erguer grandes fortalezas que poderiam proteger as vidas abrigadas de possíveis saques.
Temendo pela sua segurança nas cidades, a população iniciou um êxodo urbano e passou a se concentrar nas proximidades dos castelos, pedindo proteção ao senhor das terras. Um movimento de sobrevivência sensato em que o cidadão trocava os seus direitos conforme as leis pela proteção paga por submissão a um regime de servidão.
Tal ilustração serve apenas para passarmos a conversar sobre o termo que intitula este artigo. A Medocracia não é o poder da tirania, e sim as atribuições de poder que o medo deu a cada parte.
No caso citado, percebe-se que o poder do senhor feudal só foi possível pela existência de uma ameaça em potencial, um medo que pairava sobre os servos nos primeiros momentos de Idade Média.
A pergunta que deve ser feita antes do prosseguimento é: e quem não tem medo?
Quando falamos em comunicação no Brasil em tempos pós-ditadura, falamos de alguns poucos grupos que dominam a opinião pública. Tal estrutura é o que, basicamente, alimenta todas as famílias de quem trabalha em jornais, agências de publicidade, empresas de pesquisa e até nos departamentos de marketing.
O jornal que você lê, a revista que você assina, o canal de televisão a que você assiste: - todos fazem parte das posses de um seleto grupo de empresários que têm o poder de ditar os rumos da opinião pública.
E são nesses meios que a publicidade tem os seus lucros, as pesquisas são geradas e o marketing estuda os seus ganhos.
É possível comparar estes grandes empresários da mídia aos senhores feudais. Um pobre camponês precisa se refugiar em um dos castelos para sobreviver, ou, em outras palavras, precisa estar ligado, de certa forma, à mecânica.
É simples assim. Não há jornalismo, publicidade ou outra atividade de comunicação que não tenha pelo menos um pé dentro da terra destes senhores.
Você já assistiu a um documentário produzido sobre o Governo de Minas Gerais e sua suposta influência em veículos de comunicação?
Vez ou outra, uma coisa dessas surge, alimentando as nossas síndromes de conspirações e perseguições, sem que efetivamente tenhamos alguma confirmação da verdade.
O vídeo entrevista alguns jornalistas que teriam perdido o emprego no maior jornal de Minas Gerais por publicarem comentários negativos em relação ao Governador local.
O dia-a-dia no feudo é bem menos tenso do que isto, mas passa pelo mesmo questionamento: escrever tal artigo pode contrariar pessoas, mas se contrariar a alta cúpula do veículo que paga o salário, o que acontece?
E então surgem os blogs como alternativa a quem produz comunicação com qualidade e isenção.
Uma verdadeira revolução, se voltarmos aos papos de 2005 e 2006. O volume de coberturas instantâneas e de opinião fez dos blogs potenciais competidores dos feudos. Hordas bárbaras de respeito. Um pequeno post pode fazer grandes estragos.
É claro que os senhores feudais podem ficar de olho no que os seus servos produzem nestas mídias sociais. Mas o poder que eles têm para calar uma voz destoante de seu coro já não é mais o mesmo até porque já existem blogs com maior número de acessos do que os leitores de alguns jornais.
Seria a blogosfera o último reduto longe da Medocracia? Talvez não para este que lhes escreve, cujos ganhos estão ligados à publicidade.
Mas se é bobagem, então a preocupação deste texto com algo que provavelmente não ocorre com os blogs - como a existência de blogs patrocinados por empresas, embaixo da aba de grandes grupos de mídia ou bancados por agências publicitárias -, brindemos à isenção.
Ou aproveitemos estes belos dias de Camps para discutir quem é que vira senhor feudal se o blogueiro for o servo nesta metáfora.
categorias: Aleatoriosfera, Comportamento, Opinião
Alternativa profissional (7): jogador de futebol
Escrito em 10/09/2008 | 1 comentário | Permalink

Arthur Miró! Diga lá, menino, o que é que você quer ser quando crescer?
- Eu quero ser jogador de futebol. Jogador de futebol! (Jorge Ben)
Eu não falaria do sonho do menino brasileiro de se tornar um futebolista famoso se não fosse um spam recebido ontem. Alguém que se anuncia como empresário de futebol enviou-me um convite para uma peneira, garantindo ter contatos em times da Europa e Oriente Médio. A melhor parte do e-mail foi chamar-me de “jovem jogador”. Em breve relato as minhas experiências lá na peneira junto com a criançada, mas enquanto isso, segue mais um post de nossa heróica saga sobre possibilidades de trabalho ao publicitário desiludido.
Por que você quer ser um jogador de futebol?
Razões não faltam para uma pessoa sonhar em viver do futebol. É o grande esporte da mídia, o grande espetáculo vendido a bilhões de pessoas no mundo. Lembram-se daquele papo sobre Rock Star? Então: o caso do jogador de futebol é todo este estrelismo elevado ao quadrado. Todo o desejo de glamour para a vida, de dinheiro e poder, incluindo pessoas dizendo que você é um grande herói. Quem não iria querer?
Fora isso, jogar futebol é uma atividade que é extremamente divertida. Quem não gosta de bater uma bolinha naquela reunião dos amigos, com direito a churrasco e cerveja? Imagine ganhar um troco com isso?
Porém…
Eu já falei sobre o papo do “dom” de ser criativo. Mas futebolisticamente falando, o jogador deve realmente ter algum dom, ou melhor, ter noção do que fazer com a bola considerando variáveis como distância do gol, velocidade da bola, força do zagueiro, posição do pé, possíveis buracos no gramado, em CNTP ou não (quando o jogo é em La Paz, por exemplo). Você pode chamar o Pelé para tentar lhe ensinar, mas acho pouco provável que simplesmente você desenvolva isso.
Mas não tem problema: assim como uma agência de publicidade tem vagas para quem não nasceu com o “dom” da criação, o time de futebol tem vagas para pessoas com habilidade duvidosa. O problema é que para cada cem atacantes que são vendidos para a Europa e conseguem um bom salário, deve surgir uns cinco volantes sob a mesma condição. A proporção de zagueiros bem sucedidos deve ser ainda menor.
Em todo caso, os salários até que atraem, mas muito antes dos 40 anos, você já não vai agüentar o tranco da profissão e pendurará as chuteiras. Aí, você tem duas opções: ou vira técnico/cartola/empresário e continua na “área”, algo que pode ser comparado a ser diretor de agência ou efetivamente dono de uma, únicos postos em publicidade onde se encontram profissionais com mais de 40 anos de idade; ou você se vira: uns viram jornalistas esportivos, outros viram donos de boteco (eita sonho persistente).
Além disso, já se foi o tempo do boleiro boêmio. Hoje em dia, o futebolista é um atleta em ótimo preparo físico. Um craque como o Sócrates, que não corria por mais de 10 minutos em campo, não teria vez no esquema de hoje no futebol. Você pode notar que jogar futebol é um mercado como qualquer outro: exige que você seja atleta, aprenda uma(s) nova(s) língua(s) dependendo dos times que fizerem a contratação, submeta-se à cobrança de técnico, diretoria e ainda torcida. Ah, sim, quando o salário chega, mais gente que apenas o Estado e o Sindicato abocanham o dinheiro conquistado com suor literal: agente, procurador 1, procurador 2, empresário 3… Coisa de louco.
Não dá saudades daqueles tempos em que o futebol era outro, quando se amarrava cachorro com lingüiça e você ainda sonhava com um troféu francês para premiar o seu trabalho?
Acompanhe todas da série Alternativa profissional neste link.
categorias: Comportamento, Corporativo, Futebol, Publicidade
E quem diria que uma das boas lições do BlogCamp seria dada por uma miguxa?
Escrito em 01/09/2008 | 14 comentários | Permalink

