Medocracia
Escrito em 29/09/2008 | 2 comentários | Permalink

Segue na íntegra o texto que enviei para a Revista Feed-se, que acaba de sair em sua edição especial sobre Democracia. Fui convidado a escrever um artigo que estivesse relacionado com a liberdade de expressão e sobre a luta por este direito, mas acabei falando sobre como o mercado pode tirar esta liberdade de maneira sutil. Não deixem também de baixar a edição da revista e ler, por exemplo, a apuração do caso do fechamento do domínio Twitter Brasil e casos de cyberativismo.
Medocracia
Entendendo relações de poder e influência sobre a sua dita liberdade de expressão.
Voltemos ao fim de Roma, perto do ano 476 d.C, quando acabou o Império Ocidental e começou a Idade Média:
Enquanto Roma passava por uma profunda crise em todos os seus setores, o grande Império passou a ser sacudido por hordas bárbaras que atacaram todas as fronteiras.
Quem tinha terra e alguns recursos começou a erguer grandes fortalezas que poderiam proteger as vidas abrigadas de possíveis saques.
Temendo pela sua segurança nas cidades, a população iniciou um êxodo urbano e passou a se concentrar nas proximidades dos castelos, pedindo proteção ao senhor das terras. Um movimento de sobrevivência sensato em que o cidadão trocava os seus direitos conforme as leis pela proteção paga por submissão a um regime de servidão.
Tal ilustração serve apenas para passarmos a conversar sobre o termo que intitula este artigo. A Medocracia não é o poder da tirania, e sim as atribuições de poder que o medo deu a cada parte.
No caso citado, percebe-se que o poder do senhor feudal só foi possível pela existência de uma ameaça em potencial, um medo que pairava sobre os servos nos primeiros momentos de Idade Média.
A pergunta que deve ser feita antes do prosseguimento é: e quem não tem medo?
Quando falamos em comunicação no Brasil em tempos pós-ditadura, falamos de alguns poucos grupos que dominam a opinião pública. Tal estrutura é o que, basicamente, alimenta todas as famílias de quem trabalha em jornais, agências de publicidade, empresas de pesquisa e até nos departamentos de marketing.
O jornal que você lê, a revista que você assina, o canal de televisão a que você assiste: - todos fazem parte das posses de um seleto grupo de empresários que têm o poder de ditar os rumos da opinião pública.
E são nesses meios que a publicidade tem os seus lucros, as pesquisas são geradas e o marketing estuda os seus ganhos.
É possível comparar estes grandes empresários da mídia aos senhores feudais. Um pobre camponês precisa se refugiar em um dos castelos para sobreviver, ou, em outras palavras, precisa estar ligado, de certa forma, à mecânica.
É simples assim. Não há jornalismo, publicidade ou outra atividade de comunicação que não tenha pelo menos um pé dentro da terra destes senhores.
Você já assistiu a um documentário produzido sobre o Governo de Minas Gerais e sua suposta influência em veículos de comunicação?
Vez ou outra, uma coisa dessas surge, alimentando as nossas síndromes de conspirações e perseguições, sem que efetivamente tenhamos alguma confirmação da verdade.
O vídeo entrevista alguns jornalistas que teriam perdido o emprego no maior jornal de Minas Gerais por publicarem comentários negativos em relação ao Governador local.
O dia-a-dia no feudo é bem menos tenso do que isto, mas passa pelo mesmo questionamento: escrever tal artigo pode contrariar pessoas, mas se contrariar a alta cúpula do veículo que paga o salário, o que acontece?
E então surgem os blogs como alternativa a quem produz comunicação com qualidade e isenção.
Uma verdadeira revolução, se voltarmos aos papos de 2005 e 2006. O volume de coberturas instantâneas e de opinião fez dos blogs potenciais competidores dos feudos. Hordas bárbaras de respeito. Um pequeno post pode fazer grandes estragos.
É claro que os senhores feudais podem ficar de olho no que os seus servos produzem nestas mídias sociais. Mas o poder que eles têm para calar uma voz destoante de seu coro já não é mais o mesmo até porque já existem blogs com maior número de acessos do que os leitores de alguns jornais.
Seria a blogosfera o último reduto longe da Medocracia? Talvez não para este que lhes escreve, cujos ganhos estão ligados à publicidade.
Mas se é bobagem, então a preocupação deste texto com algo que provavelmente não ocorre com os blogs - como a existência de blogs patrocinados por empresas, embaixo da aba de grandes grupos de mídia ou bancados por agências publicitárias -, brindemos à isenção.
Ou aproveitemos estes belos dias de Camps para discutir quem é que vira senhor feudal se o blogueiro for o servo nesta metáfora.
categorias: Aleatoriosfera, Comportamento, Opinião
E quem diria que uma das boas lições do BlogCamp seria dada por uma miguxa?
Escrito em 01/09/2008 | 14 comentários | Permalink

Como eu disse no post anterior, aconteceu no último fim de semana o BlogCamp São Paulo, que contou com uma forte participação do público blogueiro, superlotando o Espaço Gafanhoto. O meu resumo do primeiro dia de evento é este: toda e qualquer discussão que valia a pena estava lotada, sem qualquer condição de abrigar-me. Espero ansioso apenas os posts sobre a discussão que colocou frente a frente os discursos de três agências que lidam com Social Media de maneiras distintas, cujos interlocutores foram Wagner Fontoura, Wagner Martins e Guilherme Valadares.
No domingo, o número de pessoas diminuiu, o que possibilitou rodas menores, mas de discussão igualmente intensa. Sugeri, em tom jocoso, é verdade, uma discussão sobre blogs miguxos, uma provocação a toda e qualquer roda de profissionalização dos blogs.

