Aonde é que o Tuíti vai parar?
14/09/2007 | 1 comentário | Permalink |

Em uma época em que não havia tempo para recolocar este blog no ar, eliminei-me de uma dessas redes sociais infestadas de miguxos e piadas sem graça. Afim de trocar um vício por outro (e sem um espaço digno para que o vício fosse um blog), aceitei o gentil convite da chefia para entrar numa nova onda da internet. Foram exatos 2 dias de uso para pulularem posts na blogosfera sobre o Twitter.
Espantoso? Não é propriamente o que eu achei. Afinal o fato era lógico: as pessoas comuns, tipo assim, eu, se inscreveram e começaram a acompanhar tuiteiros de vanguarda ou da velha-guarda, que por acaso também eram blogueiros da mesma estirpe. O aumento no número de followers dos garotões resultou nos primeiros ranqueamentos. Aí foi só esperar umas horinhas e até mesmo o surdo ouviu, o cego viu e o cético (aqui também sou eu) acreditou: o Twitter vinha para causar.
Não se sabe ainda ao certo o que ele veio causar. Posso arriscar alguns palpites:
A troca de informação dentro da twittosfera se dá de forma tão rápida e prática que empolga mesmo. Por enquanto, está saudável, mas eu já cheguei a ler twittadas de gente que está deixando os blogs um pouco de lado, mesmo que isto não seja intencional. Alguém mais animado ou paranóico poderá gritar que é o fim dos blogs. Poderá sair proclamando a nova esfera tuítica como a única e fundamental forma e manter o fluxo de informações do indivíduo eterno. De tanto post que chega via e-mail, messenger ou SMS, ele também diria que as pessoas agora querem ler até o que não querem! As empresas passam a twittar. Os Twitters corporativos iriam compor uma boa parcela da informação dos indivíduos e terão que ser extremamente rápidos e eficazes para apresentarem novidades a qualquer momento. A Apple anuncia novos Ipods diariamente. Os rankings elegem o que é mais cool hoje, mas a principal diversão passaria a ser o “top 10″ da obsolescência. As nostalgias deixam de ser uma questão de décadas para virarem uma saudade aguda do que se fez ontem. Aí eu vou lembrar que a pergunta inicial era “o que você está fazendo?” e eu só queria ficar o dia todo respondendo que não estava fazendo nada, e acreditava que ninguém se importaria com isso.
Obviamente, trata-se de uma brincadeira sem qualquer fundamento prático. As pessoas utilizam ferramentas assim com muita parcimônia. Todos buscam sempre uma análise mais completa dos cenários. Não existem gurus que tecem conclusões precipitadas para fazer dinheiro com quem não sabe surfar nas tsunamis de mudanças midiáticas. Nem quem arrisque que qualquer ferramenta que surge vai mudar o mundo.
A última vez que ouvi um papo assim foi sobre uma ferramenta com visual 3D disposta a ser uma espécie de simulação da vida que, no fim, transformou-se em espaço para onanistas a procura de sexo virtual e empresas querendo empurrar qualquer porcaria. Ouvi um espasmo de uns acadêmicos dizendo que transformariam o tal ambiente num completo local para a troca de pesquisas e conhecimento. Não é muito óbvio que você aí baixe um programa pesado, que roda mal nas conexões brasileiras, para discutir McLuhan ou Pierce às 4 da manhã, em inglês, com algum canadense perdido e mal-amado?
Acho que estou alucinando. Vou tomar mais um pouco da minha dose de Twitter, que você pode acompanhar clicando aqui.
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