Como eu disse no post anterior, aconteceu no último fim de semana o BlogCamp São Paulo, que contou com uma forte participação do público blogueiro, superlotando o Espaço Gafanhoto. O meu resumo do primeiro dia de evento é este: toda e qualquer discussão que valia a pena estava lotada, sem qualquer condição de abrigar-me. Espero ansioso apenas os posts sobre a discussão que colocou frente a frente os discursos de três agências que lidam com Social Media de maneiras distintas, cujos interlocutores foram Wagner Fontoura, Wagner Martins e Guilherme Valadares.
No domingo, o número de pessoas diminuiu, o que possibilitou rodas menores, mas de discussão igualmente intensa. Sugeri, em tom jocoso, é verdade, uma discussão sobre blogs miguxos, uma provocação a toda e qualquer roda de profissionalização dos blogs.

Foto da desconferência miguxa. Valeu, Pedro.
E não é que a discussão engrenou? Antes mesmo que a discussão caísse para questões socio-culturais que possam explicar o dialeto escrito por estas gurias, discutimos um pouco do universo miguxo, quando a Alê Félix provocou: “vocês menosprezam as miguxas”.
O ponto dela era claro e interessa a quem quer entender ou propor melhores práticas de comunicação em qualquer contexto 2.0: a miguxa tem uma característica marcante em suas expressões na web, que marcam uma espécie de tribo. A linguagem estabelecida pelos garotos e garotas nesta fase da vida tem a cara da adolescência, da busca de identificação com um grupo, da busca por ícones, etc. Entretanto, olhar apenas para este aspecto não é olhar o pacote por dentro: não é porque a miguxa escreve de maneira peculiar que necessariamente ela seja uma pessoa que não leia, não estude e não tenha discernimento algum.
A adolescência é uma fase. Depois de alguns anos, aquelas garotas idealistas de 15 anos tornam-se profissionais, consumidoras efetivas, quem sabe formadoras de opinião de seus grupos. Os motivos para cativá-las ainda na fase miguxa se devem a duas características fortes do grupo:
- Fidelidade: o público é cativo das redes que estabelece. Em outras palavras, ser cordial em uma publicação com este público pode lhe render leitoras muito fiéis. A miguxa é aquela que lê o seu blog de cabo a rabo, mesmo quando descobre o endereço no terceiro aniversário de site.
- Respeito: Tratá-las de igual para igual dá exemplo para meninas que buscam ícones de comportamento. A miguxa, quando cresce, mantém um profundo respeito por aqueles que a trataram com respeito em sua fase anterior. O português melhora, a fidelidade é mantida e você tem ao lado uma aliada tão capaz quanto qualquer pessoa.
Uma vez que a miguxa torna-se, então, um público interessante para direcionar a comunicação, principalmente quando temos em mãos um produto cujo target é ela, como é que se desce do pedestal do “eu trabalho com Social Media” para efetivamente dialogar com as meninas? Lembre-se que é um público que está interessado em histórias, não no evento ao qual o blogueiro foi convidado e em qual marca patrocinou o boca-livre. De repente, uma ação como aquela em que a Melissa contratou 4 usuárias do Fotolog para serem embaixadoras da marca no mundo da moda soa bem mais interessante do que as piadas de quem olhou com um certo desprezo para este público (eu me incluo neste grupo). E claro, para a miguxa, uma ação em que efetivamente a garota com quem ela convive torna-se a porta-voz de um assunto complexo explicado de maneira simplificada será infinitamente mais valiosa do que uma gracinha aleatória no YouTube.
Numa tacada só, o mundo miguxo dá uma aula de adequação ao público e de relacionamento com o target e sua fidelização para quem quiser ver um pouco mais de perto. Palavras óbvias no discurso, mas que andam passando longe da prática. Pela lição, eu digo: BrIgAdUuUuUuUu, MeNiNaXxXxXx!
categorias: Aleatoriosfera, Comportamento, Internet, Publicidade
Alternativa profissional (6): líder espiritual
Escrito em 25/08/2008 | 2 comentários | Permalink

