Alternativa profissional (6): líder espiritual
25/08/2008 | 2 comentários | Permalink |

Eu confesso que hesitei por diversas vezes comentar sobre esta opção, mas numa rápida busca pelo Google, percebi que as questões mercadológicas da fé são estudadas e comentadas tranqüilamente pelos praticantes. Então lhes digo: tomai todos e lede, este é o post número 6 da saga sobre alternativas profissionais. Um post que considerará as práticas do líder espiritual.
Por que você quer ser um líder espiritual?
Estas pessoas são cercadas de carisma. Falar para muitos e, basicamente, ser ouvido e entendido (principalmente depois que o Vaticano desobrigou as missas em latim) faz parte do ego alimentado por qualquer publicitário, seja ele praticante ou desertor.
Além disso, você está pensando em dois caminhos: o primeiro pressupõe uma certa missão de levar a palavra divina. Independente de sua crença, evangelizar pessoas, na sua visão, é algo que se faz necessário. O outro caminho, no entanto, é para gente menos idealista e provavelmente com menos fé, como eu: dinheiro. Você pode acreditar que a fé move montanhas e, portanto, consegue mover algumas verdinhas para o seu lado também. Seja em qual caminho você está, é importante que você faça com que seus seguidores acreditem que você trilha o primeiro. Para quem já trabalhou em departamento de marketing e teve que vender sabão em pó como a coisa mais interessante do mundo, é um trabalho até que fácil.
Esta visão é bem retratada na minissérie da Globo intitulada Decadência, escrita por Dias Gomes, exibida em 1995: o personagem principal, vivido por Edson Celulari, é um pobre garoto que, ao passar em frente a uma igrejinha na hora das ofertas, quando alguns fiéis iam até o altar e colocam umas moedinhas num cesto, tem a brilhante idéia de transformar o cesto em caçambas e as moedinhas em notas altas.
Porém…
Primeiramente, é necessário escolher uma das religiões do mundo. Até existe uma onda de se criar novas crenças e seitas muito loucas, mas elas não acabam bem: se acontece nos Estados Unidos, acabam em suicídio coletivo, e se acontece no Brasil, acabam desmentidas num programa da Luciana Gimenez.
Sobram então as religiões existentes, que não são poucas. De cara, mulheres não tem vez. Em nenhuma das religiões existentes. Talvez em um ou outro resquício de crenças em feiticeiras. Em outras religiões, elas ocupam cargos menores. Acho que a única líder espiritual feminina que eu já vi na vida foi a Menina Pastora.
A escolha por religiões orientais faz com que a sua preparação para líder espiritual tenha que ser em locais afastados da maior parte da humanidade e com inúmeras provações durante a estada nestes templos. Se você se identificou com a alternativa de virar hippie, talvez você se encaixe nesta busca pelo nirvana. Talvez. Se a sua intenção for se tornar líder máximo destas religiões, esqueça: você deve ser, na verdade, a reencarnação de algum líder antigo para se candidatar a tal posto. É sério. A China, por exemplo, proibiu os monges budistas de reencarnarem sem autorização do governo. Imagine que o monge, antes de morrer, deveria dizer num guichê e protocolar em algumas vias que reencarnaria no Brasil e que seria você. Ficou difícil.
Então ficamos com as religiões ocidentais, que são três e que foram criadas pelo mesmo povo no Oriente Médio: os hebreus. O cristianismo, o judaísmo e o islamismo têm bases muito semelhantes, mas se separaram e criaram dogmas próprios durante a história da humanidade. Mas voltando às questões mercadológicas, o Brasil conta com uma série de práticas religiosas, mas a maioria esmagadora ainda se divide entre os católicos e os protestantes, ambas ramos do cristianismo. Você pode até ser um líder espiritual que acredita na Long Tail e optar pelas outras duas, mas foquemo-nos no maior número de fiéis em potencial deste país.
Tornar-se um líder católico envolve algo que eu não encararia: castidade. Do padre ao papa, ninguém pode fazer sexo. Pelo menos não abertamente.
No caso do protestantismo, existe algo que poderá atraí-lo: a livre interpretação da Bíblia. Isso acontece para o bem, quando o fiel pode interpretar o que o livro está querendo dizer, ou para o mal, quando alguém quer convencer que videogames, Rock’n Roll e roupas confortáveis são coisa do demônio e que a Bíblia pode provar. Ainda assim, trata-se de uma das escolhas mercadologicamente mais respeitadas, uma vez que provações e sacrifícios não são necessários. Na verdade, tudo o que é necessário, em alguns dos variados tipos de igreja evangélica, é um curso, que envolve noções de administração de empresas e teologia, e capital inicial para abrir a igreja, coisa que deverá ser estudada minuciosamente, incluindo ciências bem terrenas como demografia do local escolhido. Achei este texto que explica um pouco do crescimento dos templos e de como se dá a abertura de uma igreja.
Eis aqui mais uma opção profissional. Até a próxima e amém.
Acompanhe todas da série Alternativa profissional neste link.
categorias: Comportamento, Corporativo, Publicidade



