E quem diria que uma das boas lições do BlogCamp seria dada por uma miguxa?

Escrito em 01/09/2008 | | Permalink |

ImageShack

Como eu disse no post anterior, aconteceu no último fim de semana o BlogCamp São Paulo, que contou com uma forte participação do público blogueiro, superlotando o Espaço Gafanhoto. O meu resumo do primeiro dia de evento é este: toda e qualquer discussão que valia a pena estava lotada, sem qualquer condição de abrigar-me. Espero ansioso apenas os posts sobre a discussão que colocou frente a frente os discursos de três agências que lidam com Social Media de maneiras distintas, cujos interlocutores foram Wagner Fontoura, Wagner Martins e Guilherme Valadares.

No domingo, o número de pessoas diminuiu, o que possibilitou rodas menores, mas de discussão igualmente intensa. Sugeri, em tom jocoso, é verdade, uma discussão sobre blogs miguxos, uma provocação a toda e qualquer roda de profissionalização dos blogs.

ImageShack
Foto da desconferência miguxa. Valeu, Pedro.

E não é que a discussão engrenou? Antes mesmo que a discussão caísse para questões socio-culturais que possam explicar o dialeto escrito por estas gurias, discutimos um pouco do universo miguxo, quando a Alê Félix provocou: “vocês menosprezam as miguxas”.

O ponto dela era claro e interessa a quem quer entender ou propor melhores práticas de comunicação em qualquer contexto 2.0: a miguxa tem uma característica marcante em suas expressões na web, que marcam uma espécie de tribo. A linguagem estabelecida pelos garotos e garotas nesta fase da vida tem a cara da adolescência, da busca de identificação com um grupo, da busca por ícones, etc. Entretanto, olhar apenas para este aspecto não é olhar o pacote por dentro: não é porque a miguxa escreve de maneira peculiar que necessariamente ela seja uma pessoa que não leia, não estude e não tenha discernimento algum.

“O maior erro é taxar a miguxa de analfabeta”

A adolescência é uma fase. Depois de alguns anos, aquelas garotas idealistas de 15 anos tornam-se profissionais, consumidoras efetivas, quem sabe formadoras de opinião de seus grupos. Os motivos para cativá-las ainda na fase miguxa se devem a duas características fortes do grupo:

- Fidelidade: o público é cativo das redes que estabelece. Em outras palavras, ser cordial em uma publicação com este público pode lhe render leitoras muito fiéis. A miguxa é aquela que lê o seu blog de cabo a rabo, mesmo quando descobre o endereço no terceiro aniversário de site.

- Respeito: Tratá-las de igual para igual dá exemplo para meninas que buscam ícones de comportamento. A miguxa, quando cresce, mantém um profundo respeito por aqueles que a trataram com respeito em sua fase anterior. O português melhora, a fidelidade é mantida e você tem ao lado uma aliada tão capaz quanto qualquer pessoa.

Uma vez que a miguxa torna-se, então, um público interessante para direcionar a comunicação, principalmente quando temos em mãos um produto cujo target é ela, como é que se desce do pedestal do “eu trabalho com Social Media” para efetivamente dialogar com as meninas? Lembre-se que é um público que está interessado em histórias, não no evento ao qual o blogueiro foi convidado e em qual marca patrocinou o boca-livre. De repente, uma ação como aquela em que a Melissa contratou 4 usuárias do Fotolog para serem embaixadoras da marca no mundo da moda soa bem mais interessante do que as piadas de quem olhou com um certo desprezo para este público (eu me incluo neste grupo). E claro, para a miguxa, uma ação em que efetivamente a garota com quem ela convive torna-se a porta-voz de um assunto complexo explicado de maneira simplificada será infinitamente mais valiosa do que uma gracinha aleatória no YouTube.

Numa tacada só, o mundo miguxo dá uma aula de adequação ao público e de relacionamento com o target e sua fidelização para quem quiser ver um pouco mais de perto. Palavras óbvias no discurso, mas que andam passando longe da prática. Pela lição, eu digo: BrIgAdUuUuUuUu, MeNiNaXxXxXx!

 

14 comentários para “E quem diria que uma das boas lições do BlogCamp seria dada por uma miguxa?”