Foto da desconferência miguxa. Valeu, Pedro.
E não é que a discussão engrenou? Antes mesmo que a discussão caísse para questões socio-culturais que possam explicar o dialeto escrito por estas gurias, discutimos um pouco do universo miguxo, quando a Alê Félix provocou: “vocês menosprezam as miguxas”.
O ponto dela era claro e interessa a quem quer entender ou propor melhores práticas de comunicação em qualquer contexto 2.0: a miguxa tem uma característica marcante em suas expressões na web, que marcam uma espécie de tribo. A linguagem estabelecida pelos garotos e garotas nesta fase da vida tem a cara da adolescência, da busca de identificação com um grupo, da busca por ícones, etc. Entretanto, olhar apenas para este aspecto não é olhar o pacote por dentro: não é porque a miguxa escreve de maneira peculiar que necessariamente ela seja uma pessoa que não leia, não estude e não tenha discernimento algum.
A adolescência é uma fase. Depois de alguns anos, aquelas garotas idealistas de 15 anos tornam-se profissionais, consumidoras efetivas, quem sabe formadoras de opinião de seus grupos. Os motivos para cativá-las ainda na fase miguxa se devem a duas características fortes do grupo:
- Fidelidade: o público é cativo das redes que estabelece. Em outras palavras, ser cordial em uma publicação com este público pode lhe render leitoras muito fiéis. A miguxa é aquela que lê o seu blog de cabo a rabo, mesmo quando descobre o endereço no terceiro aniversário de site.
- Respeito: Tratá-las de igual para igual dá exemplo para meninas que buscam ícones de comportamento. A miguxa, quando cresce, mantém um profundo respeito por aqueles que a trataram com respeito em sua fase anterior. O português melhora, a fidelidade é mantida e você tem ao lado uma aliada tão capaz quanto qualquer pessoa.
Uma vez que a miguxa torna-se, então, um público interessante para direcionar a comunicação, principalmente quando temos em mãos um produto cujo target é ela, como é que se desce do pedestal do “eu trabalho com Social Media” para efetivamente dialogar com as meninas? Lembre-se que é um público que está interessado em histórias, não no evento ao qual o blogueiro foi convidado e em qual marca patrocinou o boca-livre. De repente, uma ação como aquela em que a Melissa contratou 4 usuárias do Fotolog para serem embaixadoras da marca no mundo da moda soa bem mais interessante do que as piadas de quem olhou com um certo desprezo para este público (eu me incluo neste grupo). E claro, para a miguxa, uma ação em que efetivamente a garota com quem ela convive torna-se a porta-voz de um assunto complexo explicado de maneira simplificada será infinitamente mais valiosa do que uma gracinha aleatória no YouTube.
Numa tacada só, o mundo miguxo dá uma aula de adequação ao público e de relacionamento com o target e sua fidelização para quem quiser ver um pouco mais de perto. Palavras óbvias no discurso, mas que andam passando longe da prática. Pela lição, eu digo: BrIgAdUuUuUuUu, MeNiNaXxXxXx!
categorias: Aleatoriosfera, Comportamento, Internet, Publicidade
Amanhã tem reunião de nerds
Escrito em 29/08/2008 | 1 comentário | Permalink

Amanhã, acontece o BlogCamp São Paulo, no Espaço Gafanhoto. Estarei lá. Beijomeblutufa.
Mas falando um pouco mais sério, amanhã acontece mais uma das grandes reuniões de nerds que se comunicam. Não sei se as discussões prometem, mas, na pior das hipóteses, há bares muito bons nos arredores. Não farei cobertura ao vivo, é pouco provável que eu leve câmera e o Twitter anda travando no celular.
Em compensação, vai ser muito bom rever algumas pessoas desse meio. Com elas, vai ser fantástico trocar um lero.
categorias: Aleatoriosfera, Eventos, Internet
Repita 47 vezes: sou uma diva!
Escrito em 04/08/2008 | 3 comentários | Permalink

