Alternativa profissional (5): Funcionário público

Escrito em 07/08/2008 | | Permalink

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Continuando a nossa grande viagem por este vasto campo das alternativas profissionais, a profissão a ser comentada é o grande porto seguro do Brasil. Um “mercado” que cresce a cada ano e que chama grande atenção de todo mundo que anda trabalhando demais: o funcionalismo público.

Por que você quer ser um funcionário público?

O seu negócio é ser índio, não cacique. Você reconhece que há gente demais querendo mandar no mundo, coisa que nunca passou pela sua cabeça. Tem até um pouco de relação com a sua escolha pela faculdade de publicidade, quando você almejava ser, no máximo, diretor de área, ainda abaixo dos VPs e CEOs. E mesmo que almejasse ser dono de agência, seria sempre dependente de um cacique maior, o cliente. Que tal ter, então, o maior cacique do Brasil, inclusive para a publicidade (as contas publicitárias das instituições públicas, somadas, colocam os governos como os maiores anunciantes do Brasil), como chefe?

As vantagens são extremamente atrativas: salário inicial bom, estabilidade no cargo (se não sobe, pelo menos não desce jamais), todas as nuances das leis trabalhistas bem respeitadas, poder abrir um processo judicial contra o empregador sem que isto lhe custe a saída de todo o mercado, horário fixo, hora-extra registrada e paga, e por aí vai.

Porém…

Se o funcionalismo público funciona de maneira diferente do mercado, saiba que um verdadeiro mercado se consolidou para levar as pessoas aos cargos almejados: uma indústria de concursos.

É uma matemática até simples: o número de formados em cada universidade de esquina no curso de Direito, elevado ao talento natural das pessoas para ser índio comum. Então subtrai-se o número de aprovados na OAB e obtem-se um número-base de pessoas que estão aptas a duas coisas: mercado informal ou concurso público. As claras vantagens do funcionalismo público fazem de você apenas mais um a concorrer por uma ou outra vaga que abre. E estamos falando das vagas para pessoas com curso superior. Existem também as vagas para pessoas com Ensino Médio Completo, aptas a mais e mais brasileiros.

Todos eles lotarão as salas dos cursinhos, comprarão jornais específicos. Decorarão a Constituição e as citações de algum guru da auto-ajuda. Por uma vaga, você terá que passar por isso.

Passada essa fase, você entrou em seu primeiro cargo. Certo. Se não gostar muito do que faz ou das pessoas que lhe passam tarefas, você pode até optar por fazer corpo mole, mas fará aquilo ou conviverá com estas pessoas por anos e anos. Mas supondo que você goste, não poderá se empolgar muito, porque empolgação não é muito bem vista e uma promoção depende mais do seu tempo de casa, cursos extra-curriculares e resultados em provas internas do que propriamente ser o funcionário mais eficiente. Pode não soar justo, mas num mundo ideal, desprezando-se motivação, talento e eficiência como os exercícios de Física do seu concurso desprezavam o atrito, faz todo o sentido.

Em suma, serão anos com algumas emoções: a cada quatro anos, acontece uma movimentação da alta diretoria das instituições, devido às eleições e possíveis interesses partidários em mudanças. Mudam os caciques, mas o índio continua índio. E um amigo seu da Petrobrás não poderá lhe indicar por lá porque, mesmo que você já tenha passado num concurso da Caixa Econômica Federal, é necessário prestar um novo concurso. Seria como prestar um vestibular toda vez que alguma agência lhe oferecesse um cargo novo.

E eu nem comecei a falar em maracutaias e negociatas. Mas vamos manter o papo no mundo ideal, desprezando politicagens, desvio de verbas públicas, esquemas e atrito, com G = 9,8 m/s². Também não vale nesta suposição que se admita a existência de um funcionário-fantasma, este sonho louco de ganhar dinheiro sem esforço, típico dos spams e dos e-mails pedindo dicas de monetização de blogs…

Acompanhe todas da série Alternativa profissional neste link.

 

8 comentários para “Alternativa profissional (5): Funcionário público”

 

Tarsila comenta:

07/08/2008 à 3:42 pm

Vô tentar essa aí no concurso da petrobrás.

 

Murilo Campos comenta:

07/08/2008 à 5:10 pm

quem presta isso na verdade não quer saber de trabalhar rs.

ainda nao conheco um funcionario publico que gosta do que faz.

[]’s

 

Henrique Artur Wint comenta:

07/08/2008 à 7:00 pm

Funcionário público não seria uma das minhas opções, de certa forma, me parece uma adoção da perda.

 

José Lucas comenta:

08/08/2008 à 4:52 pm

Yassuda: proposta de uma alternativa profissional pra vc analisar - abrir uma pet shop

 

Thais Sumida comenta:

13/08/2008 à 3:08 pm

Yassuda…
Passeador de cachorros e estacionamento…
vc precisa de um bom par de tenis em um, e um cone, um bloco e giz de lousa no outro.

É o futuro

 

Vyvy comenta:

13/08/2008 à 4:57 pm

Sugestão: flanelinha! Fica o dia inteiro de boa, só olhando os carros, “coçando”, ganhando sua graninha… faça as contas de quanto o camarada ganha por hora, por dia, por semana, por mês! rs. Ou então, enólogo! Ficar de boa, só provando vinhos, além de ser chique, e tal… rs

Só tem um problema, Vyvy: o enólogo não pode encher a cara. Jamais.

 

Cescapi comenta:

19/08/2008 à 3:11 pm

Passei no concurso da caixa mas tou em dúvidas se entro ou não!

 

Gabriel Prado comenta:

24/08/2008 à 5:24 pm

Essa série está ampliando meus horizontes, mas minha alternativa profissional preferida ainda é abrir uma igreja.

 

 

 

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