 

Atila comenta:

01/09/2008 à 3:40 pm

Tenho que concordar que a Alê mudou a cabeça de muita gente nessa hora… a galera ficou até meio sem fala.

 

Tonobohn comenta:

01/09/2008 à 6:41 pm

A Ale tem toda razao do mundo. Relevancia e o poder de influencia que voce tem. E um blog de miguxos influencia mais gente que muito blog pomposo por ai.

O conteduo e relevante para o publico que se propoe alcançar e nos que trabalhamos com Midia social, precisamos aprender a nos comunicar com elas.

Mandou bem Yassuda! Abraço

 

Carol comenta:

01/09/2008 à 9:18 pm

A Alê deu um show, fato!

Beijo.

 

Notícias do BlogCamp #1 - No susto! » Ladybug Brasil - Sobrevôos, descobertas, achados. comenta:

03/09/2008 à 1:31 pm

[...] umas 50-60 pessoas (contra os quase 200 que passaram no sábado) e mais conversas. Alê Félix e Yassuda puxaram uma roda que se provou múltipla: começou com miguxos, passou pelo Bê-a-Blog, chegou ao [...]

 

Swan Yuki comenta:

04/09/2008 à 9:21 am

Esclarecedor! Valeu Yassuda! Valeu Alê (que a propósito eu não conheço).
Valeu mesmo por compartilhar!

[s]

 

Rede social é um bom negócio | Boombust comenta:

04/09/2008 à 11:52 am

[...] de me encontrar com agências diversas em outro evento ocorrido em SP, no final de semana passado - o Blogcamp - onde minha participação praticamente se restringiu a bradar pelo “simancol” por [...]

 

Ale Rocha comenta:

04/09/2008 à 12:25 pm

Infelizmente, muitos blogueiros que se dizem respeitáveis são preconceituosos. Com dificuldade de lidar com um público que não se expressa ou pensa como eles, preferem ignorar e fazer chacota. Só que isso não leva a nada. Já vi gente dizer até que é contra a inclusão digital, uma barbaridade enorme!

Vence e cresce quem souber lidar com uma parcela maior de pessoas. Para isso é preciso ser heterogêneo. E parece que muita gente tem preguiça de fazer isso.

 

Pedro Villalobos comenta:

05/09/2008 à 9:51 am

Realmente rolou uma analise interessante sobre esse perfil de pessoas (e não são só meninas) que acabam por compor boa parte dos usuários de internet.
Acho que agora também vou olhar com mais atenção e cuidado para este grupo =)

 

Roney Belhassof comenta:

05/09/2008 à 9:51 am

Se o lance do blogueiro é ganhar dinheiro com o blog é idiotice menosprezar as miguxas, aliás quem faz blog para ganhar dinheiro não tem que se preocupar com o valor moral ou cultura de quem o lê e sim com poder aquisitivo e sede consumista!

Patricinhas, mauricinhos, pitboys (consumidores vorazes de complementos alimentares), fascistas (prováveis compradores de armas que são artigos caros) adolescentes carentes (compradores de QQ coisa para preencher o vazio) e outros grupos devem ser alvo da atenção do blogueiro monetizador!

Agora, isso não tem nada a ver com o que a gente acha destes grupos…

Eu adoro jovens, acho que a grande maioria das pessoas só vive até os 24 e depois se acomoda deixando de ser questionador, inovador, subversor, mas não gosto dos miguxos…

Isso não quer dizer que os menosprezo afinal os que são adolescentes ainda tem uma longa jornada até os 25 (já os miguxos de 30, 40, 50 anos eu menosprezo sim! E são comuns!!!)

Não menosprezar não significa que penso neles ao escrever. Meu blog não tem o menor foco em monetização (o máximo que faço é ter parcerias para DVDs e livros que indico) e escrevo lá sobre o que eu acho que tenho de importante para compartilhar ou o que me dá prazer escrever.

Pelos miguxos que me visitam tenho a impressão que eles são de dois grupos: infantilizados e mal alfabetizados.

O segundo grupo dispensa explicação: ele lê o post, não entende e faz um comentário que deixa isso claro. Procuro ser simpático com eles pois analfabetismo funcional já é ruim demais e a pessoa não prcisa ainda por cima ser maltratada!

