Alguns textos adolescentes

Escrito em 23/03/2008 | | Permalink

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Enquanto aproveito este feriado para colocar a cabeça no lugar, delicio-me com programas um tanto quanto nostálgicos, que já envolveram até fliperamas durante uma tarde besta. Para dividir um pouco destes momentos com vocês, trago aqui alguns textos do velho arquivo que já pertenceu aos meus velhos blogs extintos. Eram de uma época em que, ainda que já encarando o mundo de maneira mais realista, eu me permitia nutrir a utopia de viver do que eu escrevia. Bobagens…

São textos curtos. Coloco-os abaixo e todos num mesmo post. Boa leitura!

Para Diana

escrito em julho de 2005

Fui tragado por esse hipnotismo bárbaro das placas publicitárias com mulheres lindas das bancas de jornal. Ou fui tragado por essa placa linda com uma mulher bárbara de um hipnotismo publicitário? O fato aconteceu numa dessas bancas de jornal, e eu, futuro publicitário, fui emplacado com uma dessas mulheres hipnotizantes e outras lindas gritavam “bárbaro, bárbaro!”, tragando cigarros. Mas penso que eram em bancas bárbaras, dessas que vendem jornais e tragos, que eu fui hipnotizado por uma linda mulher, publicitária. Placas com letras de jornal tornavam públicos os gritos da desbancada mulher que tentara me hipnotizar com seus tragos. E foi num golpe de publicidade, bárbara foto de mulher linda e hipnotizante, que eu fui tragado para uma dessas bancas de jornal e enfim te achei.

Etílica

Escrito em maio de 2005

Se é a moça que samba em cima da mesa com o batuque, cerveja e piadas, ninfeta, eu crio desejos sem pé nem cabeça ouvindo esse rock pauleira sacudindo a cabeleira e fitando os olhos da deusa que estava sentada à mesa, ouvindo besteiras de tempo pós-bebedeira com língua francesa até. Se não é samba e sim sertaneja, aí me confundo e saio da treta. Eu erro as cadeiras e falo besteiras e canto sobre a cerveja. Se pede um choro e chora a perda, um encontro na sexta, eu leio um poema e escritas dispersas. Se gosta da letra, eu canto na ceia, mas fico com aquele costume de escrevê-la. Se come feijão e sobremesa, eu bebo cachaça e uma cerveja e penso besteiras por baixo da mesa para enlouquecê-la.

E se fala de amor, razão para vê-la, eu caio de bêbado e acordo de meia.

Geralmente

escrito em janeiro de 2007

As noites para ele geralmente eram solitárias. As que fugiam à regra requeriam certo investimento financeiro, bem como ânimo. É, ânimo lhe faltava todo dia, e todo dia assim ele ficava. Ficava em casa, à noite, sozinho geralmente. Certos investimentos financeiros lhe davam maior conforto: um bom vinho, um bom queijo, uma boa vagabunda. Às vezes, elas pediam mais ânimo. Geralmente ele pensava consigo mesmo que aquela seria a última noite assim. E assim dias e dias se passavam iguais, até que ele fugisse à regra, arcasse com certo investimento financeiro e ligasse para quem realmente lhe importava. Só que elas estavam tão longe que importar requeria certo investimento financeiro, então ele comprava um vinho importado mesmo, para compensar. Geralmente era o que ele fazia, e quando não fazia, era porque lhe faltava ânimo. Eram noites solitárias em que ele se pegava pensando consigo mesmo que aquela seria a última vez que sonharia com o que tem vontade de ser e de fazer. Quando ele percebeu que geralmente fugia à regra e que quando fugia, voltava, tudo pareceu ser bem mais simples, como era antes, quando havia ânimo, vinho, queijo e umas vagabundas sorrindo.

Há aqui neste blog alguns outros textos desta época, se você quiser continuar:
> Entre a adolescência e hoje
> Contemporâneo
> No fim da estrada

 

3 comentários para “Alguns textos adolescentes”

 

Marcel Maineri comenta:

23/03/2008 à 4:01 pm

Achei do caralho os textos! O primeiro com certeza é o melhor, mas os outros dois tão ótimos.. vou olhar os outros textos depois!

Feliz páscoa cara, abraço!

 

Swan comenta:

25/03/2008 à 1:54 pm

porra!
quando é que vamos musicar um written by Yassuda?
adorei cara!

 

Camila KS comenta:

26/03/2008 à 11:41 am

parabéns!

bjbj

 

 

 

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