Eu confesso que hesitei por diversas vezes comentar sobre esta opção, mas numa rápida busca pelo Google, percebi que as questões mercadológicas da fé são estudadas e comentadas tranqüilamente pelos praticantes. Então lhes digo: tomai todos e lede, este é o post número 6 da saga sobre alternativas profissionais. Um post que considerará as práticas do líder espiritual.
Por que você quer ser um líder espiritual?
Estas pessoas são cercadas de carisma. Falar para muitos e, basicamente, ser ouvido e entendido (principalmente depois que o Vaticano desobrigou as missas em latim) faz parte do ego alimentado por qualquer publicitário, seja ele praticante ou desertor.
Além disso, você está pensando em dois caminhos: o primeiro pressupõe uma certa missão de levar a palavra divina. Independente de sua crença, evangelizar pessoas, na sua visão, é algo que se faz necessário. O outro caminho, no entanto, é para gente menos idealista e provavelmente com menos fé, como eu: dinheiro. Você pode acreditar que a fé move montanhas e, portanto, consegue mover algumas verdinhas para o seu lado também. Seja em qual caminho você está, é importante que você faça com que seus seguidores acreditem que você trilha o primeiro. Para quem já trabalhou em departamento de marketing e teve que vender sabão em pó como a coisa mais interessante do mundo, é um trabalho até que fácil.
Esta visão é bem retratada na minissérie da Globo intitulada Decadência, escrita por Dias Gomes, exibida em 1995: o personagem principal, vivido por Edson Celulari, é um pobre garoto que, ao passar em frente a uma igrejinha na hora das ofertas, quando alguns fiéis iam até o altar e colocam umas moedinhas num cesto, tem a brilhante idéia de transformar o cesto em caçambas e as moedinhas em notas altas.
Porém…
Primeiramente, é necessário escolher uma das religiões do mundo. Até existe uma onda de se criar novas crenças e seitas muito loucas, mas elas não acabam bem: se acontece nos Estados Unidos, acabam em suicídio coletivo, e se acontece no Brasil, acabam desmentidas num programa da Luciana Gimenez.
Sobram então as religiões existentes, que não são poucas. De cara, mulheres não tem vez. Em nenhuma das religiões existentes. Talvez em um ou outro resquício de crenças em feiticeiras. Em outras religiões, elas ocupam cargos menores. Acho que a única líder espiritual feminina que eu já vi na vida foi a Menina Pastora.
A escolha por religiões orientais faz com que a sua preparação para líder espiritual tenha que ser em locais afastados da maior parte da humanidade e com inúmeras provações durante a estada nestes templos. Se você se identificou com a alternativa de virar hippie, talvez você se encaixe nesta busca pelo nirvana. Talvez. Se a sua intenção for se tornar líder máximo destas religiões, esqueça: você deve ser, na verdade, a reencarnação de algum líder antigo para se candidatar a tal posto. É sério. A China, por exemplo, proibiu os monges budistas de reencarnarem sem autorização do governo. Imagine que o monge, antes de morrer, deveria dizer num guichê e protocolar em algumas vias que reencarnaria no Brasil e que seria você. Ficou difícil.
Então ficamos com as religiões ocidentais, que são três e que foram criadas pelo mesmo povo no Oriente Médio: os hebreus. O cristianismo, o judaísmo e o islamismo têm bases muito semelhantes, mas se separaram e criaram dogmas próprios durante a história da humanidade. Mas voltando às questões mercadológicas, o Brasil conta com uma série de práticas religiosas, mas a maioria esmagadora ainda se divide entre os católicos e os protestantes, ambas ramos do cristianismo. Você pode até ser um líder espiritual que acredita na Long Tail e optar pelas outras duas, mas foquemo-nos no maior número de fiéis em potencial deste país.
Tornar-se um líder católico envolve algo que eu não encararia: castidade. Do padre ao papa, ninguém pode fazer sexo. Pelo menos não abertamente.
No caso do protestantismo, existe algo que poderá atraí-lo: a livre interpretação da Bíblia. Isso acontece para o bem, quando o fiel pode interpretar o que o livro está querendo dizer, ou para o mal, quando alguém quer convencer que videogames, Rock’n Roll e roupas confortáveis são coisa do demônio e que a Bíblia pode provar. Ainda assim, trata-se de uma das escolhas mercadologicamente mais respeitadas, uma vez que provações e sacrifícios não são necessários. Na verdade, tudo o que é necessário, em alguns dos variados tipos de igreja evangélica, é um curso, que envolve noções de administração de empresas e teologia, e capital inicial para abrir a igreja, coisa que deverá ser estudada minuciosamente, incluindo ciências bem terrenas como demografia do local escolhido. Achei este texto que explica um pouco do crescimento dos templos e de como se dá a abertura de uma igreja.
Eis aqui mais uma opção profissional. Até a próxima e amém.
Acompanhe todas da série Alternativa profissional neste link.
categorias: Comportamento, Corporativo, Publicidade
Numa reunião de brainstorm
Escrito em 13/08/2008 | 6 comentários | Permalink

Antes de mais nada, algo sobre o que é o brainstorm:
Não me considerem um pessimista, mas é fato que o que se vê por aí é desesperador. Numa metáfora que o Merigo utiliza, reunião de brainstorm, em diversas oportunidades, é como uma bola alçada na área, com todo mundo se jogando de peixinho, ou para marcar um gol, ou para cavar um pênalti. Pior: a prática de todo mundo se jogar na área é incentivada. Não nego que um brainstorm pode render idéias. O problema é quando toda reunião em que você está vira uma reunião dessas. Imagine um monte de Ronaldinhos se jogando na área para aprovar orçamento, plano de mídia, apresentação para cliente, metas do marketing, etc.
Conto algumas dessas deliciosas histórias. Algumas aconteceram comigo, outras com amigos. Ou talvez não e todas sejam obra de ficção (de preferência ficção científica) e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
A primeira delas é recente. O script é padrão: representante do cliente liga para a agência, querendo marcar reunião para apresentar um briefing e aguardar uma proposta. O atendimento colhe algumas primeiras informações e chega à sede da corporação na hora marcada. Entra então em uma sala com os diretores, supervisores e gerentes. Só cacique. Passada meia-hora, contada em xícaras de café vazias em cima da mesa, o atendimento conclui que não sairá da sala com um briefing, afinal o departamento de marketing ali presente sabia que as metas de venda aumentaram, mas não sabiam muito bem o que pedir para a agência. Não prepararam nenhum papel, nem apresentação. Nada. A deixa do cliente para o atendimento foi “o que você acha que nós devemos fazer?”
A partir de então, começou um brainstorm de análises de ameaças e possibilidades, de posicionamento do produto, etc. Tanto cacique para tão pouca informação previamente definida. Um monte de gente se jogando na área: “e se adotássemos uma linha mais cool, visando os jovens?”, “e se adotássemos uma linha tradicional para atingir os tradicionalistas?”, “podemos determinar o target como 18-50 anos, classe ABC, ambos os sexos?”, e por aí vai. Deve ser culpa da colaboratividade que a web pressupõe hoje. Aí todo mundo quer que o resto colabore num trabalho cujo único responsável não tem ânimo ou competência para executar.
Uma outra reunião genial aconteceu há mais tempo. Após inúmeras outras em que se definiram as linhas criativas da campanha, cada uma das agências foi para a sua “casa” planejar as ações que lhe cabiam. No caso, eram as agências de ATL e BTL, numa separação menos modernete. Os senhores da agência BTL pegaram as linhas criativas propostas e desenvolveram as ações.
Quando se reuniram novamente, a agência de ATL tinha exatamente nada, mas quem é que quer perder a verba de mídia? Então, ficou acordado que se uma agência não conseguiu entregar seu plano, era melhor refazer a linha criativa e pensar em outras coisas, porque o que não prestava era a linha criativa, e não a agência em questão. O que era para ser uma reunião de apresentação de propostas tornou-se uma intensa pelada entre as equipes criativas e o representante do cliente. Já brincaram de “três dentro, três fora” na infância? Parecido.
Acredito que todos que trabalham na área (ahn, ahn? Sacou? Na área!) têm alguma história parecida. Aproveitem os comentários para me contar os lamentos e, caso estejam quase desistindo, aproveitem para ler um pouco da série de posts sobre outras práticas profissionais.
categorias: Comportamento, Corporativo, Crônicas, Publicidade
Alternativa profissional (5): Funcionário público
Escrito em 07/08/2008 | 8 comentários | Permalink

