As agências de publicidade e a propaganda nos blogs

Escrito em 06/03/2008 | 15 comentários | Permalink |

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Eu falei sobre este ponto durante algumas discussões com blogueiros quando o assunto era publicidade em blogs. E este post do Futepoca no final da semana passada fez com que eu pensasse em mais alguns pitacos a respeito do assunto, no que diz respeito a uma entidade que poucos blogueiros conhecem mais a fundo: a agência de publicidade ou de marketing diferenciado.

Primeiramente, tenho que começar falando sobre o Conar, Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária. Nasceu porque o governo ameaçou legislar sobre a prática publicitária nos anos 70 e, portanto, colocar regras de controle à prática das agências. Assim, elas se juntaram e elaboraram um código de conduta que, em tese, é respeitada por todas as afiliadas, ainda que não tenha força de lei.

E onde os blogs entram nesta brincadeira?

Independentemente da editoria de um blog, a agência a tratará como veículo. Existem dois grandes grupos de abordagens de uma agência a um veículo: ela pode fazer um trabalho de RP, em que um release é enviado com o intuito de sugerir ao editor um assunto que inclua o seu cliente. Por exemplo: a agência envia a jornais, aos cuidados da editoria de cultura, um release sobre uma exposição patrocinada por uma marca. Junto, algumas declarações do presidente desta marca, dizendo como é importante patrocinar exposições e blablablá. Creio que um jornalista poderia explicar melhor até em que ponto ele pode ou não aceitar uma abordagem dessas. O Futepoca colocou alguns destes pontos no post mencionado.

O outro tipo de abordagem é a publicitária. Aqui, a agência propõe a compra de um espaço no veículo. Vamos nos lembrar que toda a discussão sobre se o blogueiro deve ou não aceitar vender o conteúdo ou mesmo identificar um post como patrocinado cabe ao seu editor, uma vez que não há nada perto de um código de ética de classe. Mas há como cobrar das agências a ética que o Conar prega. Ficará mais fácil de entender se eu explicar alguns artigos do Código de Auto-regulamentação Publicitária:

Artigo 18a – Para os efeitos deste Código: a palavra anúncio é aplicada em seu sentido lato, abrangendo qualquer espécie de publicidade, seja qual for o meio que a veicule. Embalagens, rótulos, folhetos e material de ponto-de-venda são, para esse efeito, formas de publicidade. A palavra anúncio só abrange, todavia, a publicidade realizada em espaço ou tempo pagos pelo Anunciante;

Dado ao pagamento feito pela agência, um post patrocinado é, portanto, publicidade. Continuamos com o código:

Artigo 23 – Os anúncios devem ser realizados de forma a não abusar da confiança do consumidor, não explorar sua falta de experiência ou de conhecimento e não se beneficiar de sua credulidade.
Artigo 28 – O anúncio deve ser claramente distinguido como tal, seja qual for a sua forma ou meio de veiculação.
Artigo 29 – O Anunciante será sempre facilmente identificável, seja pela marca do produto, seja pelo nome do fabricante, fornecedor ou distribuidor, exceção feita ao previsto no parágrafo único do Artigo 9º (fala sobre teasers). É recomendado, também, que as Agências se identifiquem nos anúncios impressos veiculados sob sua responsabilidade.
Artigo 30 – A peça jornalística sob a forma de reportagem, artigo, nota, texto-legenda ou qualquer outra que se veicule mediante
pagamento, deve ser apropriadamente identificada para que se distinga das matérias editoriais e não confunda o Consumidor.
Artigo 31 – Este Código condena os proveitos publicitários indevidos e ilegítimos, obtidos por meio de “carona” e/ou “emboscada”, mediante invasão do espaço editorial ou comercial de veículo de comunicação

Dada a qualidade dos leitores deste blog, creio que não preciso explicar cada artigo.

Cobro aqui as agências para respeitarem o seu próprio código de conduta no tratamento para com os blogueiros. E aos blogueiros que se perguntarem em relação às questões éticas da publicidade em seus sites, este pequeno conhecimento do código deve ajudar a tomar decisões acertadas tanto para o relacionamento com o pessoal do dinheiro quanto com os seus leitores.

 

15 comentários para “As agências de publicidade e a propaganda nos blogs”

 

Matheus Costa comenta:

06/03/2008 às 3:20 pm

O post é muito pertinente!
Algumas agêncais estão mesmo se aproveitando da falta de regulamentação de blogs para burlar o código de ética que devem seguir.
O contraponto é que o editor pode escrever da forma que quiser, mesmo que a agência mande um roteiro para ele. Depois de mais algumas exposições como fez o Futepoca, as agências vão tomar mais cuidado ao tentar jogar baixo assim.

Matheus
30″

 

Vinicius Costa comenta:

06/03/2008 às 3:34 pm

Alguém deveria mandar esse texto pro Kibeloco e seus “vídeos encontrados na internet” :P

 

Marcel Maineri comenta:

06/03/2008 às 3:54 pm

Grande Yassuda!

Muito bom o post! Acho que o artigo 30 diz tudo, e mostra claramente para blogueiros e agências como seria o jeito ético de agir!

Abrço cara :D

 

gilsonpessoa comenta:

06/03/2008 às 4:06 pm

Boa. Se o blogueiro não tomar cuidado pode peder audiência e com isso os anunciantes :)

 

Patrice comenta:

06/03/2008 às 5:09 pm

A foto que ilustra o post resume tudo. É exatemente o que eu penso. Será que já existe twitada paga?
ABX.

