Identificando os problemas futuros

Escrito em 11/01/2008 | 2 comentários | Permalink |

lotado

Cheguei a uma conclusão sobre as coisas do mundo e da vida: o maior filho-da-puta que existe não é aquele que dá a pior idéia do mundo (afinal, todo mundo tem idéias ruins), e sim a segunda pessoa a se manifestar com um sonoro “sim! Por que não fazemos isso mesmo?”. É ele quem dá a aceitação necessária para o primeiro convencer os outros.

Pois o primeiro post especial sobre o Carnaval será justamente este: o de alertar o mau que a rápida aceitação de uma idéia ruim faz e como se prevenir contra eventuais programas de índio que os seus amigos estejam organizando para o seu feriado.

A maneira mais fácil é pegar os exemplos bizarros e pessoais que surgiram aqui no meu e-mail para os feriados de 2008:

“Gente! Por que não vamos para Buenos Aires de carro na semana do 7 de setembro? É só todos nós tirarmos 3 dias de folga na empresa. A programação de viagem incluiria 2 dias para ir, 2 para voltar e curtiríamos a Argentina por 5 lindos dias.”

Uma viagem que poderia ser bacana, se não fossem alguns erros de cálculo. Primeiro, o número de dois dias para ir e dois dias para voltar é mentiroso porque não haveriam motoristas para revezar. Portanto, para andar cerca de 2500 km em estrada, são necessárias paradas para umas boas noites de sono, o que transformariam a viagem em algo para ser feito em pelo menos 3 dias, chutando baixo. Três dias e meio e mais meio dia para se reestabelecer do cansaço em Buenos Aires, o motorista curtiria apenas UM dia de viagem.

E o pior dos erros mesmo foi achar que o 7 de setembro caía durante semana, promovendo uma emenda. Em tempo: não há feriados prolongados nacionais no segundo semestre de 2008. Seriam 5 dias de folga a serem pedidos durante a semana para que houvessem nove dias disponíveis.

O segredo é você conseguir conceber este tipo de cálculo antes que o denominado “maior filho-da-puta do mundo”, o segundo a se declarar, afirme coisas absurdas e apaixonantes, como ser possível dirigir por mais de 30 horas sem parar, passar menos tempo descansando e mais tempo viajando é ótimo para apreciar paisagens a 100 km/h ou ainda se propor a revezar a direção do SEU carro, já que ele não arriscaria colocar o dele na estrada.

Isto acaba servindo para qualquer tipo de situação da qual você sabe que sairá mal: escolha do destino, carro superlotado na estrada, cachaça de procedência duvidosa, compra da carne do churrasco, etc. Tenha em mente que alguém vai dar uma idéia bem ruim. Cabe a você podá-la. Como diria o André Sobreiro, fica a dica!

 

2 comentários para “Identificando os problemas futuros”

 

Bender comenta:

16/01/2008 às 10:34 am

Tu tá em SP? dá um dia bem viajado até Porto Alegre (1100 km) e outro até Colonia (900 km). Lá se pega uma balsa para Buenos Aires e pronto, já está lá.

O pior trecho, na verdade, é passar por SC.

 

Luiz Yassuda comenta:

16/01/2008 às 10:45 am

Quando fui a Porto Alegre de carro, não deu: paramos para dormir em Florianópolis. O trecho entre Floripa e Torres (RS) é muito ruim e desgasta demais (levamos quase 7 horas). Parando em Porto Alegre para nova noite de sono, chegaria-se à Colonia no fim do terceiro dia.

 

 

 

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