Continuando a nossa grande viagem por este vasto campo das alternativas profissionais, a profissão a ser comentada é o grande porto seguro do Brasil. Um “mercado” que cresce a cada ano e que chama grande atenção de todo mundo que anda trabalhando demais: o funcionalismo público.
Por que você quer ser um funcionário público?
O seu negócio é ser índio, não cacique. Você reconhece que há gente demais querendo mandar no mundo, coisa que nunca passou pela sua cabeça. Tem até um pouco de relação com a sua escolha pela faculdade de publicidade, quando você almejava ser, no máximo, diretor de área, ainda abaixo dos VPs e CEOs. E mesmo que almejasse ser dono de agência, seria sempre dependente de um cacique maior, o cliente. Que tal ter, então, o maior cacique do Brasil, inclusive para a publicidade (as contas publicitárias das instituições públicas, somadas, colocam os governos como os maiores anunciantes do Brasil), como chefe?
As vantagens são extremamente atrativas: salário inicial bom, estabilidade no cargo (se não sobe, pelo menos não desce jamais), todas as nuances das leis trabalhistas bem respeitadas, poder abrir um processo judicial contra o empregador sem que isto lhe custe a saída de todo o mercado, horário fixo, hora-extra registrada e paga, e por aí vai.
Porém…
Se o funcionalismo público funciona de maneira diferente do mercado, saiba que um verdadeiro mercado se consolidou para levar as pessoas aos cargos almejados: uma indústria de concursos.
É uma matemática até simples: o número de formados em cada universidade de esquina no curso de Direito, elevado ao talento natural das pessoas para ser índio comum. Então subtrai-se o número de aprovados na OAB e obtem-se um número-base de pessoas que estão aptas a duas coisas: mercado informal ou concurso público. As claras vantagens do funcionalismo público fazem de você apenas mais um a concorrer por uma ou outra vaga que abre. E estamos falando das vagas para pessoas com curso superior. Existem também as vagas para pessoas com Ensino Médio Completo, aptas a mais e mais brasileiros.
Todos eles lotarão as salas dos cursinhos, comprarão jornais específicos. Decorarão a Constituição e as citações de algum guru da auto-ajuda. Por uma vaga, você terá que passar por isso.
Passada essa fase, você entrou em seu primeiro cargo. Certo. Se não gostar muito do que faz ou das pessoas que lhe passam tarefas, você pode até optar por fazer corpo mole, mas fará aquilo ou conviverá com estas pessoas por anos e anos. Mas supondo que você goste, não poderá se empolgar muito, porque empolgação não é muito bem vista e uma promoção depende mais do seu tempo de casa, cursos extra-curriculares e resultados em provas internas do que propriamente ser o funcionário mais eficiente. Pode não soar justo, mas num mundo ideal, desprezando-se motivação, talento e eficiência como os exercícios de Física do seu concurso desprezavam o atrito, faz todo o sentido.
Em suma, serão anos com algumas emoções: a cada quatro anos, acontece uma movimentação da alta diretoria das instituições, devido às eleições e possíveis interesses partidários em mudanças. Mudam os caciques, mas o índio continua índio. E um amigo seu da Petrobrás não poderá lhe indicar por lá porque, mesmo que você já tenha passado num concurso da Caixa Econômica Federal, é necessário prestar um novo concurso. Seria como prestar um vestibular toda vez que alguma agência lhe oferecesse um cargo novo.
E eu nem comecei a falar em maracutaias e negociatas. Mas vamos manter o papo no mundo ideal, desprezando politicagens, desvio de verbas públicas, esquemas e atrito, com G = 9,8 m/s². Também não vale nesta suposição que se admita a existência de um funcionário-fantasma, este sonho louco de ganhar dinheiro sem esforço, típico dos spams e dos e-mails pedindo dicas de monetização de blogs…
Acompanhe todas da série Alternativa profissional neste link.
categorias: Comportamento, Corporativo, Publicidade
Alternativa profissional (4): Rock Star
Escrito em 23/07/2008 | 2 comentários | Permalink

