Pague o quanto quiser

Escrito em 14/11/2007 | | Permalink

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Uma das ondas do momento diz respeito ao consumidor estabelecer o preço que pretende pagar pelo produto ou serviço prestado. Orra, meu! Mó novidade, ó! - diria algum tio meu da Móoca. Mas esta prática é adotada por artistas mambembes desde antes de Cristo, por exemplo. Tudo bem, digamos que o mercado começa a ver agora com bons olhos esta tendência simpática de relação de consumo. Por isso, vemos uma banda lançando álbum novo, pedindo qualquer trocado, uma revista que pede umas moedas pela impressão e estabelecimentos gastronômicos em que a liberdade de decidir se você irá pagar a conta ou não vai além dos 10% da gorjeta.

Tudo isso me faz lembrar uma campanha publicitária canarinha de alguns anos atrás. Se você identificou a imagem que ilustra este post, já está lembrando do bordão “quer pagar quanto?” que irritou os lares brasileiros por dias e dias. Se ainda assim você não lembrou, tudo bem, eu conto: trata-se da campanha de varejo das Casas Bahia, cujo garoto-propaganda atendia pelo nome de Fabiano Augusto.

Na época, eu me lembro, surgiu em forma de boataria de rede social a notícia de que as Casas em questão levaram um processo. Um cliente teria entrado em uma das lojas, falado que queria pagar tanto num produto que provavelmente custava tanto ao quadrado, obrigando a companhia de vendas a mudar até o garoto-propaganda. Não estou aumentando um ponto do que achei por aí via Google:

“As Casas Bahia, teve um processo aberta contra si, pelo fato de um homem ter chegado até uma das lojas e dito: a pessoa disse que posso comprar uma geladeira por R$ 199,00, é claro q a propaganda dizia de forma (não clara) q era a parcela. lembra-se de como o garoto propaganda falava? Quer uma geladeira por R$ 199,00, um sofá, por R$ 29,99 ? Pois é, o marketing não deu certo. O processo foi aberto por esse consumidor e advogado e as casas Bahia resolveram retirá-lo da frente da empresa, para não se associar a imagem dele com o problema.” - usuário do Yahoo Respostas

“Em são paulo, parece q um advogado, ( não tenho certeza da profissão do inteligente indivíduo) chegou nas casas bahia, e fez uma super compra, de aparelhos eletrodomésticos de primeira geração, tudo q vcs imaginam q tem na loja o cara comprou.
Só que na hora q ele foi pagar as mercadorias, ele virou pro atendente e deu uma nota de R$1,00. quando o atendente viu, ficou surpreso e perguntou o que ele estava fazendo com a nota de ! real na mão, e ele disse … estou pagando quanto eu posso…e era verdade pq o comercial estava falando:
-quer pagar quando? aqui vc paga o quanto vc pode!!!
e foi isso q o cara fez, o gerente das casas bahia ate chegou chamar a polícia, mais a polícia falou que o cara estava certo, só colocando a propaganda em prática.”
(sic) - Usuário de um fórum qualquer.

Na época, as Casas Bahia poderiam aproveitar este bafafá online e bolar um “pay-what-you-want-day” (ou “dia de pagar quanto quiser” para aqueles que odeiam anglicanismos desnecessários). Poderiam, mas não fizeram. Ressuscito esta história para que a rede de lojas, agora munida de uma trend super in, hype, cool, descolada e qualquer outro nome besta (de preferência com anglicanismos desnecessários), agora tenha o bom-senso de lançar alguma coisa do gênero. Ando namorando um laptop, o meu Sansui-Garrat-Gradiente queimou e não toca mais o mesmo embalo quente pra lembrar do teu calor e eu só tenho dez mangos no bolso…

 

3 comentários para “Pague o quanto quiser”

 

Thássius comenta:

14/11/2007 à 11:32 am

Dia do “Quer Pagar Quanto?”. Tenho medo disso. Seria a falência mais rápida do mundo. Os empregadores deveriam até liberar os funcionários para as comprinhas.

Eu até escrevi no meu blog uma experiência do “quer pagar quanto?” na Alemanha. Claro que lá as pessoas têm educação, bom senso e pagavam o valor justo.

 

Thulio comenta:

14/11/2007 à 11:51 am

Legal seu artigo…parabens!

 

Marketrix comenta:

14/11/2007 à 6:37 pm

Aqui na Inglaterra isso é relativamente comum, tem até um nomezinho que, claro, eu agora esqueci, mas se lembrar eu volto pra contar ;)

Abs,
Luciana

 

 

 

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