Eu realmente não tenho nada, absolutamente nada contra aqueles que preferem continuar sendo chamados de blogueiros, mas uma vez que descartei o rótulo, é bom reafirmar. O que eu tenho contra certos tipos de pensamento é uma espécie de miopia coletiva que é repetida ao melhor estilo “meme” e acaba por se transformar em verdades completamente absurdas. Não haveria problemas se essa história de blogs continuasse a ser um passatempo juvenil, mas já que com dinheiro de empresa todo mundo quer brincar, a fantasia terá que ser deixada de lado.
A fantasia é mais ou menos assim: você não é uma diva, mas acha que é. E precisa ficar olhando para o espelho e repetindo: “sou uma diva, sou uma diva”.
Os blogs são importantes? Sim. São a coisa mais importante do mundo? Jamais. Pense nisso. O que rege a ferramenta é o seu conteúdo. O blog foi só a forma que você encontrou de colocar conteúdo na Internet. É muito diferente de traçar a idéia de um blog sem pensar no que se vai colocar nele.
Assim como blogs não substituirão mídia alguma. Sempre haverá espaço para a mídia tradicional, ainda que ela tenha que se reinventar. E é importante, não só para o blogueiro, mas para qualquer pessoa, que não se admita dois pesos e duas medidas num julgamento: a imprensa não presta quando escorrega no quiabo com a dita blogosfera, mas todo mundo adora ganhar uma menção num jornal. De preferência no impresso, que tem grande circulação e você pode mostrar para a família.
Quanto às métricas, um caminho obscuro a ser percorrido na Internet como um todo, resta aos blogueiros se agarrarem naquelas que lhe parecem interessantes. Tal qual a Globo com o Ibope, o blogueiro casa com a lista de blogs mais populares que lhe posicionar melhor, não importando muito se as métricas são questionáveis. É óbvio que eu não estou desmerecendo quem sempre aparece no topo da lista, mas por que é que nunca apareceram blogs da Globolog? O Tiago Dória aborda o tema de maneira mais específica neste post.
O problema é que quando a métrica utilizada é questionável e na verdade não interessa, ela é sumariamente descartada. Imagine se eu lhe contar que este blog é o preferido por 100% da família Yassuda. Isso importa a alguém? Pouco provável. E uma lista de 200 blogs retirados de uma lista de 200 blogs cadastrados em um sistema e apenas reordenados conforme uma equação? Esta sim é importante? Apenas para o blogueiro que ali aparecer, provavelmente. Se eu utilizasse a mesma métrica numa pesquisa acadêmica, eu seria rechaçado.
Finalmente, vamos aos eventos. Sabe qual a diferença entre um evento com artistas e um com blogueiros? Quando acontece um evento com artistas, a imprensa especializada aparece para cobrir e aquilo vira notícia (tudo bem, de importância questionável) espontaneamente (também questionável). Um evento com blogueiros parece virar notícia porque os convidados, na verdade, são aquelas pessoas que irão escrever sobre o assunto. Ou seja: se eu chamar umas 100 pessoas que escrevem em blogs e no Twitter, eu terei um evento reportado em 100 blogs e parecerá que não se fala em outra coisa. Ou então se cria uma intriga com, vejamos, a imprensa. Aí temos uma notícia espontânea (e você não irá questionar?).
Mas ok. Como eu disse lá no começo do texto, os blogs são importantes. E dialogar com eles também é. Mas se a força, na verdade, está no volume da dita blogosfera do que em um ou outro blog, por que, de repente, passar a tratar um ou outro como estrela? Um irá receber um convite especial para o evento e o outro terá que ligar para pedir a credencial, sendo que ambos fazem parte do plano?
Não sei. Parece-me que há algo de podre no reino da Dinamarca. E não é só com a intenção vil de certas empresas em ganhar algum troco com blogueiros. Mas se tudo lhe parece bem, é só continuar repetindo: “sou uma diva, sou uma diva”.
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Chegou a hora de lançar um media kit
Escrito em 14/07/2008 | 8 comentários | Permalink

Os papos blogóricos sobre monetização até me inspiraram, mas um contrato como o feito entre Senado e portal da Paraíba, conforme os detalhes dados pelo Cardoso, foi o que realmente fez com que eu optasse por um media kit. E um media kit à altura dos futuros contratos entre empresas ou instituições públicas e websites em geral depois deste divisor de águas firmado entre Senado e Paraiba.com.br.
Fiz umas contas interessantes por aqui: o valor de R$ 48.000,00 faz o selo custar R$ 6,66 por pixel quadrado, mas este valor está aí apenas a título de curiosidade, por causa da piada fraca, porém pronta, do preço da besta. Nas contas de custo por mil usuais no mercado, que numa média ficam na casa de uns R$ 25,00, a promessa é de cerca de 2.000.000 impressões por mês pelo valor total pago. Claro, este meu blog é muito menor do que o portal contratado. Levaria 40 meses para eu oferecer este número de impressões.
Portanto, supondo que este valor pago ao portal é um valor correto de mercado, posso me basear nele para estabelecer o meu media kit e assim iniciar uma vitoriosa campanha de e-mail marketing a senadores e congressistas.
Se eu vou levar este tempo todo para atingir 2.000.000 de impressões, nada mais justo que uma campanha de banner 120×60 aqui no Blog do Yassuda custe 40 vezes menos, ou seja, R$ 1.200,00 mensais, com o tal do custo ilusório por pixel quadrado de R$ 0,17.
Segue então minha tabela de preços por tipo de banner:
Full Banner (468×60): R$ 4.773,60 por mês
Half Banner (234×60): R$ 2.386,80 por mês
Selo (120×60): R$ 1.200,00 por mês
Superbanner (728×90): R$ 11.138,40 por mês
Skyscraper (120×600): R$ 12.249,00 por mês
É mais ou menos o que os outros blogueiros cobram?
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Eu não sou blogueiro
Escrito em 04/07/2008 | 12 comentários | Permalink

