Esporromania

Escrito em 24/11/2008 | | Permalink |

nosoup

Em um de nossos almoços corporativos animados e saudáveis, levei os amigos Filipe Lago, Ana Paula e Andréa Hiranaka a um delicioso e escondido recanto da comida japonesa roots, aquela que não é composta somente por sushis e sashimis. O lugar é conhecido por alguns apreciadores da gastronomia nipônica (aqui e aqui), mas o pessoal do trabalho chama o estabelecimento de “Japa que Grita”, apelido carinhoso que a dona do restaurante recebeu pelo seu tom de voz pouco doce.

Na verdade, não é a intenção dela brigar com os clientes, mas o tom de voz sempre faz parecer que todo mundo que por lá come toma um “esporro”. Desta vez, por exemplo, os amigos testemunharam o esporro que eu levei por ter comido demais em um almoço por lá há alguns meses.

O Filipe bem lembrou do vendedor de sopas do Seinfeld, famoso pela fala “No soup for you! Next!”. É engraçado notar que os personagens aceitam os esporros pela boa sopa do homem, até que as receitas são descobertas. Então comecei a me lembrar também dos esporros que já tomei no barbeiro onde corto o cabelo, um dos mais tradicionais da Vila Mariana, e de histórias sobre esporros dados por uma sorte de prestadores de serviços.

O esporro parece fazer parte, portanto, de uma experiência antropológica entre as pessoas e os estabelecimentos roots e a posterior experiência de elencar o que é bacana para os seus amiguinhos. É um quesito necessário para que uma pessoa possa dizer por aí que freqüenta um certo estabelecimento e que pertence àquele mundo. Comer e tomar um esporro no restaurante japonês a coloca como “Nihon food setter” do nicho de quem gosta de comida japonesa: dá motivo suficiente para chamar os pobres mortais que só conhecem os rodízios de sushi de “sissy players” e a coloca num seleto clube de pessoas que sabem o que é teishoku, domburi, natoo ou takenoko e desdenham de sashimis de salmão, optando sempre por tako. E tudo isso porque agüentou o esporro, afinal, não sabe brincar, não desce pro play, como se diz no popular.

Além disso, podemos tratar o esporro como USP (Unique Selling Proposition, não Universidade de São Paulo) de locais tradicionais, que não precisam entrar na onda de tendências como tratar o cliente como rei porque a sua empresa está nua. Pura balela. A comida do restaurante é tão boa que o dono garante que você vai falar bem de lá em seu blog, justamente porque ele lhe deu um belo esporro antes de sua partida, aumentando o awareness de sua refeição. Quantas vezes você se pergunta onde almoçou ou jantou, nunca consegue se lembrar e provavelmente a resposta é algum lugar que bem lhe atendeu?

Mal posso esperar para saborear um teishoku novamente no Waka. E, claro, levar um esporro caso decida pedir um yakisoba extra. Até lá, podemos todos aproveitar o serviço do Disque Esporro. Ou ainda compartilhar nos comentários outros locais igualmente fascinantes.

No soup for you all. Next!

 

3 comentários para “Esporromania”

 

ap comenta:

24/11/2008 às 2:03 pm

O esporro de hoje de Dna. Hiroko foi quanto a permanência no 2o andar: “Só 45 min! E tira o sapato, viu? VIU?” XD

 

MaWá comenta:

24/11/2008 às 3:31 pm

Hahaha eu conheço esse japa da Brigadeiro e tenho um medinho/adrelina de ir lá. O teishoku é uma delícia. Ouvi falar de um outro lugar com teishoku bacana. Vou procurar o nome e te aviso.

Ah, no mesmo conceito de comidas regionais btl, no-media, alternativa ou como quiser chamar, tem o Hong He trazendo um macarrão ensopado de ótima qualidade. Ou seria um noodle soup? Enfim, fica na Rua da Glória e é genial.

Beijocas

 

Luiz Yassuda comenta:

24/11/2008 às 3:42 pm

Mas, MaWá, no Hong He, que é sensacional de fato, o chinês que faz o show de macarrão ao vivo não dá esporro em ninguém hehe

 

 

 

|

Clicky Web Analytics