O primeiro grupo eu já trato com mais carinho (e parece ser o mais comum pelo que vejo no seu post) porque eles vão seguir provavelmente dois caminhos: se tornarão adultos infantilizados o que é péssimo (os miguxos de 40) ou vão sofrer muito sendo obrigados a amadurecer.

Uma vez obrigados a amadurecer podem se tornar grandes adultos ou adultos enderecidos… Tratá-los com respeito e carinho pode aumentar as chances de se tornarem grandes adultos.

Agora… Achar o movimento miguxo bom eu não consigo achar… Só se for do ponto de vista da exploração consumista que, na minha opinião, não lhes faz qq bem.

Roney, acho que miguxo não é todo ser humano que escreve errado na Internet, e sim um público bem específico. O fato de existir gente de 40 anos que se comunica como eles é uma dica de que temos que olhar com mais cuidado para o comportamento deste grupo, o das jovens moçoilas adolescentes. Se você já as trata minimamente com algum respeito, ponto para você. Não é o padrão. E sem definir “consumismo” como malvadeza: todo mundo consome e este blog é mantido por um pseudo-publicitário. É óbvio que vou acabar focando em comunicação mercadológica. =)

 

Aposto que blogs podem funcionar como PA de atendimento ao cliente. - Blog do Ca’bianca comenta:

05/09/2008 à 1:49 pm

[...] fazer para um blog ser rentável, se pode ou não conter publicidade - o que foi muito debatido no último BlogCampSP, onde eu estive com o objetivo de ouvir muito mais do que falar - é importante sair do quadrado [...]

 

Ale Felix comenta:

11/09/2008 à 2:50 am

Queridão, só pra me exibir! :-)

http://www.alefelix.com.br/arquivo/2008/09/isis_cresceu_e.html

 

Luli Radfahrer comenta:

13/09/2008 à 1:24 pm

Muito interessante seu post sobre o Miguxês. A menina está certíssima, mesmo que seja mais por um feeling que por qualquer outra razão digamos assim, científica.
Não é preciso um grande conhecimento de sociolingüística para se perceber que a forma com que o indivíduo se comunica está diretamente ligada à sua manifestação de identidade. Essa relação da linguagem com a personalidade vai muito além da gíria: a forma com que você fala com seus amigos costume ser bem diferente da forma com que fala com o porteiro do prédio, com seu sogro, com um policial etc. Praticamente cada palavra ou construção verbal que se usa pode ser falada de diversas formas; é o ambiente social que faz a escolha.
Isso também se aplica a jargões, termos técnicos e, claaaaro, às gírias. Não consigo entender por que as mesmas pessoas que se permitem uma abordagem criativa da língua (em expressões muito herméticas como “blogar” ou “tuitar” ou no uso indiscriminado de acrônimos tipo “giga” ou MMORPG) têm tanta implicância com aqueles que levam ao pé da letra a interpretação livre dos vocábulos.
Qualquer que seja o motivo para isso - ignorância, preconceito ou simplesmente falta de consideração - vale um alerta. Em um mundo cada vez mais imaterial, a linguagem se torna a cada dia mais parecida com a moda. A forma com que se fala e a forma com que se veste estão cada vez mais indissociáveis.
Em resumo: você pode até vestir terno todos os dias, se quiser. É seu estilo e ninguém tem nada com isso. O que você não pode é obrigar todos os que o cercam a fazer o mesmo.
Você sabe do que estou falando, Yayá. Um dia já o convenci a dar uma segunda chance ao Twitter. Valeu a pena, não?

 

Meu passado me condena. Mas ainda bem que mudei pra melhor. | Sem título ainda... comenta:

21/09/2008 à 11:34 pm

[...] confirmei uma das discussões da BlogCamp SP, que não participei infelizmente, mas acompanhei: O miguxo de hoje, pode ser o profissional, consumidor e formador de opinião de amanhã (do excelente Blog do [...]

 

Eventos que rolaram nos últimos meses » Tecnocracia : Estado Tecnológico comenta:

16/10/2008 à 12:24 am

[...] relatos na Lúcia, Cobra, Lu Monte, .faso, Yassuda, outros blogs e fotos do [...]

 

 

 

|