Diante de um monte de coisa falada por aí graças à polêmica entre o famoso site de notícias de importância duvidosa Blue Bus e alguns blogs bróderes (9 ao todo) que ganharam um press kit modernoso da Coca-Cola, decidi que não quero ser blogueiro.
Primeiro, porque demora tempo demais para explicar que tudo o que une os blogs são a ferramenta pela qual seus editores decidiram prover algum tipo de conteúdo na web. É bem possível que alguns concordem comigo, que eu concorde com alguns, mas a semelhança termina aí. Então fica mais fácil dizer que “eu tenho um blog, sim, mas meus únicos rendimentos vêm de meu emprego, na área de comunicação, portanto sou publicitário (provavelmente, piora a imagem que a pessoa tem de mim, mas a vida é composta de escolhas…)”.
Confesso que às vezes bate uma vontade de ser blogueiro apenas, mas não tenho vocação para isso. Os encontros no El Malak são bem legais, o pessoal é bacana. Mas não é necessário ser blogueiro para estar lá.
Concordo algumas causas levantadas por blogueiros (o título do post eu roubei daqui, um manifesto de muita gente nobre), mas não sou obrigado a concordar com tudo. Nem todo jornalista escreve inutilidades como o Blue Bus, nem todo blogueiro produz conteúdo ou é defensor de uma relação transparente com o seu público. E principalmente, nem toda empresa deveria utilizar alguns suportes web como ferramenta. Os blogs caíram no oba-oba, tem evento bacaninha toda semana, press kits luxuosos, um monte de coisa legal acontecendo. Às vezes, eu penso que todo esse investimento vale mais para que uma pequena parcela de formadores de opinião não fale mal do produto (efeito causado por aqueles cases desastrosos de RP que todo mundo tem medo, como o do moleque que abriu cadeados com uma caneta Bic), ainda mais se levar em conta que o investimento das empresas nesta moçadinha esperta é pequeno, bem pequeno, coisa que eu já havia ensaiado há algum tempo.
No meio deste vendaval de coisas, não posso negar que é muito legal estar no meio do oba-oba, como já até comentei em posts anteriores, mas entre tantas discussões infrutíferas e tanta gente perdida (eu também posso estar estar entre eles, quem sabe), melhor ficar de fora.
Reitero que é melhor tratar com cada blog individualmente, estudar cada caso, assim como com qualquer coisa. Claro que ri da piada do Merigo, mas não são as notícias toscas que me fazem não ler o Blue Bus, e sim quando ele resolve dar opinião sobre alguma coisa séria. Nessa hora, você vê que ele não consegue se aprofundar. Na hora de dar uma opinião séria, você percebe que o Merigo vai longe, e são poucos os blogueiros que conseguem chegar perto disto. Seria injusto colocar o jornalismo no patamar do Blue Bus e os blogueiros no patamar do Merigo. Prefiro chamá-lo pelo nome e quando me perguntarem “quem é Merigo?”, responderei que é um bróder.
categorias: Aleatoriosfera, Opinião
Amigos à venda e um grande negócio na web
Escrito em 29/06/2008 | 4 comentários | Permalink

Como a imagem diz, a Internet é um lugar onde se vende qualquer merda, seja em doletas, doletas brasileñas ou dinheirinho da Barbie, que tem outros nomes que você já ouviu falar por aí, como por exemplo, Linden Dollars. Entretanto, poucas negociatas me chamaram tanto a atenção como o fenômeno Friends for Sale, um aplicativo para Facebook que propõe uma compra e venda de seus contatos na rede social, garantindo ganhos em dinheiro de mentirinha àqueles que vendem e ao vendido (que no programa ganha a alcunha de pet).
Por que chama a atenção?
Para começar, é um aplicativo inútil, para não dizer bobo. Mas caiu nas graças de uma moçadinha descolada e realmente vicia. Veja aí uma de minhas últimas aquisições:

Dani Koetz era propriedade deste que vos fala até o fechamento desta edição.
Por ter caído na mão de gente que, bem ou mal, forma opinião do que vai ou não estourar em Internê no Brasil, houve um sensível aumento, se não das inscrições na rede social, da atividade dos usuários brasileiros cadastrados. Num emblemático exemplo, com os convites que recebi esta semana de pessoas me adicionando como contato, tenho mais amigos no Facebook do que no Orkut. Não há por que não acreditar que este fenômeno é explicado pelo aplicativo. Em conversas entre amigos, os termos Friends for Sale e Facebook já se confundem, sendo que até este estouro, pouca gente apostava fichas no concorrente do Orkut ou sequer gastava tempo para falar sobre ele com os mais chegados.
Entretanto, quero falar sobre o que realmente chama a atenção. O Techcrunch noticiou em abril um belo investimento recebido pelos desenvolvedores do Friends for Sale: US$ 4 mi, desta vez em verdinhas de verdade. A moda que lá pegou primeiro é o quinto aplicativo com maior número de usuários ativos, com mais de 600.000 acessos diários. Se considerarmos que o quarto colocado é uma cópia do Friends for Sale (denominada Owned),temos um negócio babaca de compra e venda virtual de amigos movimentando mais de um milhão de acessos por dia dentro do Facebook. De repente, fica bem mais atrativo vender banner, widget e planos descolados numa parafernalha dessas.
Ganha fôlego também a migração de usuários brasileiros para esta rede, pois poderá interessar às pessoas se cadastrar no Facebook apenas para jogar o Friends for Sale. Um processo clássico de evangelização, tal qual a Paciência para ensinar a mexer no mouse ou, numa jogada mais recente, aquela que me levou ao Twitter.
Outra coisa que me chamou a atenção ontem foi o Orkut ter liberado as apps para usuários do Brasil. Imaginei que teria sido a contra-reforma de um repentino aumento no movimento do Facebook em terras tupiniquins, mas simplesmente a opção sumiu de meu menu quando reabri meu perfil para fazer um print para este post. Fico agora com este discurso delirante de continuar acreditando em Open Social sem ter provas…
Em todo caso, se você gostou deste papo de comprar amigos e influenciar pessoas, instale o aplicativo em sua conta do Facebook e experimente. Aproveite para comprar um Luiz Yassuda para você e inflacionar o meu passe. Caso você realmente se empolgue e decida sair comprando amigos no mundo real, saiba que é fato que todos têm um preço, mas o do Toni Sá é muito mais barato.
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A casa está abandonada
Escrito em 23/06/2008 | 2 comentários | Permalink

Definitivamente a casa está abandonada. Depois de muitos dias sem um post sequer, este também não terá muita coisa. Na verdade, este post tentará falar um pouco de tudo o que eu deveria ter falado por aqui, mas que acabou sendo feito em links alheios. Se estiver com saco, saia clicando com gosto:
- No começo do mês, fui convidado para um evento da Chevrolet, e o dia foi realmente agradável. O Jonny Ken fez um podcast sobre a campanha e o brand experience em que eu participo (nos minutos finais e ainda fazendo graça). E tem fotos minhas no Flickr.
- Aconteceu também o EBP no começo do mês. Acabei ficando pouco tempo por lá por causa do jogo do Corinthians, dia em que finalmente reunimos a patota toda do Vamos Subir Timão para umas cervejas durante a partida (no meu caso, refrigerante por causa de antibióticos). Valeu Rafael e Merigo! E também conseguimos uma camisa autografada pelo Dentinho que daremos numa promoção em breve!
- Quem reparou na sidebar viu que a “rede de blogs” tinha novidade: no dia 2, entrou no ar o Nos 90, blog dedicado ao revival da década de minha infância e puberdade. Agradeço ao pessoal que está comentando, à Juliana Garcia Sales por colaborar com o site e ao Inagaki por tê-lo linkado como blog da semana mesmo com o pouco conteúdo que ainda temos.
- Por último, tivemos o #NoV, organizado pelo @correioelegante em pleno dia dos namorados. Foi legal pelos twitteres que eu ainda não havia conhecido, como a @anarina e a @mellancia.
Espero que o próximo post tenha mais conteúdo. E que seja em breve.
categorias: Aleatoriosfera, Eventos, Publicidade, Sobre o blog
Eventos e eventos
Escrito em 02/06/2008 | 6 comentários | Permalink

Esta semana foi bastante atípica para um blogueiro pequeno que não ganha $$$ via blog. Estive presente a dois eventos voltados a esta galerinha do barulho que apronta altas confusões que até Deus duvida.
O que quero dizer é que ambos os eventos me ganharam pelo meu ponto mais fraco: o estômago. Sim. Ele, que já foi tão maltratado em épocas de caça pelo PF mais barato da Berrini, agora pede tudo do bom e do melhor. A prova disso é que mesmo durante o JUCA, época em que a alimentação básica se resume a cerveja, achei um fantástico restaurante de frutos do mar ao lado do alojamento e não poupei esforços em me satisfazer com moquecas de camarão, filés de abadejo e afins.
Sem mais delongas, falemos sobre os eventos:
Na terça-feira, fui convidado para o lançamento do site S2 (sim, é um coração) na Casa Pizza, um lugar agradável no Itaim Bibi que eu ainda não conhecia. Estivemos presentes para conhecer um pouco mais sobre o portal de relacionamento, que terá artigos, auxílio de profissionais de psicologia e neurolingüística, além de um chat chiquérrimo utilizando a plataforma Flex.
Sobre os quitutes: pizza excelente, com massa fina e recheios cuidadosos. Destaque especial para o bolinho de mortadela com queijo, que conquistou os corações dos blogueiros presentes.
Na quinta-feira, antes de adoecer e ficar alguns dias longe da internê, fui ao suntuoso escritório da Microsoft em São Paulo para o Mix Essentials, um evento que traria à realidade brasileira alguns pontos abordados no Mix realizado pela matriz.
Discussões até interessantes, com gente muito bacana no púlpito, como o Jean Boechat e o André Passamani. Mas um dos comentários que ouvi logo que cheguei de um anônimo foi que “a Microsoft pode não fazer software direito, mas sabe servir uma mesa como ninguém”.
Não faço pouco caso dos softwares, mas de fato a parte da mesa comprovou-se. Tivemos em um só dia um belo café da manhã, um razoável almoço e um delicioso coffee break, além do coquetel de encerramento que eu tive que deixar de lado em prol de outras atividades.
Evento bom é isso aí: todo mundo saindo satisfeito e feliz.
E daqui a pouco, coloco o link de um post mais sério sobre o evento da Microsoft.
categorias: Aleatoriosfera, Comportamento, Eventos
Sobre um mercado em evolução
Escrito em 22/04/2008 | 5 comentários | Permalink

