Alternativa profissional (1): abrir um boteco
16/07/2008 | 8 comentários | Permalink |

Começa agora no blog uma série de posts (não necessariamente seqüenciais) sobre algumas alternativas para você que já pensa em desistir de seu mercado corporativo. Creio que, por este blog atrair alguns publicitários de variados escalões e agências, esta série tem tudo para ser comentada e até posta em prática por muito mancebos desiludidos.
A primeira alternativa profissional apresentada é o sonho de aposentadoria para algumas pessoas. Mas aqui, abordaremos que sair do mercado para abrir um boteco pode ser uma prática deveras pesada. Como a publicidade, ter um boteco pode inspirar algum glamour, mas a maior parte do tempo você terá de conviver com trabalho repetitivo, privado dos prazeres e agüentando papinho de gente bêbada.
Por que você quer ter um boteco?
Primeiro, porque você adora beber. É. E quando bebia, achou que poderia, como naquele brilhante texto do Antônio Prata, resolver quinhentos anos de história com um tapinha nas costas do dono do boteco, ou ainda do garçom. Viu que ele lhe foi simpático (afinal, não é todo dia que um zé deixa uma nota de R$ 50 achando que tinha pago apenas R$ 5) e achou que estar do outro lado do balcão era tudo o que você queria: bebida à vontade e gente feliz como você ao seu lado, o dia todo.
Porém…
Abrir um boteco não é tão simples assim, meu caro. Primeiro, tem que arrumar um local e se ver em dia com prefeitura (habite-se). Aí entra o investimento inicial no imóvel, estoque, pessoal, infra-estrutura, etc. Por pior que seja o seu boteco, pelo menos uma chapa para fritar toucinho e uma geladeira tem que ter, não é mesmo?
Uma vez estabelecido, é importante controlar os estoques à risca. Por exemplo: uma garrafa de cachaça deve servir X doses, garantindo o lucro de X reais. Cada bêbado que lhe der um calote coloca em risco o seu lucro, portanto lembre-se de colocar um aviso bem simpático como “fiado, nem a c******” ou “cerveja grátis, só amanhã”. E o dono do boteco não é o ser simpático: para isto você tem os garçons, que provavelmente não farão a saideira de graça, atribuindo a culpa a você. É a função deles.
Tive um colega que realizou ainda na faculdade o sonho de abrir o boteco próprio. Quebrou em 3 meses. Erro clássico de qualquer negócio é não se estruturar e precisar de lucro logo no primeiro mês. Se você souber de algum negócio que gere retorno de 100% do dinheiro investido logo nos primeiros meses, me avise. Boteco e, defitivamente, publicidade, não são.
Com isso, se você quer abrir um boteco, segue uma lista de dicas: sim, pode ser bom, mas você precisa se estruturar financeiramente, psicologicamente (afinal, não poderá tocar na birita do estoque) e emocionalmente, para agüentar os pingaiadas. Terá que ser duro com eles, como um segurança de balada ao constatar que você perdeu a comanda ou tem cara de maconheiro, mas doce ao servir a próxima dose. Em palavras mais esquerdistas, endurecer sem perder a ternura jamais! E não abra o boteco pensando no shortlist da premiação de petiscos da cidade, a Cannes dos botecos, e sim em atender bem o cliente e obter lucro.
E não perca os próximos capítulos!
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categorias: Comportamento, Corporativo, Publicidade



