Numa reunião de brainstorm

13/08/2008 | 6 comentários | Permalink |

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Antes de mais nada, algo sobre o que é o brainstorm:

“A idéia do brainstorm foi desenvolvida nos anos 30 por Alex Faickney Osborne, o ‘O’ da BBDO, (…) e popularizada em um livro que ele escreveu sobre o assunto, chamado Applied Imagination. Osborne acreditava que quando se está criando idéias, quantidade faz surgir qualidade – que se você conseguir gerar idéias suficientes, em algum lugar no meio de toda a porcaria tem ouro em pó.” Richard Huntington, em texto intitulado The brainstorm – a trojan horse of mediocrity, disponibilizado em português há muito tempo pelo Estalo.

Não me considerem um pessimista, mas é fato que o que se vê por aí é desesperador. Numa metáfora que o Merigo utiliza, reunião de brainstorm, em diversas oportunidades, é como uma bola alçada na área, com todo mundo se jogando de peixinho, ou para marcar um gol, ou para cavar um pênalti. Pior: a prática de todo mundo se jogar na área é incentivada. Não nego que um brainstorm pode render idéias. O problema é quando toda reunião em que você está vira uma reunião dessas. Imagine um monte de Ronaldinhos se jogando na área para aprovar orçamento, plano de mídia, apresentação para cliente, metas do marketing, etc.

Conto algumas dessas deliciosas histórias. Algumas aconteceram comigo, outras com amigos. Ou talvez não e todas sejam obra de ficção (de preferência ficção científica) e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

A primeira delas é recente. O script é padrão: representante do cliente liga para a agência, querendo marcar reunião para apresentar um briefing e aguardar uma proposta. O atendimento colhe algumas primeiras informações e chega à sede da corporação na hora marcada. Entra então em uma sala com os diretores, supervisores e gerentes. Só cacique. Passada meia-hora, contada em xícaras de café vazias em cima da mesa, o atendimento conclui que não sairá da sala com um briefing, afinal o departamento de marketing ali presente sabia que as metas de venda aumentaram, mas não sabiam muito bem o que pedir para a agência. Não prepararam nenhum papel, nem apresentação. Nada. A deixa do cliente para o atendimento foi “o que você acha que nós devemos fazer?”

A partir de então, começou um brainstorm de análises de ameaças e possibilidades, de posicionamento do produto, etc. Tanto cacique para tão pouca informação previamente definida. Um monte de gente se jogando na área: “e se adotássemos uma linha mais cool, visando os jovens?”, “e se adotássemos uma linha tradicional para atingir os tradicionalistas?”, “podemos determinar o target como 18-50 anos, classe ABC, ambos os sexos?”, e por aí vai. Deve ser culpa da colaboratividade que a web pressupõe hoje. Aí todo mundo quer que o resto colabore num trabalho cujo único responsável não tem ânimo ou competência para executar.

Uma outra reunião genial aconteceu há mais tempo. Após inúmeras outras em que se definiram as linhas criativas da campanha, cada uma das agências foi para a sua “casa” planejar as ações que lhe cabiam. No caso, eram as agências de ATL e BTL, numa separação menos modernete. Os senhores da agência BTL pegaram as linhas criativas propostas e desenvolveram as ações.

Quando se reuniram novamente, a agência de ATL tinha exatamente nada, mas quem é que quer perder a verba de mídia? Então, ficou acordado que se uma agência não conseguiu entregar seu plano, era melhor refazer a linha criativa e pensar em outras coisas, porque o que não prestava era a linha criativa, e não a agência em questão. O que era para ser uma reunião de apresentação de propostas tornou-se uma intensa pelada entre as equipes criativas e o representante do cliente. Já brincaram de “três dentro, três fora” na infância? Parecido.

Acredito que todos que trabalham na área (ahn, ahn? Sacou? Na área!) têm alguma história parecida. Aproveitem os comentários para me contar os lamentos e, caso estejam quase desistindo, aproveitem para ler um pouco da série de posts sobre outras práticas profissionais.

categorias: Comportamento, Corporativo, Crônicas, Publicidade

 

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