Este post surge com a esperança de colocar mais alguns pingos nos is de questões levantadas por mim desde o Campus Party que, depois de idas e vindas, culminaram num dos posts mais polêmicos da história curta deste blog. No fim das contas, o que se quer saber é o que pode, o que não pode e como proceder se ainda existir dúvidas no trato entre os “homens da maleta” e os blogs. Creio que o post vai ficar melhor topicado:
- Ideologia é o primeiro filtro. Quer ganhar alguma grana, não importando se é apenas para manter o site ou para ficar rico? Ok. Continue lendo o texto. Se o seu blog não quer fazer um centavo sequer diretamente, vivamos em paz com o hino da Segunda Internacional e com as cuequinhas do Che Guevara. =)
- Se não há nada de errado em fazer dinheiro com um blog, falemos sobre os tratos que as agências estão tomando: faço questão de anunciar as resoluções éticas que o Womma (cuja tradução literal seria Associação do Marketing de Boca-a-boca) tem para a interação com as mídias sociais, um tipo de trabalho mais próximo de RP do que de pulbicidade por não haver compra de mídia, e sim de diálogo direto com a comunidade. Falo dela e não mais do Conar porque as agências de marketing difenciado daqui muitas vezes não se parecem com uma agência de publicidade, mas ainda assim têm o Womma como referência.
Quando anunciei que gostaria de postar sobre o assunto lá na firrrma, o Wagner Fontoura disse que falaria a respeito e fez um bom post falando do Womma e de como a questão do dinheiro estar chegando aos blogueiros está mudando tudo. Imediatamente, falei com pessoas de outras empresas desta indústria vital, que me passaram as mesmas impressões: em nosso negócio de mídias sociais, e aqui entram blogs, fotologs, Orkuts e afins, as abordagens se darão mediante a ética do Womma. Concordo no ponto levantado pelo Wagner, de que existem os riscos do pioneirismo, mas é justamente uma das premissas básicas das mídias sociais que devem apontar os caminhos: a crítica aberta dentro do diálogo e a escolha da comunidade.
Eu naturalmente prefiro que este diálogo aconteça e efetivamente mude alguma coisa do que simplesmente ver-me obrigado a fazer algo pela força da lei: na Inglaterra, a próxima atualização do código de defesa do consumidor, em maio, trará regras de como se fazer marketing na Internet. Está tudo aqui.
- Se a parte das empresas estiver sendo feita, é claro que a vigilância deve ser mantida, mas sem paranóias e extremismos. O ex-chefe sempre me advertiu sobre eu não querer fazer dinheiro com este blog, que isto era extremo: se alguém quer pagar para colocar um anúncio, agindo dentro das condutas éticas de mercado, qual era o problema? Concordei com ele.
Da mesma maneira, um blog não pode ser uma ilha. Sejamos honestos: publicidade é uma realidade e o fato de uma pessoa relembrar de jingles tão naturalmente como ela lembra de uma outra canção qualquer, por exemplo, indica que teríamos que ser muito inocentes para acreditar que o que conhecemos por informação e cultura não tem* uma influência severa dos departamentos de marketing deste mundão de Deus. É óbvio alguma ação de uma empresa poderá pautar algum post. Para o bem ou para o mal, se você quer ser maniqueísta. Quando isto acontecer, qual é a ética que está sendo ferida? Nunca mais poderei olhar nos olhos do Che Guevara, pintados em uma camiseta vendida em qualquer banquinha, por ter falado da Microsoft? Oh, não…
Encerro esta argumentação com dois exemplos do mesmo blog, o também polêmico Futepoca: num dos casos, após um post sobre uma ação da Coca-Cola que envolve uma comparação entre Maradona e Biro-Biro, os editores acharam melhor retirar o post do ar e pedir desculpas aos seus leitores por ter falado sobre uma campanha publicitária. Um dia antes, porém, eles descrevem uma vodca canadense filtrada com água de icebergs. Eu perguntei a eles se eles achavam que não havia um centavo de investimento em comunicação desta vodca, para que este fato de ela ser filtrada com água de iceberg se torna-se pauta, ou se eles estariam julgando o tamanho das empresas, postando algo de uma empresa menor e limando a toda-poderosa Coca-Cola da brincadeira.
Em qualquer um dos casos, soa-me inocência (resposta inclusive nos comentários daquele blog). Mas que o diálogo continue: a mim, só interessa a maturidade que, aos poucos, esta área está criando. Tanto as empresas quanto os novos veículos de mídia deste século.
*errata: no post original, faltou a palavra “não”. Um ruído enorme, claro, porque a frase ficava sem sentido no texto. “indica que teríamos que ser muito inocentes para acreditar que o que conhecemos por informação e cultura não tem uma influência severa dos departamentos de marketing deste mundão de Deus” é a leitura correta.
categorias: Aleatoriosfera, Internet, Opinião, Publicidade
Qual é o sabor da pizza?
Escrito em 16/04/2008 | 6 comentários | Permalink