Seguimos firmes e fortes com esta saga que promete escancarar todas as opções profissionais idealizadas por jovens desiludidos com o atual mercado de trabalho. A alternativa de hoje já passou pela cabeça de toda e qualquer pessoa que viveu dos anos 70 para cá, seja por influência de grandes bandas, da cultura pop musical ou de toda a linguagem imposta pela MTV. Estou falando sobre ser um membro de uma banda de rock. Mas não qualquer membro: ser um rock star.
Por que você quer ser um rock star?
Artistas de grandes bandas de rock são famosos, coisa que já atrai quase qualquer pessoa. Em termos mais acadêmicos, já dizia Guy Debord em sua clássica obra A sociedade do espetáculo que o modelo estabelecido do espetáculo supre uma série de deficiências de nossa sociedade e não poderia parar, garantindo assim, num grande ícone de sua obra, os 15 minutos de fama a que toda pessoa teria direito.
Mas se você não entendeu nada, você quer ser famoso porque acredita firmemente que a fama é sinônimo de dinheiro, reconhecimento, sexo diversificado, grandes festas, glamour. Não lhe parece com os seus ideais de publicidade antes de seu primeiro estágio na área? De qualquer forma, ser rock star é uma opção que lhe permitiria ter acesso a tudo isso sem uma imagem de politicamente correto que algumas classes artísticas são obrigadas a vender, sem necessariamente depender de um flight de superexposição seguida de um fim precoce da fama como um ex-BBB ou, no caso de uma comparação mais direta com a publicidade, sem a necessidade de penar por anos e anos nos porões das agências, onde o sol não brilha e a alimentação é composta por café durante o dia e pizza durante a madrugada.
Já entrando no mérito do rock, é uma escolha menos efêmera que ser membro de uma boy band; universal, diferente de ritmos que são fazem sucesso neste nosso país; não restritiva, já que há um monte de sub-nichos de roqueiros; e finalmente não lhe obriga a necessariamente ter talento com música, uma vez que um verdadeiro rock star pode se dar ao luxo de ser um poser em vez de efetivamente tocar ou cantar bem.
Porém…
A vida de um rock star de verdade nem sempre é longa. Alguns exemplos são considerados grandes ícones do rock: Elvis Presley, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin, Keith Moon, entre outros. Gente que se foi cedo, ainda que deixando uma bela e eterna obra.
Na verdade, esta vida de oba-oba, de grandes festas, drogas e sexo ilimitados não foi feita para qualquer ser humano. Se existe um Keith Richards que agüenta o tranco até hoje, existem diversos pés-na-cova como a Amy Winehouse.
Tem uma outra coisa que pode acabar com a carreira de um rock star: o fato de que a cada dois anos, é necessário lançar um álbum novo. E lançamento de álbum é uma coisa que exige um trabalho sério e dedicado. E se o álbum não agradar, é mais fácila banda naufragar de vez do que acertar no próximo lançamento. Aí começa uma carreira de ex-rock star ou de rock star wannabe, que é bem parecida com a anterior, mas com menos glamour.
Mas supondo que você faça um relativo sucesso, existem as turnês. As turnês servem para que você visite um monte de lugares diferentes em pouco tempo, faça os shows e conviva durante meses apenas com os membros de banda e staff, o que pode ser um inferno. Um conflito incessante de egos que com certeza não acaba bem. Você conhece alguma banda com mais de 10 anos com formação original? E se ela realmente completou mais de 10 anos, quantos períodos de pausa de pelo menos 2 anos já houveram?
E finalmente, ser o rock star é algo que provavelmente não acontecerá com você. Em tempos de Long Tail, é melhor você se conformar em agradar uma parcela pequena de gente, suficiente para encher um barzinho na Vila Madalena. E olha que já será muito! Num parelelo com a ingrata publicidade, seria como abrir mão de querer ser o dono da WPP e se orgulhar de ter a sua própria agência de porte médio, com umas contas até que bacanas e vivendo em harmonia com as outras agências do mercado.
E eu nem entrei no mérito de saber efetivamente tocar um instrumento, cantar ou compor. Existem pessoas que sabem fazer isso e elas são contratáveis, fique tranqüilo. Preocupe-se com a pose, seja ela punk, metal, estilo boy band que tanto agrada o público feminino, cult, indie, grunge, etc. Rock´n Roll, baby!
Acompanhe todas da série Alternativa profissional neste link.
categorias: Comportamento, Corporativo, Música, Publicidade
Alternativa profissional (3): hippie ou artesão-e-vendedor-de-rua
Escrito em 21/07/2008 | 2 comentários | Permalink

Duvido que você nunca tenha sido abordado, enquanto estava com alguns amigos no bar ou andando pela Av. Paulista, por algum vendedor hippie de pulseiras, colares e anéis. Estes vendedores, que se auto-denominam artistas, oferecem produtos artesanais feitos de arame, conchas, fios telefônicos e afins. E constituem, a partir de agora, a terceira alternativa profissional proposta por este blog.
Por que você quer ser um hippie?
Às vezes, você não tem uma sensação de que os anos 70 não acabaram para algumas pessoas? Só para exemplificar, eu me lembro de diversas discussões acadêmicas de boteco em que se admitia uma alternativa socialista para o mundo sem levar em conta que não existe mais uma União Soviética. Os hippies estão perdidos nesta grande alucinação coletiva, sendo uma alternativa viável aos nostálgicos.
Além disso, você pode considerar uma alternativa hippie mais, digamos, nova. O movimento teve uma releitura nos anos 90 e virou o que chamamos de hippie-chic. Lembra-se daquela novela em que a Sandy interpretava uma hippie que tomava banho todos os dias, vivia em uma casa grande e fazia arte apenas com seda chinesa e pedras preciosas? Pois é. A verdade é que esta releitura do que é ser hippie tirou de cena a lama de Woodstock, a maconha ou o sexo livre e mesclou alguns sonhos materiais, coisa típica das incorporações ideológicas do capetalismo.
Estou divagando demais. A pergunta era “por que você quer ser um hippie?”. Pois então. Ser hippie é isso aí: poder divagar, viver sem pragmatismos, apenas executando a sua “arte”, vendendo pulseirinhas para sobrevivência (leia-se comprar cerveja e/ou maconha), viajando sem rumo por este Brasilzão de Deus, incluindo em muitas vezes roteiros sul-americanos.
Porém…
O primeiro obstáculo é aprender a fazer pulseirinhas. Até que não é difícil. Eu mesmo, quando era criança, aprendi a fazer umas pulseirinhas utilizando pedaços de fio de telefone (eram bem maleáveis e coloridos) que a Telesp deixava perto daquelas caixas de distribuição na rua. Mas é como fazer publicidade, saca? Aprender a desenhar envolve uma técnica e tem toda a questão de ter repertório, mas é mais fácil acreditar em dom. E quando você desenha bem e, portanto, tem um dom, as pessoas acham que você é criativo (outro dom) e lhe aconselham a fazer um curso de publicidade. Então vamos supor neste primeiro ponto que o obstáculo, na verdade, é ter o dom para ser um artista hippie.
Outra coisa interessante é que virar hippie também envolve trabalho em equipe (já reparou que os hippies sempre andam em dupla?). Bem ou mal, você continuará operando com outros valores corporativos, ainda que a meta estabelecida agora seja um número X de cervejas ou o suficiente para pagar um albergue em São Tomé das Letras ao invés de porcentagem de crescimento.
As viagens realmente são um ponto forte para se escolher pela vida hippie. As melhores praias são sempre descobertas por eles e aí seguem duas linhas: ou tornam-se pontos cults e depois populares, ou são exploradas por gente muito rica, que cerca a praia com um muro e expulsa os hippies de lá.
Como obstáculo final, vem uma aflição real de um “maluco”. Certa vez, quando fui abordado por um vendedor no boteco, chamei-o para uma conversa tranqüila, enquanto ele fazia um brinco para uma das meninas da mesa. Ele estava me contando do filho dele, que, é claro, morava com a mãe e com a avó. Sua fala foi interessantíssima:
“Sabe o que eu queria? Que o meu filho se orgulhasse, saca? Que conhecesse o que é ser maluco e levasse em conta que é uma opção de vida. Por isso, eu levo ele para viajar e tal. Quero que ele chegue na escolinha dele daqui uns anos e, enquanto os amigos se orgulham que os pais são pedreiros ou funcionários públicos, meu filho chegue e diga ‘meu pai é maluco e me leva para umas viagens muito loucas! Já conheci o Brasil todo!’. Ia ser muito legal.”
Tal qual a opção de ser ator pornô, ser hippie também não é uma opção abertamente aceita pela sociedade, guardadas as suas devidas proporções. O problema é que, no caso do hippie, as cifras são menores. E enquanto ser ex-ator-pornô é até uma história bonita de vida para ser contada num programa da Luciana Gimenez, ser ex-hippie é apenas trair o movimento, véio.
Em todo caso, se você você quer uma opção que contemple uma saída não só do mercado, mas também do padrão estabelecido pela sociedade, está aí mais uma alternativa profissional.
Acompanhe todas da série Alternativa profissional neste link.
categorias: Comportamento, Corporativo, Publicidade
Alternativa profissional (2): ator pornô
Escrito em 17/07/2008 | 3 comentários | Permalink

