Alternativa profissional (7): jogador de futebol

10/09/2008 | 1 comentário | Permalink |

futebol

Arthur Miró! Diga lá, menino, o que é que você quer ser quando crescer?
- Eu quero ser jogador de futebol. Jogador de futebol!
(Jorge Ben)

Eu não falaria do sonho do menino brasileiro de se tornar um futebolista famoso se não fosse um spam recebido ontem. Alguém que se anuncia como empresário de futebol enviou-me um convite para uma peneira, garantindo ter contatos em times da Europa e Oriente Médio. A melhor parte do e-mail foi chamar-me de “jovem jogador”. Em breve relato as minhas experiências lá na peneira junto com a criançada, mas enquanto isso, segue mais um post de nossa heróica saga sobre possibilidades de trabalho ao publicitário desiludido.

Por que você quer ser um jogador de futebol?

Razões não faltam para uma pessoa sonhar em viver do futebol. É o grande esporte da mídia, o grande espetáculo vendido a bilhões de pessoas no mundo. Lembram-se daquele papo sobre Rock Star? Então: o caso do jogador de futebol é todo este estrelismo elevado ao quadrado. Todo o desejo de glamour para a vida, de dinheiro e poder, incluindo pessoas dizendo que você é um grande herói. Quem não iria querer?

Fora isso, jogar futebol é uma atividade que é extremamente divertida. Quem não gosta de bater uma bolinha naquela reunião dos amigos, com direito a churrasco e cerveja? Imagine ganhar um troco com isso?

Porém…

Eu já falei sobre o papo do “dom” de ser criativo. Mas futebolisticamente falando, o jogador deve realmente ter algum dom, ou melhor, ter noção do que fazer com a bola considerando variáveis como distância do gol, velocidade da bola, força do zagueiro, posição do pé, possíveis buracos no gramado, em CNTP ou não (quando o jogo é em La Paz, por exemplo). Você pode chamar o Pelé para tentar lhe ensinar, mas acho pouco provável que simplesmente você desenvolva isso.

Mas não tem problema: assim como uma agência de publicidade tem vagas para quem não nasceu com o “dom” da criação, o time de futebol tem vagas para pessoas com habilidade duvidosa. O problema é que para cada cem atacantes que são vendidos para a Europa e conseguem um bom salário, deve surgir uns cinco volantes sob a mesma condição. A proporção de zagueiros bem sucedidos deve ser ainda menor.

Em todo caso, os salários até que atraem, mas muito antes dos 40 anos, você já não vai agüentar o tranco da profissão e pendurará as chuteiras. Aí, você tem duas opções: ou vira técnico/cartola/empresário e continua na “área”, algo que pode ser comparado a ser diretor de agência ou efetivamente dono de uma, únicos postos em publicidade onde se encontram profissionais com mais de 40 anos de idade; ou você se vira: uns viram jornalistas esportivos, outros viram donos de boteco (eita sonho persistente).

Além disso, já se foi o tempo do boleiro boêmio. Hoje em dia, o futebolista é um atleta em ótimo preparo físico. Um craque como o Sócrates, que não corria por mais de 10 minutos em campo, não teria vez no esquema de hoje no futebol. Você pode notar que jogar futebol é um mercado como qualquer outro: exige que você seja atleta, aprenda uma(s) nova(s) língua(s) dependendo dos times que fizerem a contratação, submeta-se à cobrança de técnico, diretoria e ainda torcida. Ah, sim, quando o salário chega, mais gente que apenas o Estado e o Sindicato abocanham o dinheiro conquistado com suor literal: agente, procurador 1, procurador 2, empresário 3… Coisa de louco.

Não dá saudades daqueles tempos em que o futebol era outro, quando se amarrava cachorro com lingüiça e você ainda sonhava com um troféu francês para premiar o seu trabalho?

Acompanhe todas da série Alternativa profissional neste link.

categorias: Comportamento, Corporativo, Futebol, Publicidade

 

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