Influência do c****** na arte fálica contemporânea
27/09/2007 | Sem comentários | Permalink |

É notável a influência do falo humano em todas as artes. Freud deve explicar. O fato é que todo mundo quer pintar, pegar na caneta, colocar para fora e mostrar ou mesmo fazer piadas infames com a genitália masculina. Mas ainda estou falando de arte. Sim, a nobre arte da literatura, da música erudita, da fotografia, da ilustração e da pintura, incluindo também algumas artes orientais menos óbvias que o kama sutra.
Vou por partes ou já coloco tudo de uma vez?
Há uns 2 anos, o bróder Evandro trouxe um CD com uma coletânea de poemas declamados por seus autores em algum tipo de festival. A pérola do CD era do hoje VJ da MTV e CEO da Gafanhoto:
Quando fico de pau duro
Sinto-me Deus
Não Deus como Zeus no Olimpo
Deus como Jesus
Como o homem no garimpo ao achar a maior pepita
Como o médico que o cardíaco ressuscita
Sinto-me Deus
Sinto-me forte
Sinto o poder
Toda a grandeza de ser de um povo
Sinto-me um ovo fecundado
Como um viado ao dar o rabo
Sinto-me alado
Sinto-me sábio
Sinto-me luz cuspida de meus lábios
Sinto a explosão dos teus
Quando me coloco Deus
No meio de tuas pernas
(Cazé Peccini)
Um ano depois, vi um registro fotográfico da arte milenar do origami peniano. O registro é feito por dois loucos autralianos e pode ser encontrada no livro The Puppetry of the Penis. Tratava-se de dobraduras feitas com o órgão. As figuras formadas variavam de óbvias cobras e monstros do lago Ness a hambúrgueres. Creio que a parte mais chocante falava sobre as técnicas de aquecimento para evitar contusões no jorgador.
Achei que tudo pararia por aí, quando conheci o Penis Pokey, um simpático livro de ilustrações com um furo no meio (veja a figura). Além de boas ilustrações, tratava-se de uma arte interativa, digna de exposição, por fazer com que o leitor completasse a ilustração com a roliça e fálica protuberância do púbis. Por exemplo: numa das ilustrações, havia um vendedor de barraquinha lhe servindo um delicioso cachorro-quente, mas faltava uma coisa: onde estava a salsicha?
Mas veja agora uma notícia que a Ligia me enviou pelo Twitter: um pintor que produz uma obra utilizando como instrumento o seu próprio “instrumento”. Ele faz apresentações ao vivo também. Creio que tudo isso é só para poder fazer aquela piada idosa “e aí? Quer pintar como eu pinto?”. Eu estou acostumado a ler notícias inacreditáveis no Terra, mas a cada dia que passa, uma supera a outra no quesito do limite da criatividade humana.
Na música, temos esta dupla que interpreta grandes sucessos no piano. Melhor que eu fazer mais uma piada é que você mesmo assista:
E tudo isso para termos a clara certeza de que a arte busca inspirações fálicas. Mas não pense que é só ir abrindo a braguilha e aí gritar “parla”. A arte é algo que precisa de envolvimento, que entra na cabeça das pessoas aos poucos para enfim romper com a estética a que estamos habituados e sangrar as certezas que tínhamos. Em outras palavras, tem que rolar uma preliminar.
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