Continuando a saga iniciada no último post, vamos desbravar uma outra atividade profissional intimamente ligada ao alugar um pedaço do que é seu para a exploração de uma indústria. Caso você não obtenha grandes feitos virando um blogueiro de aluguel ou uma putinha do mercado publicitário, vamos à segunda alternativa profissional da série: tornar-se um ator pornô.
Por que você quer virar um ator pornô?
A resposta é óbvia: você adora sexo! E quem não gosta? Virar ator pornô é, na sua concepção, passar a ganhar dinheiro com a coisa que mais lhe dá prazer, sem nenhum compromisso emocional, atuando ao lado de um monte de atrizes gostosas. A única exigência será manter o corpo sempre em forma, a não ser que você prefira ser escalado em filmes de gosto menos ortodoxo, como sexo com gordos, anões, travestis, coprofagia, etc.
Outra coisa importante: é fato que uma série de atrizes pornôs eram também prostitutas. Porém, pelas últimas entrevistas das moças, a indústria do cinema adulto anda pagando muito bem, permitindo a estes atores que eles vivam exclusivamente de seus filmes. Esqueça os bicos, freelas de madrugada, consultorias mambembes e afins.
Porém…
Nem tudo são flores para alguém que vive de sexo. Primeiro porque a sociedade não aceita muito bem a profissão. Não que você mantenha uma vida social muito saudável trabalhando com publicidade, mas como ator pornô, você vai preferir continuar dizendo que trabalha em agências para os seus parentes e amigos. Até que um tio ou amigo tarado lhe descubra numa madrugada mais solitária e a fofoca se espalhe.
Outro ponto negativo é a própria filmagem. Creio que todos gostam de sexo e alguns até alimentam fantasias com voyeurs. Mas lembre-se que num set de filmagem tem diretor, câmera, cabo-man, assistente de fotografia, assistente de direção, assistente de filmagem, maquiador, entre outros profissionais que poderão interromper a sua performance se algo não estiver adequado. Para que a câmera capte os melhores ângulos, é necessário ter algumas noções de contorcionismo, o que não tem necessariamente muita relação com testar as posições do Kama Sutra. A Leila Lopes, nova estrela do segmento, afirmou em entrevistas que as veteranas de mercado lhe deram dicas sobre analgésicos ótimos para o consumo pré-cena.
Por fim, faço ressalvas sobre o que você terá que encarar em seu começo de carreira. Filmar com as rainhas devassas de seus sonhos adolescentes é para atores mais avançados na indústria, então é bom se preparar para começar a carreira em filmes de gosto duvidoso e atrizes não-tão-bem-delineadas. Se parar por aí, ótimo. Duro é se você for escalado para filmar com pessoas e opções/acessórios que nunca fariam parte de seu repertório sexual. E não tem chance para deixar o tesão cair! Provavelmente, será um início de carreira movido a Viagra (ou seus concorrentes Levitra e Cialis). Ou como se diz no popular, uma fase para você enrolar a bandeira do Brasil na cara e fazer por amor à pátria.
São algumas coisas a se considerar quando você pensar em trocar sua carreira de punhetas criativas por uma carreira de sexo por dinheiro.
Por último, gostaria de agradecer aos comentários e dizer que estou considerando textos sobre as opções sugeridas. Valeu pessoal e até a próxima!
Acompanhe todas os posts da série Alternativa profissional neste link.
categorias: Comportamento, Corporativo, Publicidade, Textos aleatórios
Alternativa profissional (1): abrir um boteco
Escrito em 16/07/2008 | 8 comentários | Permalink

