Você acha que o Twitter tem potencial para explodir de fato no Brasil?

09/02/2009 | 9 comentários | Permalink |

baleia

Acabei de fazer uma pergunta aos meus followers no Twitter: “você acha que o Twitter tem potencial para explodir de fato no Brasil?”. Eu tenho uma opinião formada sobre o assunto, a qual compartilharei com vocês, meus caros doze leitores, nos parágrafos a seguir. Mas antes, abro o espaço para as respostas que chegaram:

“Tomara que não. O que estragou o orkut foi… todos juntos agora… ESSA MALDITA INCLUSÃO DIGITAL!” – @Ricardo_Ono

“Popularizar, não. Eu acho que não tanto quanto o Orkut. Ele não tem muitos recursos de interação. Seria apenas um scrapbook e só” – @rafabarbosa

“Estou apostando nisso, tentei contribuir na forma de um belo post explicando como se tornar uma web-celebrity aqui” – @justplay

“Sim. Principalmente qdo pessoas que vc acha que nunca usariam o serviço começam a te seguir em massa.”@babifranzin

“Definitivamente acredito, minha irmã que adorava o orkut, leiga em qualquer outra rede social, agora usa direto o Twitter” – @denisecastro

“Eu não só acho …. eu acredito que já está bem encaminhado para uma explosão logo logo :)” – @vivoverde

O que eu acho? Depende. Em vez de ficar entre sim ou não, é melhor dizer que eu acredito muito no Twitter também, mas não em seu potencial de popularização no Brasil. Podem dizer que ele é um canal mais rápido para compartilhar informações, que sua conectividade com o mundo mobile abriu novos horizontes ou que os trendsetters brasileiros o escolheram. Mas são justamente as coisas que tornam o Twitter um grande barato que, em minha opinião, o deixam longe de ser acolhido pela massa.

orkutxtwitter
Em comparação com o Orkut, o Twitter apresenta um hype maior, mas uma procura cinquenta vezes menor.

Vamos a alguns pontos sobre o Twitter:

As pessoas compartilham informações mais rapidamente: o Twitter permite fluxos de informação instantâneos, mas necessita de filtros adequados de acompanhamento. Ainda que seja verdade que algo caia primeiro no Twitter, os seus usuários funcionam como disseminadores em outras redes, impactando o usuário padrão via imprensa, Orkut e outros canais. Os usuários do Twitter estabelecem filtros de informação e funcionam como filtros para os outros usuários de Internet, por assim dizer.

A sua conectividade com o mundo mobile abriu novos horizontes: o Twitter é aquela ferramenta que faz algum sentido de uso se associada a outros aplicativos e serviços. Basicamente, o usuário pode escolher o que quer receber e como quer receber, associando a sua conta a clients como o TwitterFox no computador ou o Fringe no celular. Além disso, ele possibilita a associação com outros meios de postagem de informação, espalhando as twittadas por outras redes e concentrando no Twitter o que o usuário produz por aí. É fascinante, mas é difícil. Nenhum uso do Twitter ainda se fez didático o suficiente. Além disso, se formos imaginá-lo como uma grande rede de conexão de pessoas numa era de Internet móvel, devemos lembrar que pouca gente usa mais do que as funções de telefone e SMS num celular.

A popularidade que o Twitter venha a alcançar (ou já tenha alcançado), ao meu ver, não se dará em números de usuários, mas em como algo que lá começa impacta o usuário padrão longe dali. Em outras palavras, o que devemos medir não é tanto o número de followers, mas a capacidade de uma simples twittada mover algumas coisas. Seja para o bem ou seja para o mal, como já havia comentado em meu post intitulado Cultura de meme é comportamento de rebanho.

Eu o vejo como um grande roteador de conteúdo, com alguns poucos produtores de conteúdo exclusivo para ele e a maior parte retransmitindo informações recebidas. Seu uso atual tem a cara do que é ser trendsetter e, apenas no caso de uma grande reformulação, este deverá ser o grande nicho usuário. Aos comunicólogos de plantão, sugiro prestar atenção em como podemos pautá-lo, tirando o foco de povoar determinado perfil aberto para uma ação ou esperar que ele se torne, como ferramenta, algo mais popular.

categorias: Aleatoriosfera, Colaborativo, Comportamento, Cultura, Internet, Opinião

 

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