Sobre um mercado em evolução

Escrito em 22/04/2008 | | Permalink |

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Este post surge com a esperança de colocar mais alguns pingos nos is de questões levantadas por mim desde o Campus Party que, depois de idas e vindas, culminaram num dos posts mais polêmicos da história curta deste blog. No fim das contas, o que se quer saber é o que pode, o que não pode e como proceder se ainda existir dúvidas no trato entre os “homens da maleta” e os blogs. Creio que o post vai ficar melhor topicado:

- Ideologia é o primeiro filtro. Quer ganhar alguma grana, não importando se é apenas para manter o site ou para ficar rico? Ok. Continue lendo o texto. Se o seu blog não quer fazer um centavo sequer diretamente, vivamos em paz com o hino da Segunda Internacional e com as cuequinhas do Che Guevara. =)

- Se não há nada de errado em fazer dinheiro com um blog, falemos sobre os tratos que as agências estão tomando: faço questão de anunciar as resoluções éticas que o Womma (cuja tradução literal seria Associação do Marketing de Boca-a-boca) tem para a interação com as mídias sociais, um tipo de trabalho mais próximo de RP do que de pulbicidade por não haver compra de mídia, e sim de diálogo direto com a comunidade. Falo dela e não mais do Conar porque as agências de marketing difenciado daqui muitas vezes não se parecem com uma agência de publicidade, mas ainda assim têm o Womma como referência.

Quando anunciei que gostaria de postar sobre o assunto lá na firrrma, o Wagner Fontoura disse que falaria a respeito e fez um bom post falando do Womma e de como a questão do dinheiro estar chegando aos blogueiros está mudando tudo. Imediatamente, falei com pessoas de outras empresas desta indústria vital, que me passaram as mesmas impressões: em nosso negócio de mídias sociais, e aqui entram blogs, fotologs, Orkuts e afins, as abordagens se darão mediante a ética do Womma. Concordo no ponto levantado pelo Wagner, de que existem os riscos do pioneirismo, mas é justamente uma das premissas básicas das mídias sociais que devem apontar os caminhos: a crítica aberta dentro do diálogo e a escolha da comunidade.

Eu naturalmente prefiro que este diálogo aconteça e efetivamente mude alguma coisa do que simplesmente ver-me obrigado a fazer algo pela força da lei: na Inglaterra, a próxima atualização do código de defesa do consumidor, em maio, trará regras de como se fazer marketing na Internet. Está tudo aqui.

- Se a parte das empresas estiver sendo feita, é claro que a vigilância deve ser mantida, mas sem paranóias e extremismos. O ex-chefe sempre me advertiu sobre eu não querer fazer dinheiro com este blog, que isto era extremo: se alguém quer pagar para colocar um anúncio, agindo dentro das condutas éticas de mercado, qual era o problema? Concordei com ele.

Da mesma maneira, um blog não pode ser uma ilha. Sejamos honestos: publicidade é uma realidade e o fato de uma pessoa relembrar de jingles tão naturalmente como ela lembra de uma outra canção qualquer, por exemplo, indica que teríamos que ser muito inocentes para acreditar que o que conhecemos por informação e cultura não tem* uma influência severa dos departamentos de marketing deste mundão de Deus. É óbvio alguma ação de uma empresa poderá pautar algum post. Para o bem ou para o mal, se você quer ser maniqueísta. Quando isto acontecer, qual é a ética que está sendo ferida? Nunca mais poderei olhar nos olhos do Che Guevara, pintados em uma camiseta vendida em qualquer banquinha, por ter falado da Microsoft? Oh, não…

Encerro esta argumentação com dois exemplos do mesmo blog, o também polêmico Futepoca: num dos casos, após um post sobre uma ação da Coca-Cola que envolve uma comparação entre Maradona e Biro-Biro, os editores acharam melhor retirar o post do ar e pedir desculpas aos seus leitores por ter falado sobre uma campanha publicitária. Um dia antes, porém, eles descrevem uma vodca canadense filtrada com água de icebergs. Eu perguntei a eles se eles achavam que não havia um centavo de investimento em comunicação desta vodca, para que este fato de ela ser filtrada com água de iceberg se torna-se pauta, ou se eles estariam julgando o tamanho das empresas, postando algo de uma empresa menor e limando a toda-poderosa Coca-Cola da brincadeira.