 

Wilson comenta:

06/03/2008 às 10:17 pm

Eu acho que o controle tá totalmente na mão do blogueiro. Se ele quiser não entra nenhum conteudo publicitário e pronto. Se ele achar pertinente, poe.

Claro que tem agencia que apela, força a barra e tal, mas mau profissional tem em toda a profissional.

Qualquer coisa escreve “post informe publicitario” ou “post pago” pra ficar bem identificado hehehe

o que tambem num dá é ficar vendo em trocentos blogs é indicação pra aquele “eu uso a cuca” do carrefour, ô troço chato.

 

Felippe comenta:

06/03/2008 às 10:58 pm

O Kibeloco é foda, mas o Jacaré Banguela é praticamente uma “prostituta das agências de publicidade”. Porra, tem época que 2 em cada 3 posts são publicidades

 

Leandro Yukiu comenta:

06/03/2008 às 11:31 pm

Concordo com tudo isso. Eu só espero que essa conduta seja seguida por mais blogs. Será que isso vai acontecer? Lembrando que um autor de blog pode se proteger no anomimato e que mesmo nos meios de comunicação tradicionais encontramos casos de desrespeito ao código de ética até hoje.

 

MarioSun comenta:

07/03/2008 às 11:01 am

Excelente post.

Kibeloco, Jacaré Banguela e agora o Bobagento. Os 3 são os reis da falta de ética/transparência com leitores.

Nota do editor – MarioSun e outros tantos que protestam contra alguns blogs: como eu disse em meu post, os blogs não tem uma conduta definida e a decisão cabe a cada editor. Creio que é um esforço vão xingá-los. Estes blogueiros citados não são os únicos e só porque estão em evidência, recebem a carga de todo um sistema que está torpe. O blogueiro, nessa história, é de longe a parte mais fraca.

 

Anselmo comenta:

07/03/2008 às 2:13 pm

Yassuda, agradeço o link e os elogios.

Como jornalista, aproveito pra escrever a respeito dos limites prum jornalista aceitar a abordagem de um assessor de imprensa.

Um release, em geral, precisa funcionar como “sugestão de pauta”, quer dizer, uma tentativa de convencer o jornalista de que o assunto merece espaço na mídia. O assessor vai insistir com telefonemas, visitas ou eventos em maior ou menor intensidade dependendo do veículo e do assunto.

Só que as coisas não são tão fáceis. É que as empresas de assessoria de imprensa usam recursos mais, digamos, agressivos. Dão presentinhos, os press kits com CDs, livros, brindes da banda ou da empresa. Para coisas pequenas, não importa o quanto isso influencia o conteúdo diretamente, mas é bem questionável quando se transforma em exageros. Um caso polêmico foi da gravadora que mandou iPods pra jornalistas culturais com as músicas do segundo cd da maria rita. A Veja fez um escarceu, atribuindo à cantora uma estratégia que partiu da gravadora (há quem jure que foi retaliação por ela não ter dado uma entrevista exclusiva para a revista). À parte as barberagens da revista da abril na ocasião (a maioria dos jornalistas não aceitaram ou devolveram o brinquedinho), isso evidencia o fenômeno do “jabá”. Mimos em troca de cobertura favorável.

em outros casos, as assessorias oferecem viagem, hospedagem e quetais. Qdo isso acontece, sai no pé da reportagem: “o repórter viajou a convite de tal empresa”. É mais transparente… mas é discutível se é correto ou não.

Por fim, sobre a ética dos blogueiros, vou parafrasear Cláudio Abramo: a ética dos blogueiros deve ser a mesma dos marceneiros.

Em outras palavras, é a mesma pra todos e é preciso ser honesto com o leitor.

No “Nikegate” a maior crise foi a Riot ter dado a entender que poderia haver anúncios futuros da nike, sendo que ela sequer cuida da conta geral da empresa. Quer dizer, foi uma pisada no tomate desnecessária. Divulgar o “hotsite” do ronaldo é uma coisa: é sugestão de pauta. Tem um mnte de fãs que fariam isso. Prometer contrapartidas (que nem estao em sua alçada, reitere-se) é feio. Fico até pensando se não é mais do que isso.

 

Guilherme Nascimento Valadares comenta:

07/03/2008 às 4:33 pm

Mais um texto foda, Yassuda. Faço coro.

 

Bloggando | Seu portal blog de notícias » Blog Archive » Ética blogueira comenta:

11/05/2008 às 9:33 pm

[...] o Código O´Reilly não atenta para esse conflito ético que estamos falando. Mais pertinente, no blog do Yassuda é discutida a falta de regulamentação do Conar (Conselho Nacional de Auto-regulamentação [...]

 

Blogueiros investem em propaganda subliminar | Em Crise comenta:

21/09/2008 às 2:12 am

[...] lojas virtuais, publieditoriais e programas de afiliadas já são coisa do passado. Isso mesmo. O negócio agora é fazer [...]

 

Blogueiros investem em propaganda subliminar | Pois Bem comenta:

21/09/2008 às 3:15 pm

[...] lojas virtuais, publieditoriais e programas de afiliadas já são coisa do passado. Isso mesmo. O negócio agora é fazer [...]

 

Publieditorial | A vida como a vida quer comenta:

20/02/2009 às 3:36 pm

[...] As agências de publicidade e a propaganda nos blogs [...]

 

 

 

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