Começa agora no blog uma série de posts (não necessariamente seqüenciais) sobre algumas alternativas para você que já pensa em desistir de seu mercado corporativo. Creio que, por este blog atrair alguns publicitários de variados escalões e agências, esta série tem tudo para ser comentada e até posta em prática por muito mancebos desiludidos.
A primeira alternativa profissional apresentada é o sonho de aposentadoria para algumas pessoas. Mas aqui, abordaremos que sair do mercado para abrir um boteco pode ser uma prática deveras pesada. Como a publicidade, ter um boteco pode inspirar algum glamour, mas a maior parte do tempo você terá de conviver com trabalho repetitivo, privado dos prazeres e agüentando papinho de gente bêbada.
Por que você quer ter um boteco?
Primeiro, porque você adora beber. É. E quando bebia, achou que poderia, como naquele brilhante texto do Antônio Prata, resolver quinhentos anos de história com um tapinha nas costas do dono do boteco, ou ainda do garçom. Viu que ele lhe foi simpático (afinal, não é todo dia que um zé deixa uma nota de R$ 50 achando que tinha pago apenas R$ 5) e achou que estar do outro lado do balcão era tudo o que você queria: bebida à vontade e gente feliz como você ao seu lado, o dia todo.
Porém…
Abrir um boteco não é tão simples assim, meu caro. Primeiro, tem que arrumar um local e se ver em dia com prefeitura (habite-se). Aí entra o investimento inicial no imóvel, estoque, pessoal, infra-estrutura, etc. Por pior que seja o seu boteco, pelo menos uma chapa para fritar toucinho e uma geladeira tem que ter, não é mesmo?
Uma vez estabelecido, é importante controlar os estoques à risca. Por exemplo: uma garrafa de cachaça deve servir X doses, garantindo o lucro de X reais. Cada bêbado que lhe der um calote coloca em risco o seu lucro, portanto lembre-se de colocar um aviso bem simpático como “fiado, nem a c******” ou “cerveja grátis, só amanhã”. E o dono do boteco não é o ser simpático: para isto você tem os garçons, que provavelmente não farão a saideira de graça, atribuindo a culpa a você. É a função deles.
Tive um colega que realizou ainda na faculdade o sonho de abrir o boteco próprio. Quebrou em 3 meses. Erro clássico de qualquer negócio é não se estruturar e precisar de lucro logo no primeiro mês. Se você souber de algum negócio que gere retorno de 100% do dinheiro investido logo nos primeiros meses, me avise. Boteco e, defitivamente, publicidade, não são.
Com isso, se você quer abrir um boteco, segue uma lista de dicas: sim, pode ser bom, mas você precisa se estruturar financeiramente, psicologicamente (afinal, não poderá tocar na birita do estoque) e emocionalmente, para agüentar os pingaiadas. Terá que ser duro com eles, como um segurança de balada ao constatar que você perdeu a comanda ou tem cara de maconheiro, mas doce ao servir a próxima dose. Em palavras mais esquerdistas, endurecer sem perder a ternura jamais! E não abra o boteco pensando no shortlist da premiação de petiscos da cidade, a Cannes dos botecos, e sim em atender bem o cliente e obter lucro.
E não perca os próximos capítulos!
Acompanhe todas os posts da série Alternativa profissional neste link.
categorias: Comportamento, Corporativo, Publicidade
Amigos à venda e um grande negócio na web
Escrito em 29/06/2008 | 4 comentários | Permalink

Como a imagem diz, a Internet é um lugar onde se vende qualquer merda, seja em doletas, doletas brasileñas ou dinheirinho da Barbie, que tem outros nomes que você já ouviu falar por aí, como por exemplo, Linden Dollars. Entretanto, poucas negociatas me chamaram tanto a atenção como o fenômeno Friends for Sale, um aplicativo para Facebook que propõe uma compra e venda de seus contatos na rede social, garantindo ganhos em dinheiro de mentirinha àqueles que vendem e ao vendido (que no programa ganha a alcunha de pet).
Por que chama a atenção?
Para começar, é um aplicativo inútil, para não dizer bobo. Mas caiu nas graças de uma moçadinha descolada e realmente vicia. Veja aí uma de minhas últimas aquisições:

Dani Koetz era propriedade deste que vos fala até o fechamento desta edição.
Por ter caído na mão de gente que, bem ou mal, forma opinião do que vai ou não estourar em Internê no Brasil, houve um sensível aumento, se não das inscrições na rede social, da atividade dos usuários brasileiros cadastrados. Num emblemático exemplo, com os convites que recebi esta semana de pessoas me adicionando como contato, tenho mais amigos no Facebook do que no Orkut. Não há por que não acreditar que este fenômeno é explicado pelo aplicativo. Em conversas entre amigos, os termos Friends for Sale e Facebook já se confundem, sendo que até este estouro, pouca gente apostava fichas no concorrente do Orkut ou sequer gastava tempo para falar sobre ele com os mais chegados.
Entretanto, quero falar sobre o que realmente chama a atenção. O Techcrunch noticiou em abril um belo investimento recebido pelos desenvolvedores do Friends for Sale: US$ 4 mi, desta vez em verdinhas de verdade. A moda que lá pegou primeiro é o quinto aplicativo com maior número de usuários ativos, com mais de 600.000 acessos diários. Se considerarmos que o quarto colocado é uma cópia do Friends for Sale (denominada Owned),temos um negócio babaca de compra e venda virtual de amigos movimentando mais de um milhão de acessos por dia dentro do Facebook. De repente, fica bem mais atrativo vender banner, widget e planos descolados numa parafernalha dessas.
Ganha fôlego também a migração de usuários brasileiros para esta rede, pois poderá interessar às pessoas se cadastrar no Facebook apenas para jogar o Friends for Sale. Um processo clássico de evangelização, tal qual a Paciência para ensinar a mexer no mouse ou, numa jogada mais recente, aquela que me levou ao Twitter.
Outra coisa que me chamou a atenção ontem foi o Orkut ter liberado as apps para usuários do Brasil. Imaginei que teria sido a contra-reforma de um repentino aumento no movimento do Facebook em terras tupiniquins, mas simplesmente a opção sumiu de meu menu quando reabri meu perfil para fazer um print para este post. Fico agora com este discurso delirante de continuar acreditando em Open Social sem ter provas…
Em todo caso, se você gostou deste papo de comprar amigos e influenciar pessoas, instale o aplicativo em sua conta do Facebook e experimente. Aproveite para comprar um Luiz Yassuda para você e inflacionar o meu passe. Caso você realmente se empolgue e decida sair comprando amigos no mundo real, saiba que é fato que todos têm um preço, mas o do Toni Sá é muito mais barato.
categorias: Aleatoriosfera, Comportamento, Internet
Eventos e eventos
Escrito em 02/06/2008 | 6 comentários | Permalink