Obviamente, não se trata de um post gastronômico, mas sim de uma metáfora para explicar as minhas impressões atuais deste mercado ao qual voltei, aquele que envolve o que por aí ganhou uma porção de nomes, denominações que indicam o caminho das crenças e de parte da atuação de seus autores: já ouvi below the line, guerrilha, marketing viral, inteligência digital, novas mídias, no-media, redes e mídias sociais e por aí vai. Não que eu esteja querendo pegar uma série de atuações e colocá-las como farinha do mesmo saco, longe disso. A questão é que são tantos os nomes e pouca gente parou para entender e pensar de fato dos desdobramentos, atuações, conflitos de interesse e, por fim, no que cada um deles importa para o todo de um emaranhado complexo que é a comunicação. E, claro, servem também para confundir quem vê tudo isto de fora.
E também não coloco todas as empresas do mundo num só saco, determinando que todas investem o que é a média em todos os variados segmentos de comunicação. Fica a constatação de que, no todo, o investimento maior ainda fica para as agências tradicionais de publicidade, por mais que o isto comece a caminhar de forma diferente, principalmente lá fora.
Dito isto, o óbvio que salta é que todas as especialidades do mercado de comunicação não-tradicional não têm uma pizza para dividir, e sim alguns pedaços dela. É até meio besta, mas serviu para eu pensar um pouco a respeito do que ouvi na semana passada sobre uma das modalidades que come um pouco da borda da pizza: os blogueiros. Falávamos sobre algumas questões pontuais deste agora mercado e uma declaração sobre já estarmos vivendo uma bolha me incomodou (no sentido de me tirar da acomodação da concordância).
Por um lado, os números animam. Nunca na história deste país se deu tanta importância aos blogueiros. Audiência consolidada, tanto pela Long Tail, que explica no gráfico como o fato de “bombar” na blogosfera atinge mais pessoas que um anúncio na Veja, quanto por alguns exemplos de blogs com audiências dignas de algumas revistas e jornais. Isto gerou uma série de investimentos neles. Grana entrando, ex-escritores-de-diários-adolescentes ganhando a alcunha de empresários, consultores e o escambau. Se eu estivesse ali, também desconfiaria: parece bolha.
Entretanto, e aí vai um pensamento raramente otimista deste que vos escreve, os investimentos estão longe de ser considerados altos. Saborearemos o momento em que, por exemplo, as agências de publicidade terão que ter em suas equipes uma pessoa pelo menos em cada departamento que saiba lidar com esta realidade. Talvez não só com blogs, mas com uma inteligência digital que abrange a forma de se fazer propaganda em qualquer mídia e comunicação a qualquer custo. Chegará o dia em que toda a conta de uma determinada empresa, ou pelo menos a maior parte dela, deixará uma agência tradicional e se instalará numa agência modernete. E eu nem falei nada sobre Relações Públicas ou Jornalismo. Tampouco pisei no campo dos produtores de conteúdo como os estúdios de filmes e séries, as bandas de música, etc.
Até lá, a história ensinou que o processo de evolução e amadurecimento nem sempre é algo que acontece para todos e ao mesmo tempo, tornando-o cruel aos desfavorecidos. É possível que o primeiro fator de seleção seja aquele que apontar uma saída ética para o retorno financeiro de quem investir. Talvez seja a formação de grandes grupos de mídia blogueira. Talvez seja quem sobreviver quando o grau de impacto de um post exigir responsabilidade proporcional. Talvez não seja nada disso, mas uma coisa é certa: vai mudar. Você não pode querer mudar o mundo achando que o mundo não vai mudar você.
Do contrário, comeremos borda achando que estamos comendo a pizza. Para sempre.
categorias: Aleatoriosfera, Internet, Opinião, Publicidade
Um bocado mais offline?
Escrito em 14/04/2008 | 1 comentário | Permalink

