Sobre os moleques punks

16/10/2007 | 3 comentários | Permalink |

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Crimes em São Paulo não são nenhuma novidade. Mas alguns em particular me chamaram a atenção: punks aplicando facadas por motivos banais.

Chamam a minha atenção porque, na adolescência, eu tive algum contato com pessoas que se denominavam punks. Claro, a maioria “de boutique”, mas alguns bravos eram bem roots e “de boteco”.

Os fins deles foram diversos: uns viraram elementos corporativos chegados num capitalismo, assim como eu. Outros até levantam bandeiras ideológicas utópicas até hoje, mas merecem meu respeito porque o mundo também precisa de pessoas que busquem ideais nobres.

Dos punks, por assim dizer, aproveitei muita coisa para a minha vida pacata. Creio que a principal delas seja o espírito de do it yourself, talvez não inventado por eles, mas inerente à existência do movimento daqueles dias estranhos dos anos 70. Como a expressão já diz: faça você mesmo! Se vira! Tem banda e não tem gravadora? Grave e distribua. Tem opinião e não é colunista de jornal? Xeroque zines ou monte um blog. Quer trabalhar com publicidade e não tem Quem Indique? Martele de porta em porta(mas antes, fundamentalmente, monte uma boa pasta).

Outra coisa bacana é o questionamento. Está na natureza dos punks a contestação. A parte que a maioria (inclusive dos ditos punks) esquece é que para se contestar algo, é necessário conhecer a fundo o que você é contra e o que você concorda. Na verdade, tive que aprender isso na marra, já que ficou visível o fato de que qualquer punk era humilhado pelos argumentos de qualquer comunista. Capitão Nascimento diria: “vocês são moleques!”. Por isso, tento fazer a minha lição de casa.

Por isso, pai ou mãe ou irmão mais velho, não tire conclusões dos punks a partir destes seres humanos do noticiário. Antes de qualquer coisa, estes que estão estampando os jornais são bandidos. Bandidos que usam uma bandeira para justificar seus atos de irracionalidade. Talvez falte vir a público algum panque qualquer só para dizer que não há ideologia no mundo que sustente um assassinato por causa de 40 centavos ou um isqueiro. Nem que seja um fajuto, “de boutique” e agora assaz capitalista como eu.

categorias: Comportamento, Opinião

 

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