Plágios, referências e afins

Escrito em 26/09/2007 | Comentários desativados | Permalink |

ImageShack

A chefia começou a discussão, primeiro com o caso do filme de Halls e a sua referência Tetris Humano Japonês (aqui), depois com o filme do portal Terra e um clipe do Beck (aqui) e finalmente com o café Três Corações e o clipe do Blur (aqui). Isto sem falar naquela jogadinha sensacional espalhada pelos tubos da Internet, colocando o jingle do Terra no filme do Guaraná Antarctica e vice-versa (aqui). A pergunta era simples: referência ou plágio?

Meu parecer? Abro o post com uma frase de efeito, para você usar na sua próxima reunião e impressionar a sua chefia: as linhas são tênues.

Tênue porque é muito impreciso falar sobre até onde vai a referência e onde começa a criação nesses dias pós-modernos, em que se tem a clara impressão de que “tudo já foi visto, experimentado e inventado”.

Mais tênue ainda quando pensamos que certos processos criativos, calcados principalmente em clichês de pensamentos da sociedade, tendem a chegar no mesmo lugar. É por isso que a sua pasta estagiária tem um anúncio igual ao que vai ao ar alguns meses depois com a assinatura de algum criativo dez estrelas.

Entendo um pouco de como ficou difícil criar nesses tempos de informação democrática. Imagine como devia ser fácil a vida do criativo dos anos 80, cheio de referências, leituras e experiências que um brasileiro médio jamais teria. Ele NUNCA seria flagrado se utilizasse referências demais. Hoje em dia, qualquer blogueiro pé-de-chinelo pseudo-publicitário como eu conhece Beck, Blur, os programas da televisão japonesa e mais uma porção de coisas que vemos todos os dias circulando por aí.

Meu parecer, enfim: criação não é um processo mágico que envolve luzes, divindades e encantamento.

Mensagens variam de acordo com o repertório da equipe responsável pela criação, que deve sempre primar por ter um nível de conhecimentos que o separe do brasileiro médio tal qual o publicitário dos anos 80 estaria. Variam também de acordo com as clientadas, que geralmente encrencam em coisas inúteis como tamanho do logo e splashs, mas esquecem de conferir se o pacote que estão empurrando-lhes goela abaixo está fresquinho. E, finalmente, com o advento da comunicação colaborativa, variam com o público que esta mensagem atinge, já que ele não guarda mais para si o que ele entendeu. Uma vírgula a menos numa frase faz com que as pessoas acusem de plágio ou de sem-vergonha algo que poderia ter o claro objetivo de lembrar a origem. Em outras palavras: o recado poderia ter sido algo como “sabe aquele vídeo engraçadinho no YouTube/ aquele clipe da banda? Você gosta? Você conhece? Se sim, você faz parte do meu universo também”.

Fico com a sincera opinião de que devemos primar por estar, sim, com referências acima do brasileiro médio, mas sem esquecer que os anos 80 acabaram. Só os clientes não mudaram.

 

Comments are closed.

 

 

|

Clicky Web Analytics