Em qualquer um dos casos, soa-me inocência (resposta inclusive nos comentários daquele blog). Mas que o diálogo continue: a mim, só interessa a maturidade que, aos poucos, esta área está criando. Tanto as empresas quanto os novos veículos de mídia deste século.

*errata: no post original, faltou a palavra “não”. Um ruído enorme, claro, porque a frase ficava sem sentido no texto. “indica que teríamos que ser muito inocentes para acreditar que o que conhecemos por informação e cultura não tem uma influência severa dos departamentos de marketing deste mundão de Deus” é a leitura correta.

 

5 comentários para “Sobre um mercado em evolução”

 

Rafael R comenta:

22/04/2008 às 10:12 am

Na verdade, alguns de nós até já possuem essa noção, tirando base nos últimos acontecimentos. Mas pelo pioneirismo de por em palavras todos esses pensamentos dispersos, e sem puxa-saquismo desenfreado, dá pra falar que vc é foda. Tomara que isso repercuta e faça ao menos as pessoas PENSAREM em suas posições, para que então decidam a sua própria ideologia particular. Isso até a coisa se acertar definitivamente, ao menos.

 

Anderson Lima comenta:

22/04/2008 às 10:52 am

Não sei para onde vai esse mercado, mas dá pra sentir que nele você vai longe. Suas análises são tranquilas, não são afoitas, inocentes ou parciais. Acho que é isso que todos precisamos hoje: tranquilidade para pensar e agir. Gosto do filtro da ideologia também, se basear nisso sempre vai bem, desde o começo do século passado.

 

Anselmo comenta:

22/04/2008 às 4:59 pm

Salve, Yassuda!
Concordo com sua análise sobre a quase onipresença da publicidade, mas discordo da parte da inocência do futepoca. Mantenho a discussão, porque suas ponderações são bastante pertinentes e os limites da ação dos blogues são tema em debate mesmo.

Nenhuma linha editorial é a prova de balas. Num blogue coletivo, a coisa fica mais tosca. Mas o ponto é que é necessário um mínimo de crítica a respeito dos temas dos posts (que envolvam produtos e campanhas de marketing), pra publicar.

Acho que no comentário que fiz aqui no outro post, eu me expressei mal ao não separar o marketing viral de um release ou outra fórmula de divulgação. É uma recursos em que fica difícil diferenciar o que é ação espontânea do qeu é subterfúgio para propaganda.

O post original do futepoca que levou ao erramos não continha nenhuma menção à empresa que promovia a campanha, nem à campanha. O autor, por mil motivos, não entendeu sequer que era uma campanha, que nunca houve uma enquete a sério sobre quem seria de fato melhor jogador, que era uma piada.

Havia uma inconsistência. Dava pra tirar do ar? Não. Dava pra reformular? Se fosse pra chamar a discussão, talvez, mas pareceu mais sincero admitir a trapalhada. Até pq, não impediu que houvesse o debate.

O tamanho da empresa tem a ver, claro. A relação com os temas do blogue também. Se o Washington Olivetto se recusa a fazer campanha política, o blogue Futebol, Política e Cachaça pode fazer campanha de refrigerante? hehe

A vodca canadense tem a mesma relevância para brasileiro do que o dia-dia de um esquimó: só vira notícia se for inusitado, bizarro. Uma multinacional que está em toda parte, tem outra dimensão. Não me parece irrelevante a diferença. No caso do post, se faz uma referência a outro texto e ao tema geral do blogue: um comentário bem-humorado.

Isso não quer dizer que a gente vá deixar de pautar produtos. Livros, sites, cachaças, cds de música, são todos produtos. Porque tudo que é sólido se desmancha no ar e tudo é mercadoria.

Desde que com as devidas ponderações e comentários. E sem marketing viral.

 

Como publicar publieditoriais em blogs | Boombust comenta:

27/04/2008 às 6:42 pm

[...] em uma camiseta vendida em qualquer banquinha, por ter falado da Microsoft? Oh, não…” [Sobre um mercado em evolução, Blog do [...]

 

Nadja Pereira comenta:

27/04/2008 às 10:05 pm

[...] Essa coisa de ficar brigando para não ganhar dinheiro, pra mim é coisa de pseudo-socialista encostado em alguém que paga as suas contas.

Pronto, falei. :P

 

 

 

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