Quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João

29/04/2008 | 9 comentários | Permalink |

ImageShack

Quem me conhece há mais tempo sabe que os eventos paulistanos me agradam. Quando surgiu a Virada Cultural, um evento de apanhados culturais da cidade reunidos numa nova embalagem em sua primeira edição, aproveitei para andar por ruas e avenidas que jamais imaginaria caminhar durante a madrugada.

Nas Viradas seguintes, só motivos para eu me orgulhar de estar no evento. O centro estava lindo, em recuperação, quase renascimento. As atrações musicais animavam o público. Mesmo com alguns problemas no ano passado, o evento se consolidava. Tornei-me, então, um grande defensor desta manifestação. “Se não gostou da muvuca, não odeie a Virada Cultural, odeie os fãs de Teatro Mágico”, bradei no Twitter.

E enfim veio a quarta edição. Muitos palcos, muitas atrações e fundamentalmente muita gente.

Foi então que o pano caiu. A ilusão acabou. Em um centro cheirando a urina, não consegui chegar sequer perto de algum palco, exceto o surrado palco de bandas indies, que foi abandonado até pelos moderninhos. No meio daquele povo todo que se apertava em busca de uma melhor visão do nada, eu sambei encoxado e encoxando, sem distinguir raça, credo ou sexo. Os olhos cansavam de ver tanta gente e então, na decisão menos sábia de todo o fim de semana, juntei forças para o último show, com certeza o que estaria mais lotado.

Afinal era o Jorge Ben. Pô! Falei há alguns dias do Jorge! Zazueira! Do meu Brasil!

Aliás, havia mencionado também que queria umas credenciais, pelo simples fato de poder gerar conteúdo sobre o evento de maneira mais tranqüila. Eu teria arriscado levar um laptop para lá se a autorização viesse. O castigo final por tamanho despeito às práticas jornalistas viria no crepúsculo do show de Jorge, quando tive meu singelo equipamento de reportagem apreendido por gente mais esperta do que eu. Calei-me, enfim, rendido à grandeza da maior aglomeração registrada em todas as edições (4 milhões de pessoas).

E calo-me agora, em fotos no Flickr, em memória de mais um celular furtado. Não existe show de graça.

categorias: Comportamento, Eventos, Opinião

 

Clicky Web Analytics