A ex-chefia, tirando um sarro com a melhor das intenções, anunciou o motivo de não haver nenhum post desde o domingo passado e até poucas twittadas durante a semana: minha mudança de emprego. Mudei, fui bem recepcionado, estou tranqüilo e feliz, mas agora é pra valer. Algo como “No Twitter, Yes PowerPoint”.
Surge um desafio para este blog: conseguir manter postagens e assuntos num ritmo diferente de trabalho. Eu acredito que conseguirei, até porque continuo trabalhando perto das discussões aleatoriosféricas, e agora, ainda mais imerso neste mundo fascinante das mídias sociais. Ganhei também um novo endereço para postar coisas bacanas que eu vejo por aí: http://booked.tumblr.com, junto com um jovem time de feras.
Torçam por mim e por este blog! =)
categorias: Aleatoriosfera, Corporativo
Yassuda entrevista Wagner Brenner
Escrito em 17/03/2008 | 3 comentários | Permalink

Na semana passada, em meio a um turbilhão de discussões sobre modelos de negócio em blogs, publicidade e outras questões afins, fiz algumas perguntas ao Wagner Brenner, fundador do Update or Die. Eu já havia citado o modelo deles como um bom exemplo de negócio durante alguns debates, mas nada mais justo do que perguntar ao próprio Wagner sobre o funcionamento da máquina.
Apesar de curta, acredito que a entrevista tem algumas informações novas ao público. Outras já são bem conhecidas: as palavras mudam, mas tudo o que tem relação com relevância é o que qualquer um aponta como fator de sucesso. Vai acabar virando livro de auto-ajuda, porque o coro já é grande.
Vou parar com os meus devaneios. Segue na íntegra a entrevista. Com a palavra, Wagner Brenner:
categorias: Aleatoriosfera, Entrevista, Internet, Publicidade
Anteriorr 2008 - tecnologia e papinhos ultrapassados
Escrito em 11/03/2008 | 7 comentários | Permalink

Como protesto pelo fato de não conseguir credenciais de imprensa para o Proxxima ou por pura falta do que fazer, os twitteiros de plantão começaram a “cobrir” o Anteriorr.
O Anteriorr é um evento que discute coisas que irão revolucionar a sua vida se você está nos anos 80 e 90. Há hackers de plantão ensinando você a conseguir horas infinitas de Internet com um CD da AOL, palestras relevantes sobre Windows 95, construção de homesites no Microsoft Word e, seguindo os moldes da Campus Party, todos usufruem de um link de 56kbps para baixar tudo o que conseguirem no Napster.
Acompanhe tudo ao vivo aqui.
categorias: Aleatoriosfera, Ao vivo, Colaborativo, Eventos, Internet
As agências de publicidade e a propaganda nos blogs
Escrito em 06/03/2008 | 14 comentários | Permalink

Eu falei sobre este ponto durante algumas discussões com blogueiros quando o assunto era publicidade em blogs. E este post do Futepoca no final da semana passada fez com que eu pensasse em mais alguns pitacos a respeito do assunto, no que diz respeito a uma entidade que poucos blogueiros conhecem mais a fundo: a agência de publicidade ou de marketing diferenciado.
Primeiramente, tenho que começar falando sobre o Conar, Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária. Nasceu porque o governo ameaçou legislar sobre a prática publicitária nos anos 70 e, portanto, colocar regras de controle à prática das agências. Assim, elas se juntaram e elaboraram um código de conduta que, em tese, é respeitada por todas as afiliadas, ainda que não tenha força de lei.
E onde os blogs entram nesta brincadeira?
Independentemente da editoria de um blog, a agência a tratará como veículo. Existem dois grandes grupos de abordagens de uma agência a um veículo: ela pode fazer um trabalho de RP, em que um release é enviado com o intuito de sugerir ao editor um assunto que inclua o seu cliente. Por exemplo: a agência envia a jornais, aos cuidados da editoria de cultura, um release sobre uma exposição patrocinada por uma marca. Junto, algumas declarações do presidente desta marca, dizendo como é importante patrocinar exposições e blablablá. Creio que um jornalista poderia explicar melhor até em que ponto ele pode ou não aceitar uma abordagem dessas. O Futepoca colocou alguns destes pontos no post mencionado.
O outro tipo de abordagem é a publicitária. Aqui, a agência propõe a compra de um espaço no veículo. Vamos nos lembrar que toda a discussão sobre se o blogueiro deve ou não aceitar vender o conteúdo ou mesmo identificar um post como patrocinado cabe ao seu editor, uma vez que não há nada perto de um código de ética de classe. Mas há como cobrar das agências a ética que o Conar prega. Ficará mais fácil de entender se eu explicar alguns artigos do Código de Auto-regulamentação Publicitária:
Dado ao pagamento feito pela agência, um post patrocinado é, portanto, publicidade. Continuamos com o código:
pagamento, deve ser apropriadamente identificada para que se distinga das matérias editoriais e não confunda o Consumidor.
Dada a qualidade dos leitores deste blog, creio que não preciso explicar cada artigo.
Cobro aqui as agências para respeitarem o seu próprio código de conduta no tratamento para com os blogueiros. E aos blogueiros que se perguntarem em relação às questões éticas da publicidade em seus sites, este pequeno conhecimento do código deve ajudar a tomar decisões acertadas tanto para o relacionamento com o pessoal do dinheiro quanto com os seus leitores.
categorias: Aleatoriosfera, Opinião, Publicidade