Esta semana foi bastante atípica para um blogueiro pequeno que não ganha $$$ via blog. Estive presente a dois eventos voltados a esta galerinha do barulho que apronta altas confusões que até Deus duvida.
O que quero dizer é que ambos os eventos me ganharam pelo meu ponto mais fraco: o estômago. Sim. Ele, que já foi tão maltratado em épocas de caça pelo PF mais barato da Berrini, agora pede tudo do bom e do melhor. A prova disso é que mesmo durante o JUCA, época em que a alimentação básica se resume a cerveja, achei um fantástico restaurante de frutos do mar ao lado do alojamento e não poupei esforços em me satisfazer com moquecas de camarão, filés de abadejo e afins.
Sem mais delongas, falemos sobre os eventos:
Na terça-feira, fui convidado para o lançamento do site S2 (sim, é um coração) na Casa Pizza, um lugar agradável no Itaim Bibi que eu ainda não conhecia. Estivemos presentes para conhecer um pouco mais sobre o portal de relacionamento, que terá artigos, auxílio de profissionais de psicologia e neurolingüística, além de um chat chiquérrimo utilizando a plataforma Flex.
Sobre os quitutes: pizza excelente, com massa fina e recheios cuidadosos. Destaque especial para o bolinho de mortadela com queijo, que conquistou os corações dos blogueiros presentes.
Na quinta-feira, antes de adoecer e ficar alguns dias longe da internê, fui ao suntuoso escritório da Microsoft em São Paulo para o Mix Essentials, um evento que traria à realidade brasileira alguns pontos abordados no Mix realizado pela matriz.
Discussões até interessantes, com gente muito bacana no púlpito, como o Jean Boechat e o André Passamani. Mas um dos comentários que ouvi logo que cheguei de um anônimo foi que “a Microsoft pode não fazer software direito, mas sabe servir uma mesa como ninguém”.
Não faço pouco caso dos softwares, mas de fato a parte da mesa comprovou-se. Tivemos em um só dia um belo café da manhã, um razoável almoço e um delicioso coffee break, além do coquetel de encerramento que eu tive que deixar de lado em prol de outras atividades.
Evento bom é isso aí: todo mundo saindo satisfeito e feliz.
E daqui a pouco, coloco o link de um post mais sério sobre o evento da Microsoft.
categorias: Aleatoriosfera, Comportamento, Eventos
Quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João
Escrito em 29/04/2008 | 9 comentários | Permalink

Quem me conhece há mais tempo sabe que os eventos paulistanos me agradam. Quando surgiu a Virada Cultural, um evento de apanhados culturais da cidade reunidos numa nova embalagem em sua primeira edição, aproveitei para andar por ruas e avenidas que jamais imaginaria caminhar durante a madrugada.
Nas Viradas seguintes, só motivos para eu me orgulhar de estar no evento. O centro estava lindo, em recuperação, quase renascimento. As atrações musicais animavam o público. Mesmo com alguns problemas no ano passado, o evento se consolidava. Tornei-me, então, um grande defensor desta manifestação. “Se não gostou da muvuca, não odeie a Virada Cultural, odeie os fãs de Teatro Mágico”, bradei no Twitter.
E enfim veio a quarta edição. Muitos palcos, muitas atrações e fundamentalmente muita gente.
Foi então que o pano caiu. A ilusão acabou. Em um centro cheirando a urina, não consegui chegar sequer perto de algum palco, exceto o surrado palco de bandas indies, que foi abandonado até pelos moderninhos. No meio daquele povo todo que se apertava em busca de uma melhor visão do nada, eu sambei encoxado e encoxando, sem distinguir raça, credo ou sexo. Os olhos cansavam de ver tanta gente e então, na decisão menos sábia de todo o fim de semana, juntei forças para o último show, com certeza o que estaria mais lotado.
Afinal era o Jorge Ben. Pô! Falei há alguns dias do Jorge! Zazueira! Do meu Brasil!
Aliás, havia mencionado também que queria umas credenciais, pelo simples fato de poder gerar conteúdo sobre o evento de maneira mais tranqüila. Eu teria arriscado levar um laptop para lá se a autorização viesse. O castigo final por tamanho despeito às práticas jornalistas viria no crepúsculo do show de Jorge, quando tive meu singelo equipamento de reportagem apreendido por gente mais esperta do que eu. Calei-me, enfim, rendido à grandeza da maior aglomeração registrada em todas as edições (4 milhões de pessoas).
E calo-me agora, em fotos no Flickr, em memória de mais um celular furtado. Não existe show de graça.
categorias: Comportamento, Eventos, Opinião
O café acabou
Escrito em 07/04/2008 | 3 comentários | Permalink

Pessoas têm um certo costume de se lembrar com saudades de tempos passados, como a infância e a adolescência ou mesmo alguns momentos pontuais, como o instante do primeiro beijo, da primeira trepa ou afins. Eu não sou diferente, e tenho cá comigo uma série de momentos em que viajo na nostalgia apenas para relembrar os caminhos que me trouxeram até aqui.
Há também, em dosagens mais homeopáticas do que apenas parar uns cinco minutos para relembrar, umas raras ocasiões em que podemos reunir os elementos destas remotas lembranças e fazer uma comemoração, no sentido mais literal da palavra: lembrar junto com todos. Eu quis fazer, nestes últimos dias, um destes momentos. Na verdade, eu quis mais: queria viver novamente certas coisas.
Com esta intenção, corri para a faculdade, tendo em minha cabeça os bons tempos nem tão antigos assim em que eu trabalhei dentro da empresa júnior de lá. Foram treze meses de convivência intensa com colegas, atividades e festas que não me deixam negar que curti muito o meu período universitário. Claro que não tinha na cabeça farrear em um dia o que farreei durante todo este tempo, mas queria sim voltar a viver algumas coisas, só para ter uma sensação egoísta de que o tempo, este fanfarrão, passa apenas para mim.
Mas não passa.
Ao chegar, fui recepcionado pela molecada que hoje toca aquela empresa júnior. Andei pela sala, vi os projetos que eles andam tocando e até fico feliz de ter deixado algumas sementes plantadas e que deram frutos vigorosos uns anos depois. Então, saí da sala e me dirigi à copa do departamento, em busca de um cafezinho. Antes mesmo que eu entrasse, me alertaram:
- Não sei se tem café. A dona Nívea se aposentou.
A dona Nívea chegava bem cedo à faculdade, como eu. Antes de começar a primeira aula, ela preparava o café para as salas dos professores e chefias do departamento. Aos funcionários, era reservada uma garrafa térmica dentro da copa. Eram nos momentos em que a vigia das secretárias baixava que eu entrava na copa, dizia “bom dia” à dona Nívea e surrupiava um copinho. Claro que, trabalhando por lá, as visitas se tornaram muito freqüentes, das 8h às 18h. Nunca tive longos papos com ela, mas também sempre fui cordial ao puxar um pouco de conversa enquanto enchia o copo com os borrifos da garrafa. Beber o café era também um tempo para conversar com quem viesse junto, enquanto bebericávamos o líquido quente e curtíamos uns cigarros. Era, por fim, uma metonímia destes dias simples em que eu achava mais complicado do que realmente era conciliar estudos, a “longa” jornada de quatro horas de trabalho e as festinhas.
Era. Mas dona Nívea se aposentou, o café acabou e eu um dia vou achar estes dias atuais mais simples.
categorias: Comportamento, Crônicas, Textos aleatórios











