Sobre listas e mensuração de blogs

01/12/2008 | 6 comentários | Permalink |

graficos

Durante os últimos dias, apesar de estar comentando muito pouco sobre tudo por causa de um semestre bem atarefado, assisti aos tiros mirados contra o novo sistema de ranqueamento do serviço BlogBlogs. Para quem convive pouco com a blogaiada, explico que trata-se de um serviço bem semelhante ao do Technorati, com foco em blogs brasileiros. Ele cataloga os blogs e seus respectivos posts e ainda ajuda a identificar quem linka o seu blog ou lhe apresenta quando você linka o blog de alguém. Utilizando estes dados, ele estipula uma espécie de autoridade, ranqueando os blogs cadastrados em seu sistema pelo número de links diferentes recebidos.

Os tiros aconteceram quando o sistema modificou um parâmetro importante: a idade do link recebido, coisa que faz sentido à primeira vista se imaginarmos que sites relevantes recebem links novos todos os dias pela web afora. Seria uma forma de premiar aqueles que se mantém relevantes ao longo do tempo frente àqueles que conseguiram um flight de destaque e depois nunca mais se ouviu falar. Nada aconteceria se alguns espertinhos não tivessem lançado uma campanha intitulada “Mamãe, eu quero subir no ranking do BlogBlogs“, alçando-os neste flight inicial aos primeiros postos do ranking, enquanto os líderes originais perderam alguns links mais antigos e caíram severamente na classificação.

O resultado: revolta. Então basta estes maninhos repetirem a fórmula a cada seis meses (quando um link contabilizado para o ranking expira) e correr para o abraço? Um bando de blogueiros de menor expressão poderia “derrubar os gigantes”?

A priori, esta não é uma discussão cabível. Melhor dizendo: para mim, tanto faz se o blogueiro profissional perder posição para um blog pequeno ou se tudo ficar como estava antes no BlogBlogs. Isoladamente, isto significa pouca coisa. O que passei a observar com mais cuidado são os rumos deste lance de mensuração e relevância blogórica, coisas que, aí sim, geram contratos e, portanto, dinheiro.

Voltando ao exemplo do BlogBlogs, eu conversava com o Caio Novaes, uma pessoa que geralmente discorda do que eu penso, mas que estava extremamente confortável com tais mudanças. Então concordamos, uma rara ocasião. No meio da discussão em que eu perguntava e me perguntava se a atitude dos blogs que embarcaram no meme para subir no ranking era válida, lembrei-me de que meme, como conceito, é algo que ajudou a destacar um pequeno número de blogueiros. Cada mapa da blogosfera que surgiu ajudou a construir a relavância de alguns. É romântico demais afirmar que trata-se de um processo de dar link a quem merece. Não é bem assim. Que atire a primeira pedra quem jamais ganhou link em blog por motivos muito mais ligados à camaradagem do que ao conteúdo. E eu nem comecei a falar de grana.

Não há um único sistema no mundo que possa distinguir camaradagem de relevância. É por isso que episódios como o do BlogBlogs não podem ser entendidos de maneira isolada: porque não deveríamos, desde o começo, entender o ranking do BlogBlogs de maneira isolada. Entender o fenômeno blog como a história dos maiores e melhores é balela. O que é aproveitável de um ranking é: conhecer os listados que ainda não se conhecia e tirar as suas próprias conclusões, para os mais diferentes fins.

O motivo para não se criticar o meme dos “pequenos” é que todo mundo já fez meme um dia. E todo mundo já foi pequeno. E estes que um dia já foram pequenos apoiaram-se no volume de uma porção de outros blogs espalhados pela web para mostrar que podem construir algo que efetivamente venha à opinião pública (esta é uma verdade mais gringa do que brasileira, mas até aceitável).

Sem falar que o organismo blogosfera faz muito sentido quando se defende, mas pouquíssimo para manter-se organizado como feudo sem uma ameaça aparente. A melhor metáfora para entender este ponto é um atropelamento de motoboy: quando acontece um, todos os que estiverem por perto rapidamente se mobilizam porque todos ali utilizam a ferramenta e o acidente poderia ter sido com eles. Juntos, eles exigem mais respeito do motorista que agiu mal do que individualmente. Mas, no dia-a-dia, uma frota de motoboys andando em grupo até atrapalha o trabalho deles, já que cada um tem que ir para um canto da cidade. Não faz sentido. A variedade de editorias não permite que eu diga que um blog é mais relevante que o outro, ou que um é maior que o outro.

Ainda sobre a esquizofrenia deste organismo, tampouco faz sentido trabalhar de porteiro, escolhendo os blogueiros por, por exemplo, não pertencer ao apanhado de blogs das estrelas da Globo. Se daqui um ano o Merigo abandonar os posts para investir exclusivamente nos videocasts, ele perde relavância? Porque eu acho que blogueiro ele não será mais. E o pobre do Eri Johnson não merece ser chamado de blogueiro mantendo-se fiel às publicações?

Mas, para não dizer que descarto todas estas manifestações, afirmo que as vejo como indicadores. Ser eleito o melhor ou o pior blog do Brasil não significa nada, mas pode indicar algumas coisas sobre exposição destes sites, público, conteúdo e forma de apresentação, por exemplo. E acidentes de percurso, como o caso BlogBlogs, indicam outras coisas, como não acreditar isoladamente nem neles, nem em Page Rank, nem em número de visitas e nem no que se anda vendendo por aí como relevância.

categorias: Aleatoriosfera, Opinião

 

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